Dominate Me
A noite estava fria, mas dentro da boate o clima era completamente o oposto. Corpos se moviam em sincronia com a batida eletrônica que reverberava pelas paredes. O cheiro de bebida, suor e perfume caro preenchia o ar, criando uma atmosfera intoxicante, quase claustrofóbica. Luzes coloridas piscavam no ritmo da música, cegando por instantes os olhos dos que dançavam.
Cristal entrou sem hesitar, ignorando as pessoas ao seu redor. Ela não estava ali para diversão, não naquela noite. Seus saltos ecoaram pelo piso enquanto atravessava a multidão, atraindo olhares por onde passava. Alguns a reconheciam e imediatamente desviavam o olhar, outros apenas a encaravam, hipnotizados por sua presença imponente.
Ela subiu as escadas com passos firmes, sabendo exatamente onde procurá-la. Não precisava de pistas; já conhecia Stella o suficiente para saber que ela sempre preferia a sacada nos andares superiores. Um lugar mais afastado do tumulto, onde a fumaça do cigarro misturava-se à brisa noturna.
Lá estava ela. Encostada na grade, o cigarro entre os dedos, o olhar perdido na cidade que pulsava ao longe. Stella parecia alheia a tudo, mas Cristal sabia que isso era apenas fachada.
— Ainda tem esse hábito — disse Cristal, sua voz grave cortando o silêncio como uma lâmina.
Stella não precisou se virar. Reconhecia aquela voz em qualquer lugar.
— Não esperava que você fosse aparecer por aqui — respondeu, levando o cigarro aos lábios antes de apagar a ponta incandescente no parapeito de metal. Ela virou-se lentamente, os olhos encontrando os de Cristal. — O que te traz à minha humilde presença?
Cristal deu alguns passos à frente, encurtando a distância entre elas. O som abafado da música parecia desaparecer, deixando apenas a tensão no ar.
— Você sabe muito bem o que me traz aqui — respondeu Cristal, mantendo o olhar fixo em Stella.
Stella soltou uma risada baixa, o tipo de risada que sempre irritava Cristal. Era como se ela estivesse em pleno controle da situação, mesmo quando não estava.
— Ah, Cristal... você nunca muda. Sempre tão mandona.
— E você, sempre tão teimosa — rebateu Cristal, inclinando-se ligeiramente. — A questão é: vai me ouvir dessa vez?
Stella cruzou os braços, um sorriso desafiador surgindo em seus lábios.
— Acho que vai depender do que você tem a dizer.
Cristal soltou um suspiro, olhando brevemente para a cidade iluminada antes de voltar sua atenção para Stella.
— Você está brincando com fogo, Stella. O lugar onde trabalha, as pessoas que frequenta... nada disso é seguro.
Stella arqueou uma sobrancelha, claramente desinteressada.
— E desde quando você se preocupa com minha segurança? — perguntou, com a voz impregnada de ironia. — Ah, claro, desde que você decidiu aparecer depois de anos.
Cristal estreitou os olhos, a paciência diminuindo rapidamente.
— Não estou aqui para discutir o passado. Estou aqui porque sei que, se continuar nesse caminho, vai acabar morta.
Stella deu uma risada amarga e balançou a cabeça.
— Já ouvi essa conversa antes. Só que, da última vez, você não estava tão preocupada com a minha segurança.
Cristal deu um passo à frente, reduzindo ainda mais a distância entre elas. O ar ao redor parecia mais denso, carregado de tensão.
— Estou aqui agora, Stella. Isso é o que importa.
Stella manteve o olhar, mas não disse nada por um momento. Parecia estar avaliando cada palavra, cada gesto de Cristal.
— E o que você sugere, então? Que eu largue tudo e vá viver sob a sua sombra de novo? — perguntou finalmente, sua voz baixa, mas cheia de desafio.
Cristal segurou o parapeito da sacada, inclinando-se levemente para a frente.
— Não. Sugiro que pense bem sobre quem são seus verdadeiros inimigos... e amigos.
Stella desviou o olhar, encarando a cidade ao longe. Por um momento, parecia vulnerável, mas logo recuperou sua máscara de indiferença.
— Eu não preciso de babá, Cristal. Já passei por coisa pior do que isso, e continuo de pé.
Cristal se aproximou ainda mais, agora tão perto que Stella podia sentir seu perfume, uma mistura de algo amadeirado e levemente doce.
— Não se trata de precisar de mim, Stella. Se trata de sobreviver.
O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Stella, com seus olhos brilhando de teimosia, e Cristal, com a determinação de sempre. Ambas sabiam que aquela conversa era apenas o começo.
— Terminei meu cigarro — disse Stella, finalmente quebrando o silêncio. — Acho que é hora de voltar ao trabalho.
Ela deu um passo para trás, mas antes que pudesse se afastar, Cristal segurou seu pulso.
— Pense no que eu disse.
Stella olhou para a mão de Cristal em seu pulso e depois para o rosto dela. Não disse nada, mas a intensidade em seus olhos dizia muito.
Sem mais uma palavra, Cristal soltou-a, observando enquanto Stella desaparecia no corredor, deixando para trás apenas o cheiro de fumaça e o som abafado da música.
Cristal permaneceu na sacada por alguns instantes, observando a cidade. Não era apenas preocupação que a trazia até Stella. Havia algo mais, algo que ela não estava pronta para admitir nem para si mesma.
Quando finalmente desceu as escadas e saiu da boate, sabia que aquela noite marcava o início de algo que poderia mudar tudo — para o bem ou para o mal.
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Aparência de Stella:
Aparência de Cristal:
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Atualizado até capítulo 155
Comments
Raffa Almeida
caramba que lindas e o que de linda tem de teimosa kkk
2025-03-31
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mandy_xtr
tá sendo bem interessante!
2025-03-22
1
Ana Faneco
Eita eita eita essa história promete...já amando 😍
2025-01-02
0