Chapter 12

Genevieve Ashford

Eu ainda estava absorta nos pensamentos de Edward e na sensação inquietante que ele havia deixado em mim quando a noite avançava para as horas mais silenciosas. O evento, que inicialmente parecia ser apenas mais uma exibição social forçada, agora estava se transformando em algo mais... perturbador. O escândalo que começara com a cena do Senhor Henderson não parecia ser o fim, mas sim o começo de algo maior.

Eu o sabia. Podia sentir no ar. Algo estava se desenrolando, e, sem dúvida alguma, Edward Blackwell estava no centro disso.

Eu tinha certeza de que ele estava envolvido em tudo aquilo, de alguma forma. Não seria a primeira vez que ele, com seu sorriso encantador e palavras provocadoras, criaria um caos em um evento social. Mas o que me deixava ansiosa não era o escândalo em si — eu sabia que, ao final, todos se esqueceriam — mas sim o fato de que, ao meu lado, ele parecia estar assistindo ao mundo desmoronar com um prazer sádico que só ele sabia exibir.

Sentei-me no canto mais isolado do salão, tentando dar um tempo para minha mente se acalmar. Mas, mesmo no silêncio, não pude deixar de notar como o clima de tensão aumentava a cada minuto. As conversas ao meu redor se tornaram mais sussurradas, e os olhares, mais furtivos. Todos sentiam que algo estava prestes a acontecer. Algo grande.

De repente, uma mão se colocou sobre o meu ombro. Não precisei olhar para saber quem era.

— Genevieve — a voz de Edward me alcançou antes que ele se aproximasse totalmente. Seu tom era baixo, suave, mas havia algo em seu olhar que me fez sentir como se estivéssemos em um jogo de xadrez, e eu era a peça que ele estava prestes a derrubar. — Vejo que não está se divertindo, minha cara. O que está acontecendo? Você parecia tão… tranquila antes.

Eu não queria responder a ele. Não queria que ele soubesse que sua presença mexia comigo de uma forma que eu não conseguia controlar. Mas, ao olhar para ele, vi em seus olhos um brilho travesso, como se soubesse de algo que eu ainda não entendia completamente.

— Só estou observando — respondi, sem olhar diretamente para ele, tentando manter o controle. Não me importava que ele me visse como uma ameaça. Eu não permitiria que ele me atingisse dessa forma. — Parece que as coisas estão ficando um pouco fora de controle, não?

Ele riu baixinho, e aquele som encheu o espaço entre nós como uma ameaça velada.

— O que posso dizer? Parece que as coisas nunca são calmas quando estou por perto — ele disse, aproximando-se ainda mais de mim, de forma que eu quase podia sentir o calor de seu corpo. — E, como sempre, você parece ter o dom de atrair os problemas, Genevieve.

Eu o encarei finalmente, forçando-me a olhar para ele com o mínimo de expressão possível. Não podia me dar ao luxo de mostrar qualquer sinal de vulnerabilidade. Não mais. Mas havia algo no fundo do meu olhar que, com certeza, ele percebeu.

— Você não deveria brincar com o fogo, milorde — disse, tentando não transparecer a inquietação que corria em minhas veias. — Fogo é traiçoeiro. E, por mais que goste de colocar os outros em situações desconfortáveis, acho que você não é imune às suas chamas.

Ele parou por um momento, como se ponderasse minhas palavras, antes de sorrir de uma forma que fez meu estômago se revirar. Ele estava se divertindo com tudo isso.

— Ah, Genevieve, você não me conhece. Eu sou o fogo. E quando você joga algo inflamável na minha direção, não há como evitar que tudo queime.

Eu não sabia se ele estava se referindo àquela noite, ao evento, ou a nós dois. Mas, de alguma forma, sua resposta não fez com que eu me sentisse mais tranquila. Na verdade, eu sentia que, quanto mais ele falava, mais ele me envolvia nesse jogo perigoso em que eu parecia não ter nenhuma outra escolha a não ser jogar.

Em algum momento, durante nossa troca de provocações, algo mudou. O ambiente ao nosso redor parecia ter desaparecido, e éramos apenas ele e eu, em um campo de batalha silencioso onde as palavras eram nossas armas. As pessoas continuaram a dançar e rir, mas, naquele instante, eu soubera que algo dentro de mim estava quebrando, e não sabia se isso era bom ou ruim.

— Você tem algo em mente, não é? — disse, quebrando o silêncio que se formara. O tom em minha voz estava carregado de curiosidade, mas também de uma tensão crescente. Eu sabia que ele não falava apenas sobre o evento. Ele falava de algo mais. Algo que, de alguma forma, envolvia os dois.

Ele me olhou, seus olhos brilhando com algo que era ao mesmo tempo misterioso e, ao mesmo tempo, perigosamente claro.

— Eu sempre tenho algo em mente, Genevieve. Mas… você é uma mulher inteligente. Deve ser capaz de ver para onde isso está indo, não é?

O olhar dele estava fixo em mim agora, e a sensação que se apossava de mim era quase palpável. Eu sabia que ele estava sugerindo algo que eu ainda não entendia completamente, mas eu estava começando a perceber a magnitude disso.

— O que exatamente você quer, milorde? — minha pergunta saiu mais desafiadora do que eu pretendia, mas não me arrependi. O jogo tinha mudado de novo, e eu não estava mais disposta a jogar sem saber as regras.

Ele não respondeu imediatamente, mas se inclinou um pouco mais, de modo que estava quase respirando no meu ouvido. O calor da sua proximidade fez com que eu tivesse que me controlar para não dar nenhum passo atrás.

— O que eu quero, Genevieve, é simples. Mas você vai ter que decidir até onde está disposta a ir. A vida não é feita de escolhas fáceis. E, quando você se envolve com alguém como eu, não há como voltar atrás.

Aquelas palavras, ditas de forma tão serena e sem pressa, me atingiram como uma tempestade. Eu sabia que ele estava falando sério, que ele não se referia apenas a um simples romance. Havia algo mais profundo, mais complexo, e de uma forma estranha, isso me atraiu ainda mais.

Antes que eu pudesse responder, uma figura familiar entrou no salão, interrompendo nosso momento. Era minha mãe, com seu sorriso forçado, que parecia perceber imediatamente a troca tensa entre eu e Edward.

— Genevieve, querido, acho que é hora de irmos — ela disse, sua voz carregada de uma preocupação disfarçada.

Eu a encarei, mas, ao olhar de volta para Edward, ele já havia se afastado, voltando a se misturar à multidão. Ele me lançara um último sorriso, um sorriso enigmático que me deixou mais perturbada do que eu gostaria de admitir.

Eu não sabia como reagir. Sabia apenas que aquela noite estava longe de terminar.

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!