A manhã passou tranquila após os cuidados de Olivia, mas a calma era algo raro para Stella. O controle de chamada estava ao alcance de sua mão, mas ela optou por ignorá-lo, como se tocar aquele pequeno dispositivo fosse ceder a uma vulnerabilidade que odiava admitir. Em vez disso, ficou encarando o teto, perdida em pensamentos que a arrastavam para um passado que nunca a deixava em paz.
Uma batida firme ecoou pela porta, interrompendo sua bolha de introspecção. Antes que Stella pudesse responder, Cristal entrou no quarto sem pedir permissão, como sempre fazia.
— Espero que esteja descansando. — Cristal anunciou, com um tom de autoridade suavizado por um resquício de preocupação.
Stella ergueu o olhar preguiçoso e lançou um sorriso pequeno, mas ácido.
— Como se eu tivesse escolha. Olivia está praticamente me mantendo presa nessa cama.
Cristal riu, aproximando-se e sentando-se na beirada da cama com um movimento elegante.
— Ela está apenas seguindo ordens. Você precisa se recuperar, Stella. Quero te manter inteira, pelo menos fisicamente.
Stella bufou, desviando o olhar.
— Não precisa cuidar de mim, Cristal. Eu não sou mais uma criança. Sei cuidar de mim mesma.
Cristal arqueou uma sobrancelha, seu tom ficando mais firme.
— Eu sei que você não é mais uma criança, mas também sei que você não cuida de si mesma. Não enquanto tenta carregar o mundo nas costas. Eu não vou fechar os olhos enquanto você se desmonta aos poucos.
Stella apertou os lábios, respirando fundo. Sabia que Cristal nunca recuaria, mas não estava pronta para abrir suas feridas para ela.
— Você diz isso agora, mas quando me deixou, não parecia se importar muito se eu iria desmoronar ou desabar.
O golpe foi certeiro. Cristal ficou em silêncio por um momento, o olhar penetrante tentando atravessar as camadas de defesa de Stella.
— Eu sei que te machuquei. Mas, Stella, se você acha que vou ficar aqui só tentando me explicar, está enganada. Vou mostrar o quanto me arrependo e o quanto ainda te amo. Mesmo que você me odeie, eu não vou desistir de você. Até meu último suspiro, eu vou lutar por nós.
Stella desviou o olhar, mas não antes de Cristal perceber o brilho nos olhos dela. Antes que pudessem continuar, uma batida na porta chamou a atenção de ambas.
— Com licença, senhorita Cristal. — Olivia apareceu, com sua postura impecável. — Há um visitante na sala de estar pedindo para ver Stella.
O coração de Stella disparou.
— Quem é? — Sua voz vacilou levemente.
— Ele não se apresentou, mas disse ser um velho conhecido da senhorita Stella.
Cristal levantou-se imediatamente, sua expressão endurecendo como aço.
— Eu mesma vou lidar com isso. Stella não vai receber ninguém sem que eu saiba exatamente quem é.
Stella tentou protestar, mas Cristal já estava saindo do quarto, seus saltos ecoando pelo corredor como tiros.
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Na sala de estar
Cristal desceu as escadas com passos firmes e impacientes. Assim que entrou na sala, encontrou um homem alto, de cabelos escuros e um sorriso carregado de cinismo.
— Elias. — Cristal disse diretamente, cruzando os braços e encarando-o com frieza. — O que você está fazendo aqui? E como, exatamente, encontrou esta casa?
O homem deu um passo à frente, seu sorriso nunca deixando o rosto.
— Ah, Cristal. Sempre tão direta. Eu tenho meus contatos. Sabe como é, minha rede é muito... abrangente. Te achar não foi tão difícil.
Cristal estreitou os olhos, a tensão em seu corpo evidente.
— Esta casa fica afastada por um motivo. Você não deveria estar aqui. Diga logo o que quer antes que eu te jogue pela porta.
Elias riu, levantando as mãos como se estivesse se rendendo.
— Calma. Eu só quero ver minha irmã. Não estou aqui para causar problemas.
