Genevieve Ashford
Acordei com a sensação de que o tempo, que normalmente era meu aliado, agora me traía. O relógio parecia correr mais rápido, e eu estava prestes a fazer algo irreversível: casar com Edward Blackwell. Cada passo que eu dava me aproximava mais daquele altar, e, embora a razão me dissesse que era o melhor, meu coração gritava por liberdade. A ideia de ser esposa de Edward era, no mínimo, surreal. Ele era o homem que eu jamais imaginaria ao meu lado. E, mais difícil ainda, ele era o homem com quem agora teria que passar o resto da minha vida.
No entanto, o que mais me atormentava não era a ideia de nos casarmos, mas sim o fato de que, por mais que eu o odiasse, havia algo nele que desafiava todas as minhas convicções. Algo que, quando ele me olhava de forma desafiante, me fazia sentir uma estranha excitação que eu não conseguia explicar. Tentei ignorar esses pensamentos, mas eles estavam se tornando mais frequentes, e eu não sabia como lidar com eles.
O casamento estava marcado para a semana seguinte, e as preparações estavam em pleno andamento. As modistas já estavam no ateliê da minha mãe, ajustando o vestido, enquanto as governantas discutiam as opções de menu e decoração. Eu, por outro lado, não conseguia me concentrar em nada que envolvesse o evento. Tudo parecia uma grande farsa, uma encenação de algo que não tinha a menor importância para mim.
No entanto, o que mais me incomodava era a minha falta de controle sobre tudo isso. Quando Edward entrou na sala naquela manhã, como sempre, com sua postura arrogante e um sorriso travesso nos lábios, não pude deixar de me sentir desconfortável. Ele sabia que estava em meu pensamento, e, de alguma forma, aquilo só aumentava a minha frustração.
— Genevieve — ele começou, sua voz carregada de sarcasmo. — Preparando-se para a grande cerimônia? Posso sentir a ansiedade no ar.
Eu olhei para ele com um olhar furioso, tentando esconder a inquietação que ele causava em mim. Ele parecia estar se divertindo com a minha angústia, e, de fato, sabia exatamente como me provocar.
— Não estou ansiosa, Blackwell. Não há nada para esperar em um casamento como este. Apenas… um contrato social.
Ele deu uma risadinha baixa e se aproximou de mim, seus olhos desafiadores nunca saindo dos meus.
— Não seja tão dramática, Genevieve. Todo casamento é um contrato social, seja ele por amor ou interesse. A diferença é que, ao contrário de outras mulheres, você tem a chance de fazer a sua escolha. E você não parece muito feliz com a sua, mas é tarde demais para mudar de ideia agora.
Eu senti uma raiva crescente em meu peito. Ele estava certo, é claro, mas a maneira como ele se expressava, como se já tivesse me derrotado, me fazia querer responder com algo igualmente cruel.
— Você é insuportável, Edward. Não vê que, por mais que tente fazer piada com tudo isso, você também está preso? Não é só uma farsa para mim, é para você também. Não seja tão arrogante a ponto de achar que está acima disso.
Ele levantou uma sobrancelha, como se tivesse encontrado uma diversão inesperada em minhas palavras.
— Eu? Arrogante? Eu apenas tento ver a graça na situação, Genevieve. Você me parece uma mulher que precisa de mais… desafios. Acha que me desafiar vai mudar alguma coisa? Não vai. Estamos na mesma barca.
Fiquei em silêncio por um momento, tentando digerir suas palavras. Como ele era capaz de me deixar sem resposta com tão poucas palavras? Edward sabia exatamente o que dizer para me fazer perder o controle, e eu sentia que ele estava fazendo isso de propósito.
— Por que você faz isso, Edward? — perguntei, sem querer, mais para mim mesma do que para ele. — Por que me provoca tanto? O que ganha com isso?
Ele fez uma pausa e me olhou com um sorriso enigmático, mas desta vez algo em seus olhos parecia… sincero, por um instante.
— Eu não estou tentando te magoar, Genevieve. Se é isso que você pensa, talvez esteja errada. Estou apenas tentando te fazer ver a verdade. O que estamos fazendo agora, essa coisa toda, é inevitável. Não podemos fugir disso. E se, ao menos, você puder encontrar algum prazer nas pequenas provocações, talvez essa jornada seja um pouco mais suportável.
Aquelas palavras me pegaram de surpresa. Edward Blackwell, o homem que sempre pensei ser tão calculista e frio, agora parecia falar com uma leveza que me confundia. Será que ele também estava apenas tentando lidar com o que nos esperava, ou ele realmente tinha algo mais profundo por trás de suas palavras?
Aquele sorriso de Edward permaneceu em meu pensamento enquanto eu me preparava para a cerimônia. O que mais me irritava era o fato de que, ao mesmo tempo em que ele me provocava, algo em sua presença começava a despertar algo dentro de mim. Não era apenas raiva, não era apenas ódio. Havia algo mais, algo que eu não queria admitir, mas que me fazia questionar tudo o que eu pensava sobre ele.
A pressão do casamento só aumentava conforme os dias passavam. Cada olhar trocado com Edward parecia carregar um peso maior, e eu não sabia como lidar com isso. O que parecia ser uma provocação contínua agora se transformava em algo mais, algo que eu não entendia, mas que me consumia. Eu estava prestes a me casar com o homem que, até poucos meses atrás, eu desprezava, e, no entanto, cada vez mais, ele se tornava uma presença inescapável em minha vida.
Quando o grande dia finalmente chegou, eu não sabia se estava preparada ou não. No entanto, não havia mais volta. Eu estava no altar, olhando para Edward, e ele, com seu sorriso enigmático, me parecia o homem que eu nunca imaginei que fosse, mas o homem que eu estava prestes a chamar de meu marido.
— Genevieve, você ainda acha que pode fugir? — ele sussurrou, só para mim, quando o padre começou a falar.
E naquele momento, com o mundo ao nosso redor, a única coisa que eu sabia era que, talvez, já não houvesse mais fuga. Edward Blackwell era, de alguma forma, agora a minha verdade.
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Atualizado até capítulo 30
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