O sol da manhã atravessava as cortinas grossas da suíte principal, lançando um brilho suave sobre o quarto. Stella piscou lentamente, ajustando-se à luz e à sensação do colchão macio sob seu corpo cansado. O silêncio era quebrado apenas pelo som distante de pássaros e pelo leve murmúrio de passos no corredor.
Cristal havia passado a noite em claro. Mesmo no outro quarto, sua mente não conseguia se desligar de Stella. O resgate, os ferimentos, o estado emocional da ex-namorada — tudo isso se repetia em sua cabeça como um filme. Após um banho rápido e uma troca de roupa, ela decidiu verificar como Stella estava.
Quando Cristal entrou no quarto, Stella estava despertando. Seus olhos encontraram os de Cristal, e por um instante, seu coração deu um salto.
— Você não dormiu, né? — Stella perguntou, a voz rouca e baixa.
Cristal cruzou os braços, encostando-se ao batente da porta. Sua expressão cansada, mas inabalável.
— Tive coisas demais na cabeça.
Stella tentou se erguer na cama, mas o movimento fez uma pontada de dor atravessar seu joelho. Ela soltou um gemido involuntário, o que fez Cristal dar um passo rápido em direção a ela.
— Não precisa se preocupar. Eu posso me virar sozinha. — Stella disse rapidamente, levantando a mão para detê-la.
Cristal a observou em silêncio por alguns segundos, antes de cruzar os braços novamente.
— Você sempre diz isso. E olha onde foi parar.
Stella estreitou os olhos, irritada.
— Eu não te pedi para me salvar, Cristal.
Aquelas palavras atingiram Cristal como uma faca. Ela deu um pequeno passo para trás, inspirando profundamente para manter a calma.
— Não. Você não pediu. Mas isso não significa que eu ficaria de braços cruzados enquanto você corria perigo.
Stella desviou o olhar, mordendo o lábio inferior. Ela sabia que Cristal estava certa, mas não queria admitir.
— Eu não queria ser um peso para você.
Cristal deu alguns passos até a cama e se sentou na beirada, inclinando-se ligeiramente para frente.
— Você nunca foi um peso para mim, Stella. Nunca será. Mas não espere que eu assista você se afundar e não faça nada. Você sabe que isso não é quem eu sou.
Houve uma pausa. Stella suspirou, sua voz quase um sussurro quando finalmente respondeu.
— É difícil, Cristal. Tudo ao meu redor está desmoronando, e eu... Eu não sei por onde começar a juntar os pedaços.
Cristal segurou a mão dela com uma firmeza delicada, algo raro vindo de alguém tão forte e determinada.
— Então deixe que eu te ajude a juntar. Você pode me odiar por tudo o que eu fiz no passado, mas sabe que eu não vou te deixar. Mesmo se o mundo desmoronasse sob os meus pés, eu ainda estaria aqui por você.
Os olhos de Stella encontraram os de Cristal, e por um momento, o silêncio entre elas parecia mais eloquente do que qualquer palavra. Algo no olhar de Cristal desarmava Stella de todas as suas defesas.
— Você é teimosa demais, sabia? — Stella disse finalmente, um pequeno sorriso se formando em seus lábios.
Cristal ergueu as sobrancelhas, um brilho de humor surgindo em sua expressão.
— Teimosia é meu sobrenome. Agora, está com fome?
Stella fez uma careta.
— Se você disser que vai cozinhar, prefiro passar fome.
O riso delas preencheu o quarto pela primeira vez em dias. Cristal se levantou, fingindo indignação.
— Eu vou pedir para alguém trazer algo decente. Fique quietinha aí.
Enquanto Cristal caminhava em direção à porta, Stella a observou, o sorriso ainda presente em seus lábios. Apesar de todos os problemas, naquele momento, ela sentiu uma leveza que há muito tempo não sentia. Talvez Cristal ainda fosse o porto seguro que ela tanto precisava. E talvez, só talvez, fosse hora de parar de lutar contra isso.
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Atualizado até capítulo 155
Comments
Raffa Almeida
Que lindo o que Cristal falou,queria alguém assim ao meu lado
2025-04-01
0
Maria Andrade
ufa já acabou, o capítulo foi curto
2024-12-18
0
°•☆Star_Marii☆•°
precisamos de homens e mulheres iguais a Cristal:
2024-12-18
1