O clima na boate era uma mescla de música pulsante, risadas abafadas e o cheiro adocicado de bebidas alcoólicas. No entanto, ao redor de Cristal e Stella, o som parecia dissipar-se, deixando apenas o peso de suas palavras pairando no ar.
— Seguir em frente? — repetiu Stella, o tom da voz desafiador, mas com uma leve hesitação. — Você sabe que essa postura fria e despreocupada com tudo não me engana, Cristal.
Cristal inclinou a cabeça, um sorriso irônico surgindo em seus lábios.
— É mesmo? Você sempre tentou ver além da "máscara" que todos dizem que eu uso. Mas você realmente consegue ver o que tem por trás dessa máscara? Ou você só pensa que consegue?
Stella cruzou os braços, sentindo-se desafiada pela pergunta. Os olhos dela brilhavam, cheios de emoção, como se buscassem algo nas palavras de Cristal que fosse mais verdadeiro.
— Eu sempre vi você do jeito que ninguém conseguia ver. Sempre enxerguei a Cristal por trás da "máscara", a Cristal que poucos conhecem. Mas agora… — ela hesitou, respirando fundo. — Agora, eu não tenho certeza se ainda conheço a Cristal de verdade. E talvez… talvez eu nunca vá conseguir entendê-la.
As palavras de Stella cortaram como uma faca, mas Cristal manteve a expressão neutra, embora por dentro ela sentisse cada sílaba como um golpe.
— Você fala como se eu fosse uma espécie de monstro ou algo assim — disse Cristal, a voz mais baixa, mas ainda firme. — Eu fui uma idiota por ter te deixado, Stella. Mas você sabe que eu não sou uma pessoa ruim… pelo menos não com você.
O peito de Stella subiu e desceu rapidamente, o conflito interno se manifestando de maneira quase palpável.
— Você me fez ficar sozinha por tanto tempo que eu comecei a me questionar sobre você, sobre suas ações. Sobre quem somos e o que representamos.
Cristal deu um passo à frente, o olhar intenso, fixo em Stella.
— Sabe, de todas as palavras que saem da sua boca, nenhuma é a que você realmente quer dizer.
Stella estreitou os olhos, tentando esconder a vulnerabilidade que começava a transparecer.
— E o que você acha que eu quero falar? — desafiou ela, a voz carregada de uma mistura de raiva e curiosidade.
Cristal deu outro passo, encurtando a distância entre elas. A respiração de ambas se tornou mais audível, e o mundo ao redor pareceu desaparecer.
— Eu te amo. — Cristal sussurrou as palavras no ouvido de Stella, a voz tão suave quanto uma carícia.
Por um instante, o tempo parou. Stella sentiu seu corpo inteiro tremer. A frase, tão simples, mas tão poderosa, destruiu as barreiras que ela havia construído ao longo dos anos. A armadura que Stella usava para se proteger desmoronou, deixando-a exposta, vulnerável, e incapaz de ignorar a verdade que habitava seu próprio coração.
"Eu a amo."
A frase ecoava em sua mente como um mantra. Seu coração batia tão rápido que parecia prestes a saltar de seu peito. As mãos dela tremiam levemente, enquanto seus pensamentos se misturavam em uma confusão de emoções: amor, raiva, saudade.
— Por que… — começou Stella, mas a voz falhou. Ela respirou fundo, buscando forças. — Por que você voltou agora?
— Porque eu não consigo mais viver sem você — respondeu Cristal, a voz carregada de honestidade. — Eu tentei. Por anos, eu tentei. Mas você está em cada pensamento meu, em cada decisão, em cada silêncio. Eu precisei voltar.
Stella desviou o olhar, sentindo-se invadida por um turbilhão de sentimentos. O olhar de Cristal era intenso, tão cheio de emoção que a fazia querer ceder, mas algo ainda a prendia, talvez o medo de se machucar novamente.
— Eu te amo, Stella. E eu sei que provavelmente já destruí todas as chances de ter você de volta. Mas eu precisava te dizer isso. Precisava que você soubesse.
As palavras de Cristal soaram como uma confissão, algo tão cru e verdadeiro que Stella não pôde ignorar. Ela olhou para Cristal novamente, e desta vez, seus olhos estavam cheios de lágrimas que ela lutava para conter.
"Por que eu não dou outra chance para ela?"
A pergunta ecoava em sua mente, desafiando tudo o que ela havia decidido até aquele momento. Ela queria acreditar em Cristal, queria se permitir sentir novamente. Mas e se fosse um erro? E se ela acabasse machucada mais uma vez?
O silêncio entre as duas era quase insuportável, mas nenhuma delas ousou quebrá-lo. Cristal deu mais um passo à frente, agora tão próxima que Stella podia sentir o calor de seu corpo.
— Você não precisa me responder agora — disse Cristal, a voz baixa, mas firme. — Só me prometa que vai pensar nisso. Que vai pensar em nós.
Stella não respondeu. Ela não podia. Suas emoções estavam em guerra, e ela sabia que qualquer palavra dita naquele momento poderia quebrá-la completamente.
— Eu espero por você, Stella. Sempre.
Cristal deu um último olhar, cheio de significado, antes de se afastar. Cada passo que ela dava parecia pesar mais do que o anterior, como se estivesse deixando parte de si mesma para trás.
Stella ficou parada, olhando para Cristal se afastar, sem saber se deveria correr atrás ou deixar que ela fosse. Seu coração dizia para ir, mas sua mente gritava para ter cuidado.
A noite na boate continuou, as luzes piscando e a música alta preenchendo o ambiente. Mas, para Stella, o mundo parecia ter parado no momento em que ouviu aquelas três palavras.
E, no fundo, ela sabia que aquele capítulo de suas vidas estava longe de terminar.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 155
Comments
Ana Faneco
muito show essa história 😌
2025-01-02
0
Ilmara Silva
em pensa que eu vive exatamente esse trecho da história me fez tremer dos pés ah cabeça, não tem coisa mas aterrorizante que uma pessoa que machucou vc volta dps de meses ou anos eh ainda solta um "eu amo vc " faz vc ter uma mistura de sentimentos MDS
2025-02-09
1