Chapter 18

Genevieve Ashford

A manhã seguinte trouxe um céu nublado, como se o próprio tempo estivesse refletindo o turbilhão que agitava minha mente. O casamento com Edward Blackwell, o homem com quem eu havia trocado palavras afiadas e olhares desdenhosos, estava prestes a se concretizar. No entanto, eu não sentia a empolgação que uma noiva normalmente teria. Em vez disso, uma sensação de inevitabilidade me apertava o peito, como uma corrente invisível me puxando para algo que eu não sabia como controlar.

A manhã foi passada entre conversas secas com minha mãe, que, por mais que tentasse disfarçar, estava claramente satisfeita com o que estava prestes a acontecer. Ela falava do casamento como se fosse um evento social, uma oportunidade para reafirmarmos nosso lugar na sociedade, mas, por dentro, eu sabia que ela não entendia o peso daquilo tudo para mim. Para ela, Edward Blackwell era o duque perfeito, o partido perfeito. Mas para mim, ele era o símbolo de tudo o que eu não queria ser. O que eu não queria fazer.

— Genevieve, você não pode mais escapar disso — disse minha mãe, com aquele tom inconfundível de quem já tomou sua decisão. — Não importa o quanto tente resistir. É o melhor para todos nós.

Aquelas palavras, que soavam tão racionais, me pareciam um golpe. Era claro que ela não via a profundidade da situação, nem o que estava acontecendo dentro de mim. Não era apenas o casamento em si. Era a perda de minha liberdade, minha identidade, a sensação de estar sendo moldada para algo que não desejava ser.

O restante da manhã passou em uma espécie de névoa, onde eu mal conseguia processar os acontecimentos. Eu deveria me preparar para o evento, escolher o vestido, os adornos, as palavras que diria. Tudo o que estava acontecendo parecia um pesadelo que eu não conseguia acordar.

Edward. Ele ainda estava em minha mente, e, por mais que eu tentasse me convencer de que era apenas uma obrigação, não conseguia ignorar a estranha sensação de que algo estava mudando entre nós. Eu o odiava, sim, e ele sabia disso. Mas, ao mesmo tempo, havia algo nele que desafiava meu controle, que me fazia questionar as convicções que tanto prezava. O toque de sua mão na minha, o olhar dele, a maneira como falava comigo… tudo parecia desordenado, como se fosse uma dança em que ambos não sabíamos os passos, mas ainda assim, estávamos dançando.

Naquela tarde, fui levada até o salão onde o banquete de noivado seria realizado. As pessoas estavam se reunindo aos poucos, e o ambiente estava decorado com o requinte de sempre. No entanto, eu não consegui me livrar da sensação de que estava sendo observada. Todos ali sabiam do escândalo que nos unia, todos sabiam do motivo de meu casamento com Edward, e o peso disso era insuportável. O que mais me incomodava era que Edward parecia estar em seu ambiente, como se não houvesse nada de errado, como se o fato de estarmos prestes a nos casar fosse uma simples formalidade.

E então, ele apareceu. Edward estava em pé perto da janela, com aquele olhar calmo e arrogante que ele sempre tinha. Ao me ver, ele deu um sorriso quase imperceptível, como se soubesse exatamente o que eu estava sentindo, como se soubesse que eu estava prestes a sucumbir ao peso da realidade.

— Genevieve — ele disse, com sua voz carregada de provocação. — Você não parece tão feliz quanto deveria.

— E você, Blackwell? — retruquei, tentando esconder a angústia que começava a tomar conta de mim. — Não é todo dia que um duque se vê forçado a se casar com uma mulher que não deseja.

Ele deu um passo em minha direção, os olhos fixos nos meus, e por um momento, eu quase pude ver algo genuíno em seu olhar, algo que não se encaixava com o personagem que ele sempre interpretava.

— Não seja ingênua, Genevieve. Não é apenas uma questão de desejo. Às vezes, as circunstâncias nos obrigam a fazer o que precisamos, não o que queremos.

Sua resposta me fez estremecer. Não porque eu sentisse algo por ele, mas porque, de alguma forma, ele tinha razão. Ambos estávamos sendo levados por algo que não podíamos controlar. Ambos éramos prisioneiros das nossas próprias escolhas, forçados a seguir um caminho que já estava traçado para nós.

— E você acha que isso vai me fazer sentir melhor? — perguntei, tentando manter a compostura, mas a minha voz traiu meu cansaço. — Acha que essas palavras vão mudar alguma coisa?

Ele se aproximou mais, o sorriso agora mais evidente em seus lábios.

— Não, Genevieve. Não estou tentando fazer você se sentir melhor. Estou tentando fazer você entender que não somos tão diferentes quanto pensa. Nós dois temos algo a perder, e é por isso que estamos aqui.

Aquelas palavras ficaram reverberando em minha mente por horas. Ele estava certo, em parte. A pressão sobre mim era imensa, e o casamento parecia ser o único caminho possível para escapar de um escândalo ainda maior. Mas, ao mesmo tempo, a ideia de me casar com alguém que, até pouco tempo atrás, eu considerava um inimigo, parecia surreal. Como seria possível conviver com alguém tão imaturo, tão provocador, e ao mesmo tempo tão… encantador?

O banquete aconteceu em meio a um turbilhão de risos forçados e olhares curiosos. Eu mal conseguia prestar atenção no que acontecia ao meu redor. As palavras de Edward ainda estavam frescas em minha mente, e eu me perguntava se ele realmente entendia o peso do que estava prestes a acontecer. Será que ele sabia que, por mais que estivéssemos nos casando por motivos práticos, por mais que fosse apenas uma conveniência social, aquilo mudaria tudo?

O que ele não sabia, no entanto, era que ele havia se tornado, de alguma forma, um obstáculo em meu caminho. Mas também, quem eu estava tentando enganar? Eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, ele seria o único que poderia me ajudar a atravessar esse abismo que se abria à minha frente.

Eu não sabia o que o futuro nos reservava, mas sabia que minha vida, de agora em diante, estaria irrevogavelmente ligada a Edward Blackwell. O que fosse acontecer, aconteceria porque o destino, com todas as suas ironias, assim o quis.

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