Genevieve Ashford
O jantar daquela noite foi uma verdadeira tortura.
Minha mãe, em sua tentativa constante de me lançar na "temporada", tinha convidado um número considerável de jovens solteiros, e com eles, uma infinidade de conversas vazias sobre os últimos bailes e vestidos que estavam na moda. Eu não conseguia me concentrar em nenhuma delas. As palavras soavam como um turbilhão distante, enquanto minha mente estava ocupada com uma única pessoa: Edward Blackwell.
Depois do nosso último encontro no jardim, ele não havia me procurado, mas não conseguia evitar o pensamento de que ele estava, de alguma forma, sempre ao meu redor. Seus olhos, seu sorriso provocador, as palavras que ele dizia com tanta facilidade… Como ele conseguia fazer meu coração bater mais rápido, mesmo quando tentava me convencer de que o desprezava?
Eu estava sozinha na sala de estar, tentando evitar mais um desses longos momentos de cortejo onde as mulheres pareciam competir umas com as outras pela atenção dos homens. Naquele momento, um rosto familiar apareceu na porta. Eu sabia quem era antes mesmo de vê-lo completamente.
Edward.
Ele estava com o olhar atento, os olhos brilhando com a certeza de sua presença. Seu sorriso travesso foi o suficiente para fazer uma onda de frustração me invadir. Eu me virei, deliberadamente não lhe dando atenção, e me concentrei na taça de vinho que estava em minhas mãos, como se fosse minha salvação.
— Genevieve. — A voz dele cortou o ar, e senti a tensão crescer instantaneamente. Ele não era apenas alguém que procurava chamar minha atenção. Ele era um homem que sabia como mexer com minhas emoções, como fazer meu coração acelerar e, ao mesmo tempo, me deixar em um estado de pura agonia.
— Lord Blackwell — respondi, tentando manter o tom cortante que ele parecia gostar. Mas, como sempre, ele não se intimidou.
Ele se aproximou lentamente, seu olhar fixo em mim. Eu sabia o que estava fazendo. Estava me provocando, como sempre, e eu odiava a forma como sua simples presença me fazia sentir vulnerável.
— Não me diga que ainda está tentando se convencer de que não se importa com minha presença, Genevieve. — Ele deu um passo mais perto, e eu quase senti o calor de seu corpo irradiando, embora a distância física entre nós fosse pequena.
Eu dei um sorriso, mas não era um sorriso genuíno. Era um sorriso de desafio, uma maneira de tentar recuperar o controle da situação.
— Eu não me importo, milorde — disse, mais forte do que eu realmente sentia. — Se sua intenção é me enervar, está alcançando seu objetivo.
Ele riu, aquele riso insolente que sempre parecia encher o ambiente com uma energia imprevisível. Quando ele se inclinou ligeiramente para frente, senti meu corpo se tensionar, como se estivesse prestes a pular de um penhasco.
— Você diz que não se importa, mas, de alguma forma, sempre que estou perto de você, vejo esse brilho nos seus olhos, como se algo mais estivesse acontecendo. Algo que você não quer admitir. — Ele falou com um tom de voz que soava tão próximo da provocação quanto da verdade.
Eu fechei os olhos por um segundo, tentando ignorar o peso das palavras dele. Como ele conseguia ser tão persuasivo, tão… encantador? Cada palavra que ele dizia tinha a capacidade de me deixar sem palavras, mas eu não queria ceder. Não queria ser mais uma mulher que caía aos pés dele. Não quando sabia o tipo de homem que ele era.
— Não sei do que está falando, milorde. — Minha voz estava mais firme agora, mas o desconforto ainda se fazia presente. — Talvez seja você que está vendo coisas que não existem.
Ele deu uma risada baixa, mas não desanimou. Estava claro para ele que algo estava mudando dentro de mim. E ele adorava isso.
— Oh, eu sei muito bem o que vejo, Genevieve. — Ele fez uma pausa, como se estivesse se divertindo com o jogo. — E, por mais que tente esconder, seus olhos dizem tudo.
Foi então que uma corrente elétrica de frustração me atingiu. Por um momento, esqueci todas as palavras afiadas que eu planejava dizer. Ele me provocava com tanta naturalidade que fiquei sem ação, presa em sua manipulação silenciosa.
— Não sei por que insiste nesse jogo, Lord Blackwell. — Eu respirei fundo, tentando recuperar o controle. — Eu não sou como as outras mulheres que se encantam com seus encantos e joguinhos. Não cairei nas suas armadilhas.
Ele deu um pequeno sorriso, quase desafiador. E, antes que eu pudesse impedir, ele se aproximou ainda mais, tão perto que pude sentir a intensidade de sua presença.
— Talvez você não perceba, Genevieve, mas já está em uma armadilha. E a pior parte é que você não quer sair dela. — Sua voz estava baixa, com um toque de provocação que me fez arrepiar, mas eu não cedi.
Me afastei um passo, tentando escapar de sua proximidade, mas ele não me deixou. Suas palavras ressoaram em minha mente. O que ele queria dizer com aquilo? Eu estava em uma armadilha… ou era ele quem estava me manipulando, jogando com meus sentimentos sem que eu pudesse ver claramente?
— Você realmente acha que sou tão fácil, milorde? — A pergunta saiu de minha boca sem que eu tivesse controle sobre ela. Eu não deveria dar-lhe esse poder, mas a curiosidade, e talvez até o medo de estar perdendo alguma parte de mim, me fez perguntar.
Ele olhou para mim com um sorriso que não era de arrogância, mas de pura satisfação.
— Não, Genevieve. Você não é fácil. E é exatamente isso que me atrai. O fato de que você tenta resistir a tudo isso, mesmo sabendo que, no fundo, já está cativada.
Eu não sabia o que mais responder. Ele estava certo em algumas coisas, mas a última coisa que eu faria seria admitir isso. Não na frente dele.
Mas, enquanto ele se afastava, deixando um rastro de desafiadora tranquilidade em sua jornada, uma parte de mim sabia que ele estava certo. Eu estava sendo arrastada por esse jogo, e, mais cedo ou mais tarde, não haveria mais como negar.
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Atualizado até capítulo 30
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