Ethan Black olhava para a cidade através das janelas de vidro de sua cobertura. A vista era impressionante, mas ele não prestava atenção nos prédios que se estendiam até o horizonte ou nas luzes que começavam a acender com o cair da noite. Seus pensamentos estavam em outro lugar, especificamente na mulher que havia saído do seu escritório horas atrás.
Natalie Ramos.
Ele havia observado cada movimento dela enquanto ela lia o contrato, as emoções refletindo em seu rosto de forma sutil, mas perceptível. Não era surpresa que ela estivesse hesitante. O que ele estava propondo não era algo que qualquer pessoa aceitaria facilmente. Ainda assim, ele precisava que fosse assim. Tudo precisava ser controlado, planejado, sem espaço para surpresas emocionais.
Ethan era um homem de negócios. Tudo na sua vida seguia uma lógica de investimento e retorno. Ele já havia experimentado o caos que os relacionamentos podiam trazer, o descontrole emocional que podia arruinar até mesmo o homem mais calculista. E depois de tantas decepções, tantas tentativas falhas de manter algo duradouro, ele chegou à conclusão de que era melhor evitar completamente o problema. O amor era uma distração perigosa, e ele não estava disposto a pagar o preço de novo.
Agora, ele só queria um herdeiro. Alguém para continuar seu legado, para receber tudo o que ele havia construído com tanto esforço. Um filho o ligaria ao futuro, de uma maneira que nada mais poderia. Mas a questão era como ter isso sem o envolvimento emocional que normalmente vinha com um relacionamento. A resposta foi clara: um acordo.
E então Natalie apareceu.
Ele havia feito sua pesquisa sobre ela. Sabia que era uma mulher determinada, trabalhadora, e que a crise financeira a havia forçado a tomar decisões difíceis. Ethan reconhecia a força que ela tinha para fazer o que fosse necessário para proteger a sua família. Essa mesma determinação era o que ele respeitava e, de certa forma, admirava. Ela seria a mãe ideal para seu filho, e a beleza dela era um bônus, não que isso importasse para o acordo.
No entanto, durante a reunião, algo o incomodou. Havia um momento em que ela o olhou com olhos que não eram de uma mulher desesperada por dinheiro, mas de alguém tentando entender o homem por trás do contrato. Aquele olhar o desarmou por um breve segundo, algo que ele odiava sentir. Ethan sempre gostou de ter o controle, e aquela troca silenciosa de emoções era exatamente o que ele tentava evitar.
Ele afastou esses pensamentos, lembrando-se de que aquilo era um negócio. Natalie tinha total liberdade para recusar, mas ele sabia que ela não recusaria. O dinheiro resolveria muitos dos problemas dela, e a oportunidade era uma que poucas pessoas rejeitariam.
O som de seu celular vibrando o tirou de seus devaneios. Ele pegou o aparelho e olhou o nome no visor: William Black. Seu pai.
Ethan hesitou antes de atender, mas, com um suspiro, finalmente deslizou o dedo pela tela.
— Pai, o que houve? — sua voz saiu com um tom de cansaço que ele não conseguiu evitar.
— Não posso ligar para o meu próprio filho sem motivo? — A voz de William Black soou grave, mas havia um toque de sarcasmo. — Ou você anda ocupado demais para atender?
Ethan reprimiu um suspiro. A relação com seu pai nunca havia sido fácil, e as expectativas desumanas que William sempre teve sobre ele tornavam as coisas ainda piores.
— Apenas estou no meio de um processo importante — disse Ethan, sua resposta breve.
— Ah, o tal "processo importante" — William fez uma pausa. — Isso tem a ver com essa mulher que você está contratando?
Ethan ficou em silêncio por um momento. Ele não devia ter ficado surpreso. William Black sempre soube de tudo o que acontecia na vida do filho, mesmo sem Ethan compartilhar os detalhes. O velho tinha contatos em todos os lugares.
— Sim — ele respondeu, seco.
— Espero que você saiba o que está fazendo. — O tom do pai era cauteloso, mas havia um certo desprezo subjacente. — Não preciso te lembrar o quanto você pode perder se algo der errado.
Ethan sentiu a raiva começar a borbulhar sob a superfície, mas a manteve sob controle. Era típico do seu pai tratar tudo na vida como se fosse uma transação. Talvez fosse daí que ele mesmo tivesse aprendido.
— Sei exatamente o que estou fazendo. Está tudo sob controle.
William deu uma risada curta.
— Controle? — O tom era desdenhoso. — Você acha que pode controlar algo como criar um filho, Ethan? Você não pode assinar um contrato com a vida.
— Isso não é da sua conta — Ethan rebateu, mantendo a voz firme, mas sentiu o incômodo crescendo dentro de si.
— Apenas lembre-se — a voz de William ficou mais séria —, você já perdeu o controle antes. E as consequências foram catastróficas.
Ethan apertou o punho ao lado do corpo, uma sombra de memória passando por seus pensamentos, mas ele rapidamente empurrou aquilo de volta para as profundezas da sua mente.
— Eu aprendi com os erros, pai. Não cometerei os mesmos novamente.
William fez um som de concordância, mas não parecia convencido.
— Espero que sim. — Houve uma pausa, e então William mudou o tom. — E quanto ao legado da família, Ethan? Você realmente acha que pode manter tudo sozinho? Um herdeiro é uma solução, mas um herdeiro precisa de mais do que dinheiro para ser moldado.
Ethan sabia onde seu pai queria chegar. William acreditava que a verdadeira força vinha da criação de uma dinastia familiar. O filho de Ethan precisaria ser moldado, preparado, e isso envolvia muito mais do que ele estava disposto a discutir naquele momento.
— Tenho que ir — Ethan encerrou a conversa abruptamente. — Te ligo depois.
Sem esperar por uma resposta, ele desligou a chamada. Deixou o celular de lado e voltou a olhar pela janela, mas sua mente estava longe da cidade agora.
As palavras de seu pai ecoavam em sua cabeça, mas ele as afastava. Ele havia tomado suas decisões. Natalie assinaria o contrato. Eles teriam um filho, e ele garantiria que nada fugisse do planejado. Afinal, ele havia criado uma vida de sucesso exatamente assim: calculando cada passo, eliminando riscos, controlando tudo ao seu redor.
Mas, enquanto a noite caía, uma pequena voz no fundo de sua mente sussurrava uma verdade incômoda que ele ainda não estava pronto para enfrentar: o controle que ele tanto prezava já estava começando a escapar de suas mãos.
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Atualizado até capítulo 104
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