Os dias seguintes foram marcados por um silêncio pesado. Cristal cumpria sua promessa de não agir impulsivamente, mas sua inquietação era evidente. Stella, por outro lado, lutava para encontrar um pouco de paz.
Ela passava os dias tentando se manter distraída, mas as palavras de Cristal sobre Elias ecoavam em sua mente como um lembrete de tudo que ela queria esquecer.
Naquela noite, antes de sair para uma reunião, Cristal entrou no quarto de Stella.
— Continue em repouso. Não quero você se esforçando desnecessariamente. Entendeu?
— E eu tenho escolha? Você está praticamente me prendendo nessa cama. — Stella cruzou os braços, o tom levemente provocativo.
Cristal inclinou-se contra o batente da porta, o olhar sério.
— Se fosse tão ruim assim, você já teria fugido ou tentado me matar. Se não fez nenhuma dessas coisas, é porque a estadia é boa. Então, fique quieta e descanse.
Sem dar chance para mais protestos, Cristal saiu, deixando Stella sozinha no quarto. Antes de partir, deu instruções claras à equipe da casa: vigiar Stella e manter a mansão sob estrita segurança. Olivia, como de costume, passaria frequentemente pelo quarto para garantir que Stella estivesse bem.
Na reunião
Cristal entrou no salão iluminado por luzes pendentes, encontrando Nico, Mirella e outro associado.
— O que descobriram sobre Elias? — perguntou diretamente, sentando-se na cabeceira da mesa.
Nico foi o primeiro a falar, ajustando a gravata.
— Ele se reaproximou da gangue antiga. Está se movimentando pela cidade, mas ainda não sabemos o motivo exato.
— Ele não veio até mim sem um plano. Quero saber o que está tramando.
— Pode ter relação com as dívidas do pai de Stella — sugeriu Mirella, franzindo o cenho. — Ou talvez algo mais pessoal. Ele parecia mais interessado em provocar do que pedir ajuda.
Cristal ponderou por um momento, o rosto sério.
— Quero vigias em todos os movimentos dele. Se ele cruzar qualquer linha, me avisem imediatamente.
Ela levantou-se e inclinou-se ligeiramente sobre a mesa, o olhar feroz.
— Foda-se o que ele está tramando. Se ele ultrapassar qualquer limite, quero a cabeça dele pendurada no meio da cidade como um troféu. Entendido?
Os três assentiram em silêncio, conscientes de que as ordens de Cristal não eram meras ameaças.
Na mansão de Cristal
Stella estava deitada, inquieta. A quietude da casa parecia sufocante, e seus pensamentos eram um turbilhão. O silêncio foi interrompido por um leve ruído vindo da janela. Ela prendeu a respiração quando viu a figura conhecida entrando no quarto.
— Elias? — Sua voz saiu baixa, quase um sussurro.
Ele fechou a janela atrás de si, com um sorriso inquietante nos lábios.
— Oi, irmãzinha. Sentiu minha falta?
— O que você quer? Por que voltou?
Elias caminhou até a cama, sentando-se na beira.
— Só queria ver você. É crime visitar a própria irmã?
— Você nunca me visitou antes. Só aparece para causar problemas.
O sorriso desapareceu, substituído por um olhar frio.
— Talvez eu tenha mudado. Você já pensou nisso?
— Você não mudou, Elias. E eu não quero nada de você. Vai embora antes que Cristal volte.
O nome de Cristal pareceu incomodá-lo.
— Ah, Cristal. Você acha que ela te protege por bondade? Stella, ela só está jogando. E você é a peça mais frágil.
— Chega! — Stella interrompeu, a voz trêmula, mas firme. — Saia agora.
Elias aproximou-se, o tom de voz mais baixo e ameaçador.
— Só vou embora depois que você me der o que me deve.
— Eu não tenho nada. Não estou mais trabalhando na boate.
Elias agarrou seu cabelo, puxando-a brutalmente.
— Então saia dessa cama e volte a trabalhar. Você é uma prostituta, Stella. Vá arrumar o dinheiro.
— Eu não posso! O médico disse que tenho que ficar em repouso.
Ele a puxou da cama e a jogou no chão, pisando com força no joelho deslocado. Stella abafou um grito, mordendo a mão para não chamar atenção.
— Escuta bem, irmãzinha: arrume o dinheiro. Ou da próxima vez, eu vou te bater até você esquecer seu próprio nome.
Ele deu um chute na costela de Stella, que perdeu o ar.
— Espero que tenha entendido o recado.
Elias saiu pela janela, deixando Stella no chão, com lágrimas escorrendo pelo rosto. Ela usou as poucas forças que tinha para se arrastar até o criado-mudo e apertar o controle de chamada. Olivia chegou minutos depois, a expressão preocupada ao ver Stella no chão.
— O que aconteceu? Por que você está assim?
— Eu... eu caí tentando levantar da cama.
Olivia arqueou as sobrancelhas, claramente cética.
— Stella, me poupe. Tem algo que você não está me contando.
Olivia a ajudou a se sentar na cama, observando cada detalhe, desde o olhar assustado de Stella até a forma como ela evitava contato visual.
— Você não precisa me contar agora, mas vou descobrir o que houve. E se Cristal souber que você está escondendo algo, ela não vai deixar isso passar.
Stella ficou em silêncio, a dor que ela sentia em seu corpo era tão intensa que a fazia sentir-se degradada. Ela sabia que Olivia estava certa. Mas contar a verdade significaria acender o pavio de uma bomba. E Stella não estava pronta para enfrentar a explosão que viria depois.
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Atualizado até capítulo 155
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