Chapter 14

Genevieve Ashford

A tarde passava lentamente, cada segundo arrastando-se como se o tempo tivesse decidido desacelerar apenas para me testar. Eu estava em meu quarto, olhando pela janela para o jardim que se estendia diante de mim, mas minha mente não estava ali. Estava longe, imersa nos últimos acontecimentos, nas palavras de Edward e, mais importante, na sensação de que tudo ao meu redor estava começando a se desestabilizar.

Era difícil evitar os pensamentos que vinham e iam. Como ele conseguiria me desafiar dessa forma sem sequer tentar disfarçar suas intenções? Edward não era apenas um homem irritante e arrogante; ele sabia exatamente o que estava fazendo. Ele jogava suas palavras como se fossem peças de um jogo, e eu me via, contra a minha vontade, caindo em suas armadilhas.

Pior ainda, minha mãe parecia se divertir com tudo isso. Ela achava que ele era uma boa influência, que ele tinha uma boa educação e era perfeito para mim. Mas o que ela não entendia era que ele não queria ser perfeito. Ele queria ser tudo o que eu não podia aceitar: provocador, desafiador e, acima de tudo, irresistível. Era um desafio para ele, e eu era o prêmio que ele queria conquistar.

Senti um aperto no peito. Era essa a minha vida agora? Um jogo de manipulações e provocações, onde Edward Blackwell, o duque com um sorriso torto, era a peça central? Eu não sabia mais o que pensar. Eu deveria resistir, ficar firme, ou simplesmente ceder e ver até onde esse jogo nos levaria?

O som da campainha me tirou de meus devaneios. Quem poderia ser agora? Com um suspiro, levantei-me, já antecipando o que poderia acontecer. Eu sabia que a visita não seria de um velho amigo ou de alguém com boas intenções. Quando abri a porta, a última pessoa que eu esperava ver estava ali, de pé, com seu sorriso irritante estampado no rosto.

— Genevieve, você está bem? — Ele perguntou, com uma voz suave, mas cheia de uma espécie de diversão que me fez querer cerrar os punhos. Edward estava ali, e eu não sabia se estava mais irritada por ele estar em minha casa ou por ele parecer tão à vontade.

Eu o observei por um momento, tentando decidir se deveria ou não deixá-lo entrar. Ele era como uma presença indesejada, uma sombra que não sabia desaparecer. No entanto, sem dar muita importância à minha hesitação, ele entrou.

— Eu vi você aqui de longe e pensei: "Por que não dar uma olhadinha na bela Genevieve? Talvez ela precise de um pouco de companhia." — Edward disse, suas palavras tão afiadas quanto seu olhar. Ele estava claramente se divertindo.

Eu não sabia o que ele queria agora. O jogo parecia estar se intensificando, e eu não sabia se estava preparada para isso. Mas não poderia mostrar que ele me afetava, não dessa maneira. Ao invés de responder com raiva ou frustração, fiz o possível para manter a calma.

— Eu estava apenas pensando em como o tempo parece ser implacável. — Eu disse, tentando mudar de assunto, mas, claro, sem fazer questão de esconder o desprezo que ainda sentia por ele. — Você, por exemplo, parece nunca se preocupar com as consequências de suas ações. Parece estar sempre flutuando, sem um rumo definido.

Edward se aproximou de mim, como sempre fazia quando queria me desafiar, e cruzou os braços, seus olhos brilhando com aquela chama de divertimento.

— E você? Sempre tão séria, tão... controlada. Não acha que deveria aprender a relaxar um pouco, Genevieve? Não é saudável ficar tão tensa o tempo todo. — Ele deu um sorriso que me fez pensar que ele sabia mais sobre mim do que eu gostaria. — A vida é curta, e você está perdendo as melhores partes dela.

Eu queria gritar, queria lançar algo pesado contra ele. Mas ao invés disso, dei um passo para trás, tentando me afastar de sua proximidade opressiva.

— Eu não estou perdendo nada. — Falei com firmeza, mas uma parte de mim se sentia como se estivesse mentindo. Será que estava mesmo? Será que eu estava realmente perdendo algo? Ele parecia estar se divertindo tanto com a minha reação que isso me fazia questionar minhas próprias intenções.

Ele deu uma risada baixa, aquela risada que soava como se ele estivesse se deliciando com a minha tentativa de resistir.

— Talvez não, mas você está muito tensa para perceber o que está acontecendo ao seu redor. — Edward se aproximou mais ainda, até que estava muito perto, e meu corpo ficou rígido com sua proximidade. Ele parecia se alimentar disso, do desconforto que ele me causava. Era como se ele fosse um mestre nessa arte.

Eu precisava sair dali. Precisava de espaço para pensar, para tentar entender o que estava acontecendo, e para não ceder à tentação de lutar contra ele, o que eu sabia que só iria me desgastar ainda mais. Mas, antes que eu pudesse dar um passo, ele colocou uma mão suavemente sobre meu braço, e a simples pressão de seu toque fez meu coração acelerar.

— Eu só estou tentando ser útil, Genevieve. Talvez você não veja isso agora, mas um dia vai. Eu não sou o inimigo que você acha que sou. — Ele disse isso com uma suavidade inesperada, mas ainda havia algo por trás de suas palavras que me fez duvidar de sua sinceridade.

Fiquei em silêncio por um momento, o peso de suas palavras pressionando sobre mim. Eu sabia que ele estava tentando me enganar, ou pelo menos isso queria acreditar. Mas sua sinceridade não era tão fácil de descartar. Algo em sua voz, talvez até mesmo o seu olhar, parecia indicar que ele estava falando sério, o que me deixou ainda mais confusa.

— Eu não preciso de sua ajuda, Edward. — Respondi, minha voz mais firme do que antes, embora eu sentisse um vazio em meu peito. — E você não está sendo útil. Está apenas criando mais confusão na minha vida.

Ele parecia apenas mais intrigado por minha resposta. O sorriso que apareceu em seu rosto fez meu estômago revirar, e por um momento, o silêncio tomou conta da sala. Eu sabia que ele não sairia dali tão fácil. Ele gostava de um bom desafio, e eu sabia que ele estava apenas começando.

— Eu entendo. — Edward finalmente disse, sua voz carregada de uma intensidade silenciosa. — Mas saiba que isso não acabou. Você vai me agradecer um dia, Genevieve.

Ele me observou por um último momento antes de se virar e caminhar para a porta. Eu não sabia se ele estava sendo sincero ou apenas tentando me manipular, mas de uma coisa eu tinha certeza: ele tinha algo mais em mente, algo que eu ainda não conseguia ver.

Quando a porta se fechou atrás dele, meu corpo finalmente relaxou. Mas a sensação de que algo estava prestes a acontecer, algo grande, não me deixou. Eu sabia que o escândalo estava chegando, e ele seria muito mais difícil de controlar do que eu imaginava.

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