Cristal acordou mais tarde do que o normal. O relógio em seu quarto marcava quase meio-dia. Sua cabeça ainda pesava por causa do álcool de ontem à noite, mas nada disso a impedia de levantar. Ela olhou ao redor, o silêncio da casa refletia a sensação de vazio que ela carregava consigo desde o reencontro com Stella.
Ela se arrastou até o banheiro, ligou o chuveiro quente e deixou a água escorrer sobre seu corpo, tentando limpar não apenas a ressaca, mas também a confusão mental que a consumia. A lembrança de Stella, sua expressão de raiva e indiferença, parecia se repetir em sua mente sem parar. O que havia acontecido entre elas? Por que tudo tinha mudado? Cristal sabia que só o tempo traria respostas, mas ela não estava certa de querer ouvir o que o destino tinha a dizer.
Depois de um longo banho, ela se vestiu com um conjunto mais casual, mas ainda assim com um toque de classe, uma roupa que denotava sua posição e seu poder. Quando desceu as escadas, encontrou Liam na sala, como sempre. Ele estava sentado no sofá, lendo um livro, mas logo levantou os olhos para ela.
— Achei que não ia mais acordar — disse ele, com um sorriso irônico.
— Se eu não acordar, todos morrem — Cristal respondeu, a voz seca, mas com um toque de humor sombrio.
Liam deu um leve sorriso, mas sua expressão logo se tornou mais séria.
— Como você está? — ele perguntou, sabendo que não seria uma conversa fácil.
Cristal apenas deu de ombros, tentando disfarçar os sentimentos que estavam prestes a explodir.
— Vou trabalhar o dia todo. Não tenho tempo para ficar pensando nisso agora. — Ela se dirigiu para a porta, o som de seus saltos ecoando na mansão silenciosa.
Liam a observou por um momento, mas decidiu não pressioná-la. Ela precisava de espaço para processar tudo.
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O resto do dia foi uma maratona de reuniões e decisões. Cristal não tinha tempo para se perder nos próprios pensamentos. A gangue precisava dela, e ela sabia que não podia falhar. No entanto, cada passo que dava parecia pesar mais, o pensamento em Stella persistindo, como uma sombra constante em sua mente.
Quando a noite finalmente chegou, Cristal se viu novamente dentro de seu carro, em direção à boate. A música pulsava à distância, e seu corpo sentia a vibração antes mesmo de entrar. Mas ela não estava ali para se divertir. Não estava ali para buscar prazer. Ela estava ali por uma única razão: Stella.
A boate estava cheia, as luzes piscando, as pessoas dançando, e o som da música alta preenchia o ambiente. Cristal se sentou em um sofá no canto da sala, tomando um drink sem pressa, observando a cena ao seu redor. Ela se sentia em casa nesse ambiente, mas algo a incomodava, uma tensão no ar que ela não conseguia ignorar.
Foi então que seus olhos se encontraram com os de Stella. Ela estava lá, no outro lado da sala, com aquele olhar penetrante que sempre soubera como usar. Cristal sentiu seu coração acelerar, mas não demonstrou nada. Continuou bebendo de seu copo, como se nada estivesse acontecendo, mas dentro dela, tudo estava em tumulto.
Stella não desviava o olhar, mas também não se aproximava. Elas ficavam ali, em um silêncio carregado, como se o espaço entre elas fosse um abismo impossível de atravessar.
O ambiente ao redor de Cristal estava começando a se aquecer, como se as coisas estivessem prestes a explodir. Uma mulher apareceu ao seu lado, uma das prostitutas da boate, com um sorriso sedutor no rosto.
— Olá, querida, posso te oferecer meus serviços? — a mulher perguntou, insinuando-se de maneira provocante.
Cristal olhou para ela, os olhos frios e implacáveis.
— Não, obrigada — respondeu ela, a voz firme e sem emoção. A mulher deu de ombros e se afastou, mas não sem lançar um último olhar em sua direção.
Mas o olhar de Cristal não estava mais na mulher. Ela sentiu uma presença por trás de si e se virou discretamente. Para sua surpresa, era um homem, um cliente frequente da boate, que decidiu se aproximar de Cristal de forma mais ousada. Ele se sentou ao lado dela, ignorando completamente as normas não ditas do lugar.
— Estava me perguntando quando você viria até mim — disse ele, com um sorriso travesso. Mas Cristal não estava interessada. Seu foco estava em Stella, que, agora, não conseguia mais disfarçar o ciúmes. Ela a observava atentamente, seus olhos cheios de algo que Cristal não conseguia decifrar.
Antes que o homem pudesse dizer mais alguma coisa, Stella apareceu ao lado de Cristal, de maneira quase sobrenatural, sem que Cristal tivesse percebido sua aproximação. O clima entre as duas imediatamente se carregou de tensão. Stella se inclinou para Cristal, com um sorriso enigmático no rosto.
— Você tem uma maneira interessante de fazer as coisas, Cristal — disse ela, a voz baixa, mas carregada de um sarcasmo perigoso.
Cristal olhou para Stella, seus olhos desafiadores, mas algo na maneira como Stella se aproximava a deixava desconfortável, como se fosse um lembrete de tudo o que elas haviam perdido.
— Eu só estou tentando seguir em frente — Cristal respondeu, sua voz mais suave do que ela gostaria.
O homem ao lado de Cristal, notando a interação entre as duas, se afastou discretamente, percebendo que havia algo mais entre elas do que ele imaginava. Mas Stella não se afastou. Ela ficou ali, encarando Cristal com uma intensidade que fazia o ambiente todo parecer irrelevante.
O jogo de olhares entre elas era quase elétrico. Era impossível saber o que viria a seguir, mas uma coisa estava clara: o passado de Cristal e Stella ainda estava muito longe de ser enterrado.
Enquanto Cristal observava o ambiente, sentindo a presença de Stella como uma força magnética, uma parte dela desejava que tudo fosse diferente. Mas a realidade era implacável. E, naquela noite, as duas não conseguiriam escapar do que estavam construindo, mesmo sem querer.
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Atualizado até capítulo 155
Comments
Darlen Almeida
Comecei, o enredo está me prendendo, torcendo pra elas se entenderem....mas já sabendo que não vai rolar ainda....kkk
2024-12-27
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Raffa Almeida
Vamos meninas p quer perder tempo c joguinhos,se entreguem de uma vez
2025-03-31
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Maria Andrade
começando a ler agora 😃
2024-12-16
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