— Não é o que parece. — Cristal deu um passo à frente, ficando cara a cara com ele. Sua voz era baixa, ameaçadora. — Se acha que vou permitir que você chegue perto dela, está muito enganado. Stella está sob minha proteção agora. E, pelo que sei, você é exatamente o tipo de problema de que ela não precisa.
Elias arqueou uma sobrancelha, fingindo ofensa.
— Você realmente acha que pode impedir? Stella sempre me procura. Sempre.
Cristal apertou o punho, o desejo de esmagar o sorriso dele ardendo em suas veias.
— Se você acha que vai manipulá-la como fazia antes, está enganado. E aviso: se voltar aqui sem permissão, será a última vez que pisa em qualquer lugar onde eu esteja. Eu sou muito boa em acabar com problemas antes que comecem.
Elias hesitou por um segundo antes de sorrir novamente.
— Nos veremos de novo, Cristal. Isso é inevitável.
Ele se virou e saiu pela porta, mas não antes de Cristal murmurar para si mesma:
— Se eu te ver de novo, vai ser a última vez..
De volta ao quarto
Cristal entrou no quarto com passos firmes, mas seus olhos entregavam a fúria que tentava conter. Stella ergueu o olhar, ansiosa.
— Quem era? — perguntou, mesmo já suspeitando da resposta.
— Elias. — Cristal respondeu sem rodeios, a voz carregada de desprezo. — O irmão que nunca mereceu o título. Ele veio aqui para desestabilizar você, como sempre.
Stella suspirou profundamente e desviou o olhar.
— O que ele disse?
— Nada que mereça ser repetido. Mas o suficiente para me lembrar de tudo que ele já fez com você.
Cristal se sentou ao lado de Stella, cruzando os braços enquanto a observava.
— Você acha que eu não sei, Stella? Sobre o que ele fez com você naquela noite? Sobre como ele quase te destruiu? Ou sobre seu pai, que te jogou nesse mundo por causa das dívidas de jogo e da garrafa? Sei exatamente o que eles fizeram. Cada ferida que carregam no seu corpo e na sua alma, eu conheço. E não vou ignorar isso.
— Eu não quero briga, Cristal. Não quero mais dor. — Stella murmurou, a voz embargada. — Eu só quero paz.
Cristal a encarou por um momento, o olhar carregado de uma raiva que não era só dela, mas de tudo que Stella foi forçada a suportar.
— E você acha que paz vem de deixar esses vermes andarem por aí livres? Como posso fingir que está tudo bem enquanto eles vivem como se nada tivessem feito? Elias, seu pai, todos eles... eles te quebraram, Stella. E eu juro que nunca vou deixar isso acontecer de novo.
Stella segurou o braço de Cristal com força, as lágrimas finalmente escapando de seus olhos.
— Eu sei o que você faria por mim. E é por isso que te peço: por favor, não faça nada. Eu não quero mais carregar essa culpa, Cristal. Me promete que não vai fazer nada?
Cristal fechou os olhos, respirando fundo para controlar o impulso de agir. Quando os abriu novamente, sua voz saiu mais suave, mas ainda cheia de determinação.
— Eu prometo não fazer nada... por enquanto. Mas escute bem, Stella: se Elias ou qualquer outro deles ousar encostar um dedo em você novamente, eu não vou hesitar. Eles vão pagar, um por um. Você merece paz, e eu farei de tudo para garantir que tenha isso. Mesmo que eu precise sujar minhas mãos.
Stella soltou o braço de Cristal, exausta. Ela sabia que Cristal nunca prometia algo em vão. Por ora, isso teria que bastar.
Do lado de fora, Cristal olhou pela janela, os punhos cerrados. Não importava quantas vezes Stella pedisse paz, Cristal sabia que a guerra ainda não tinha acabado.
E, se dependesse dela, essa guerra terminaria com cada inimigo de Stella fora do caminho. Para sempre.
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Atualizado até capítulo 155
Comments
Maria Andrade
eita agora a coisa ficou boa mas autora
2024-12-20
0
Raffa Almeida
Isso aí cristal acaba c eles
2025-04-01
0
°•☆Star_Marii☆•°
Tadinha da minha bixinha man🥺🥺
2024-12-20
0