A luz fluorescente do hospital era fria e implacável, fazendo meu coração acelerar assim que eu entrei no corredor. O cheiro de desinfetante pairava no ar, uma lembrança constante de que aquele lugar não era o mais acolhedor. Apesar do conforto das paredes brancas e dos móveis novos, a atmosfera era pesada, cheia de sussurros e olhares preocupados.
Caminhei apressada, o eco dos meus passos se misturando ao murmúrio distante de conversas e ao som ocasional de uma porta se fechando. Cada vez que eu visitava minha mãe, a ansiedade me acompanhava como uma sombra. Eu queria tanto que ela estivesse bem, que fosse como antes, mas sabia que as coisas nunca mais seriam as mesmas.
Quando cheguei à sala 304, parei por um momento para respirar fundo. As mãos suavam, e eu passei a palma pela calça jeans, tentando me acalmar. A última coisa que eu queria era que ela visse meu desespero. Empurrei a porta com um leve ranger e entrei.
A visão da minha mãe deitada na cama me acertou como um soco no estômago. Ela parecia tão frágil, com os cabelos bagunçados e pálidos, os tubos conectando-a a máquinas que faziam barulhos inquietantes. Meu coração disparou, mas tentei sorrir, mesmo que o gesto parecesse um esforço.
— Oi, mãe! — disse, forçando um tom animado. — Como você está se sentindo hoje?
Ela virou a cabeça lentamente, seus olhos se iluminando ao me ver. Mesmo com toda a fraqueza, havia um brilho familiar que me deu um pouco de esperança.
— Natalie, querida... — ela respondeu, sua voz baixa e suave, mas havia uma alegria em seu tom que me fez sentir um calor reconfortante. — Eu estou aqui. Isso é o que importa, não é?
Sentei-me na cadeira ao lado da cama, segurando sua mão delicadamente. O toque era quente, e eu fechei os olhos por um momento, agradecendo por ainda a ter comigo.
— Sim, isso é o mais importante — concordei, olhando para ela. — Mas eu quero saber como você realmente está. O médico disse algo novo?
Ela balançou a cabeça, sua expressão se tornando séria.
— Eles estão tentando ajustar minha medicação, mas eu me sinto tão cansada. Às vezes, é difícil até mesmo manter os olhos abertos.
Aquelas palavras cortaram meu coração. Eu sabia que a situação não era fácil para ela, e ver minha mãe sofrer era uma das coisas mais difíceis que já enfrentei. Lutei contra as lágrimas que ameaçavam escapar, mas não consegui evitar.
— Mãe, eu... — comecei, mas a voz falhou. Era como se eu estivesse presa em um mar de emoções, incapaz de me expressar da forma que desejava. — Eu sinto tanto por tudo isso. Queria que as coisas fossem diferentes.
Ela apertou minha mão, trazendo um sorriso suave ao seu rosto.
— Não se preocupe, querida. Eu sempre vou lutar. E você também precisa lutar. Por você e pelo seu futuro.
A menção do futuro me fez pensar em Ethan. A vida com ele era complicada, cheia de emoções conflitantes, mas também havia uma centelha de esperança. Eu estava construindo algo, mesmo que não soubesse exatamente o que era. E agora, ouvir minha mãe me incentivando a lutar apenas tornava as coisas mais intensas.
— Eu tenho lutado, mãe — respondi, tentando me manter firme. — Estou trabalhando em um projeto com Ethan. Não é exatamente o que eu esperava, mas... está me levando a um lugar diferente. Um lugar onde eu posso construir um futuro.
A expressão dela mudou, a curiosidade surgindo em seus olhos.
— Ethan... você fala dele com frequência. Ele é bom para você?
Senti uma onda de calor nas bochechas, mas não era apenas vergonha. Era a mistura de sentimentos que eu tinha por Ethan. Ele era difícil, teimoso, e, muitas vezes, confuso, mas também era intenso e protetor.
— Sim, ele é. Mas tem sido um desafio — admiti, lembrando das conversas acaloradas e da dinâmica complexa que tínhamos. — Ele tem suas próprias lutas, e muitas vezes é difícil fazer com que ele se abra.
Minha mãe assentiu, compreendendo a complexidade da situação.
— O amor nunca é fácil, Natalie. Se fosse, não teria tanto valor. — Ela me olhou com profundidade. — E você merece um amor que te complete, que te faça crescer.
As palavras dela ecoaram em minha mente. Eu sabia que estava em um caminho incerto, mas também sentia que havia algo de verdadeiro ali. Ethan estava se abrindo, mesmo que lentamente, e, apesar de todas as barreiras, havia uma conexão que não conseguia ignorar.
— Espero que sim, mãe. Estou tentando. — Eu sorri, tentando parecer mais confiante do que me sentia. — Mas você precisa ficar melhor para me ajudar com isso, ok?
Ela riu suavemente, o som delicado e bonito, como a música que eu não ouvia há tempos.
— Eu prometo que farei o meu melhor. Você sempre foi minha guerreira, Natalie. Agora é a sua vez de ser forte.
A conversa se desenrolou entre risos e lágrimas, e, enquanto compartilhávamos memórias, eu sentia que havia algo poderoso no ato de estar juntas. A fraqueza dela era um lembrete do que estava em jogo, e eu queria que ela soubesse que, apesar das dificuldades, eu estava decidida a lutar. Não apenas por mim, mas por nós duas.
Quando chegou a hora de ir, relutantemente me despedi. Antes de sair, olhei para minha mãe uma última vez e fiz uma promessa silenciosa a mim mesma: não apenas lutar por ela, mas também por mim e pelo futuro que eu desejava construir.
— Eu estarei de volta amanhã, mãe. E quero ouvir mais sobre as histórias da nossa família. Tem tanto para compartilhar!
Ela sorriu e acenou com a cabeça, o semblante dela cheio de amor e esperança. Aquelas palavras estavam gravadas em meu coração. Assim que deixei o hospital, uma determinação renovada tomou conta de mim. Havia desafios pela frente, mas eu não estava sozinha nessa batalha. E, enquanto caminhava pelo estacionamento, a brisa fresca da noite me envolvia, eu sabia que precisava ser forte. Para minha mãe, para Ethan, e, acima de tudo, para o filho que eu estava prestes a trazer ao mundo.
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Atualizado até capítulo 104
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