Natalie Ramos
Eu acordei com a luz do sol invadindo o quarto, filtrada pelas cortinas finas de linho. O quarto de hóspedes da casa de Ethan era enorme, luxuoso, e ainda assim, de alguma forma, frio e distante. Tentei não pensar demais nisso, mas a realidade da minha situação sempre me acertava em cheio logo ao despertar. Hoje era o dia dos primeiros exames importantes. O dia em que tudo começaria de verdade.
Eu me levantei da cama e vesti um dos trajes formais que Ethan havia me dado. Não queria parecer uma visitante casual ou alguém fora do seu lugar. Aqui, tudo tinha que seguir uma certa formalidade. Essa era a maneira de Ethan controlar as coisas, ou pelo menos era o que eu achava.
Enquanto me arrumava, minha mente estava a mil. As noites anteriores foram cheias de pensamentos inquietos, o que se refletia nas olheiras que eu tentava disfarçar. O peso do que estava por vir era avassalador. Eu estava prestes a me submeter a um processo que alteraria não apenas meu corpo, mas minha vida inteira. Me perguntava se estava realmente preparada para isso. Cada vez mais, sentia que não era apenas uma questão de "dinheiro em troca de um filho". As consequências desse acordo seriam muito maiores do que eu tinha imaginado.
Assim que desci as escadas e entrei na cozinha, fui recebida por um silêncio confortável. As empregadas já haviam preparado o café da manhã, e Ethan estava sentado à mesa, como sempre, lendo um jornal. Ele não olhou para mim de imediato, mas eu sabia que ele estava ciente da minha presença. Ele sempre estava ciente de tudo ao seu redor.
Sentei-me à mesa e peguei uma xícara de café, tentando ignorar o desconforto crescente no fundo do meu estômago. Ethan finalmente baixou o jornal e olhou para mim, com aquele olhar indecifrável.
— Está pronta para hoje? — ele perguntou, a voz baixa, mas firme.
Engoli em seco antes de responder.
— Estou. Os médicos me instruíram bem sobre o que esperar. — Dei de ombros, tentando parecer mais tranquila do que me sentia de verdade.
Ele assentiu, mas não disse mais nada. Ethan continuou a me observar por alguns segundos, como se estivesse tentando ler algo além das minhas palavras. A tensão entre nós era palpável, um misto de distância e proximidade que eu ainda não conseguia entender completamente. Ele sempre tinha essa postura impassível, como se nada o atingisse, mas havia momentos – breves, quase imperceptíveis – em que eu podia jurar que havia algo mais por trás de seus olhos frios.
— Ótimo — ele finalmente disse, quebrando o silêncio, mas sem muita emoção. — Depois do exame, vou precisar conversar com você sobre alguns ajustes no contrato. Detalhes menores, mas importantes.
Essa era a forma de Ethan operar. Sempre meticuloso, sempre com o controle absoluto. Eu sabia que os "detalhes menores" não seriam tão simples assim. Algo nele me dizia que Ethan estava mais envolvido nessa situação do que queria admitir. Ou talvez eu estivesse apenas projetando meus próprios medos e incertezas.
Terminamos o café da manhã em silêncio. Eu não estava pronta para aquela conversa, não depois do que estava prestes a enfrentar hoje. Mas Ethan não era do tipo que adiava as coisas. Assim que ele terminava de falar, não restava muito espaço para discussão. Ele levantou-se, ajeitou o terno impecável e anunciou:
— Te encontro na clínica. O motorista vai te levar.
Assenti sem olhar diretamente para ele. Estava nervosa demais para tentar decifrar o que ele poderia estar pensando. Levantei-me pouco depois dele, meu coração batendo mais rápido a cada passo que eu dava em direção à porta.
**
O trajeto até a clínica foi silencioso. O motorista, sempre discreto, não disse uma palavra além de um "bom dia" educado. Olhei pela janela, as ruas movimentadas de Nova York passando por mim como um borrão. Era difícil acreditar que minha vida havia chegado a esse ponto. Alguns meses atrás, eu jamais teria imaginado estar em uma situação assim – envolvida com um homem poderoso, em um acordo que parecia mais frio e calculado do que qualquer outra coisa.
Ao chegar à clínica, fui recebida por uma enfermeira simpática que me levou diretamente à sala de exames. O ambiente clínico e estéril só aumentava meu nervosismo. Sentei-me na cadeira, esperando que os médicos chegassem, enquanto tentava acalmar minha mente.
Alguns minutos depois, o Dr. Collins, o especialista responsável por todo o processo, entrou na sala. Ele era um homem calmo, com uma aura tranquilizadora, o que ajudava a amenizar um pouco minha ansiedade.
— Natalie, tudo pronto? — ele perguntou com um sorriso gentil, enquanto preparava os instrumentos médicos.
Assenti, tentando controlar o nervosismo que parecia crescer a cada segundo.
O exame em si foi mais rápido do que eu imaginava, mas as emoções envolvidas eram esmagadoras. O médico me explicou os próximos passos, o processo que seguiríamos a partir dali. Mas tudo soava distante para mim. Minha mente vagava, voltando sempre à mesma pergunta: como seria daqui para frente?
Quando tudo terminou, senti um alívio físico, mas minha mente continuava agitada. Ao sair da sala de exames, encontrei Ethan no corredor, esperando por mim com a mesma postura impenetrável de sempre.
— Tudo correu bem? — ele perguntou, com aquela voz firme e inabalável.
— Sim — respondi, sem saber ao certo o que mais dizer.
Ele olhou para mim por um momento, e pela primeira vez desde que tudo isso começou, senti que talvez estivesse tão perdido quanto eu, embora ele jamais admitisse isso.
— Ótimo. Agora vamos para a próxima etapa — disse Ethan, com um leve aceno para a saída.
E, enquanto caminhávamos juntos, senti que o verdadeiro desafio estava apenas começando.
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Atualizado até capítulo 104
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