Chapter 7

Genevieve Ashford

A noite havia chegado mais cedo naquela tarde de inverno. A neblina sobre Londres tornava as ruas ainda mais sombrias, e a mansão Ashford estava iluminada apenas por candelabros dourados e o brilho suave das lareiras. Estava em um daqueles raros momentos em que, por um segundo, a quietude da casa parecia reconfortante. Até que o som dos cavalos se aproximando de nossa entrada principal me fez olhar pela janela.

Eu sabia exatamente quem estava chegando.

Lord Edward Blackwell, o homem que parecia ser mais incômodo para minha paz do que qualquer outro. Ele estava lá novamente, convidado para o jantar que minha mãe havia organizado. Eu sabia que, embora sua presença fosse uma oportunidade para minha mãe garantir uma boa conexão social, ela também estava se divertindo às minhas custas. Como sempre, ela adorava o escândalo que envolvia a presença de Edward.

— Genevieve, minha querida, você não está pronta para o jantar? — A voz de minha mãe ecoou pela casa, interrompendo meus pensamentos. Ela não gostava de esperar.

— Sim, mãe, estou indo. — Respondi rapidamente, me levantando. Eu só esperava que a noite não fosse mais uma daquelas onde Edward se sentia obrigado a me provocar até eu perder a paciência. Mas, claro, o destino parecia estar brincando comigo.

Desci as escadas com a calma de sempre, minha mente já antecipando os comentários que poderiam surgir durante o jantar. Quando entrei na sala de jantar, Edward já estava lá, como esperado, sorrindo com aquele sorriso travesso de sempre. Ele estava conversando com meu pai, aparentemente ignorando o fato de que meu olhar não poderia ser mais frio.

— Ah, Genevieve! — Edward se virou ao me ver entrar, seus olhos brilhando com aquele brilho irritante de diversão. — Que maravilha vê-la novamente. Está muito elegante esta noite. Como sempre.

Eu simplesmente ergui uma sobrancelha, sabendo que ele estava apenas tentando mexer comigo. E, como de costume, ele estava se saindo muito bem nisso.

— Lord Blackwell, é um prazer vê-lo também. — Respondi, tentando manter a serenidade, mas não pude evitar o tom seco em minha voz. Eu sabia o que ele estava fazendo. E ele sabia que eu sabia. Era como um jogo interminável.

Edward deu um sorriso ainda mais largo, como se estivesse satisfeito por ter conseguido me provocar com uma simples frase. Ele se inclinou ligeiramente para frente, sua postura relaxada, como sempre, mas com uma leve ironia em seu olhar.

— Não está me dizendo que ficou zangada com a minha falta de elogios, está? — Ele perguntou, com o tom inocente de quem sabe exatamente o que está fazendo.

Eu mantive a expressão impassível, sem responder de imediato. Não iria dar a ele o prazer de saber que estava me afetando. Mas, por algum motivo que eu não conseguia explicar, sua presença me deixava nervosa, como se meu próprio autocontrole estivesse sendo constantemente testado. E eu, que me achava imune a esse tipo de pessoa, sabia que algo estava mudando. Algo que eu não queria admitir.

A conversa seguiu seu curso, mas a cada olhar, a cada palavra trocada entre Edward e eu, parecia que ele estava me desafiando de novo, como se estivesse esperando que eu finalmente cedesse a alguma reação. Eu me mantive firme, como sempre, mas algo dentro de mim dizia que a guerra entre nós estava apenas começando.

Depois do jantar, a música de salão começou a tocar. Minha mãe e meu pai se retiraram para conversar com os outros convidados, e o salão se encheu de risos e conversas, mas eu estava mais interessada em como Edward me observava. Estava difícil ignorá-lo.

— Quer dançar, Lady Ashford? — Edward perguntou subitamente, seu tom casual, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Eu, que estava distraída observando o movimento ao redor, quase deixei escapar um suspiro de frustração. Ele estava me desafiando mais uma vez.

Eu o olhei por um momento, hesitante, antes de responder.

— Não, milorde, não me sinto inclinada a dançar esta noite. — Tentei ser fria, mas não pude evitar a leve indignação que veio com a resposta. Ele me estava incomodando mais do que eu gostaria.

Ele se aproximou, e o sorriso que se formou em seus lábios me fez apertar os dentes.

— Tem certeza, Lady Ashford? Eu diria que uma dança seria uma maneira excelente de aliviar a tensão. — Ele estava começando a ficar divertido novamente, como se tivesse finalmente encontrado algo que me incomodava genuinamente. E eu sabia que ele estava fazendo isso de propósito.

— Eu não estou tensa, milorde. Apenas... não gosto de dançar com pessoas que não sei se estão fazendo isso por educação ou por diversão. — Respondi, olhando-o diretamente nos olhos. Sabia que ele tentaria me provocar, mas estava decidida a não cair em sua armadilha.

Edward se inclinou levemente para a frente, como se estivesse prestes a fazer uma proposta ainda mais insuportável.

— Então, Lady Ashford, talvez devesse dar a si mesma a oportunidade de saber. Ou será que teme o que uma dança ao meu lado pode revelar?

Eu suspirei internamente. Ele estava começando a me testar de uma forma mais pessoal, e eu sabia que não poderia continuar ignorando isso.

— Não estou interessada em saber, milorde. — Respondi, tentando manter o controle, mas minha voz já traía minha frustração. O que estava acontecendo comigo? Eu que sempre mantive a compostura, agora estava sentindo meu autocontrole escorregar entre os dedos.

Ele pareceu divertidíssimo, como se fosse exatamente isso o que ele estava esperando que acontecesse.

— Claro, claro, Lady Ashford. Mas eu insisto que você se permita um pouco de... diversão. — Ele disse, e, com um último sorriso desafiador, se afastou de mim.

Eu fiquei ali, sozinha, observando-o se afastar para conversar com outros convidados. Ele havia me desarmado novamente, e, por mais que eu odiasse admitir isso, parte de mim sentia um prazer estranho nesse jogo.

Eu não queria me apaixonar por Edward Blackwell. Eu sabia que ele era um homem perigosamente encantador, um libertino sem escrúpulos, alguém com quem eu jamais deveria me envolver. Mas, por alguma razão, ele estava começando a fazer parte dos meus pensamentos, e eu não conseguia mais ignorar isso.

A dança entre nós dois continuava, e eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, ele ia conseguir o que queria. Ele sempre conseguia.

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