Ethan Black
Eu fechei o relatório e joguei o telefone sobre a mesa, sentindo o peso de tudo que estava por vir. Não era apenas o fato de Natalie estar em perfeitas condições para a fertilização. Isso era o que eu esperava, o que precisava acontecer. O problema era o que eu não esperava — essa sensação incômoda de que algo dentro de mim estava mudando.
Eu sempre fui bom em manter controle. Controle sobre meus negócios, sobre minhas emoções, sobre tudo que me rodeava. Mas Natalie, de algum jeito, estava desafiando isso. E eu não sabia se estava preparado para lidar com as consequências desse descontrole.
Minha vida tinha sido perfeitamente organizada até agora. Eu construí uma fortaleza ao meu redor, uma barreira intransponível que me protegia de qualquer envolvimento emocional. E era assim que eu queria manter as coisas. O contrato com Natalie era apenas um meio para um fim. Ela era essencial para garantir que meu legado continuasse, mas além disso, não deveria significar mais nada.
Eu levantei da cadeira, me aproximando da janela do escritório, observando o horizonte. A noite estava caindo, e as luzes da cidade começavam a se acender lá fora. Por um momento, pensei em meu pai, no peso de seu legado que carregava sobre meus ombros. Ele nunca permitiu que os sentimentos o desviassem do objetivo. E era isso que eu sempre admirei nele.
Mas agora, tudo parecia estar fora de lugar.
Natalie estava lá em cima, na casa, e, por mais que eu tentasse me convencer de que ela era apenas uma peça necessária em um jogo maior, não conseguia mais vê-la dessa maneira. Ela era real, com suas próprias dores, inseguranças, e uma força que eu não esperava encontrar.
Soltei um suspiro, fechando os olhos por um instante, tentando reordenar meus pensamentos. Este processo, desde o início, deveria ser simples. Eu pagaria por seus serviços, ela cumpriria sua parte, e, ao final, eu teria o herdeiro que tanto precisava. Mas agora, tudo estava turvo. Cada conversa com ela, cada olhar, trazia uma complexidade que eu não estava disposto a aceitar.
As memórias das desilusões que sofri no passado voltaram à tona, como fantasmas rondando minha mente. Eu não podia me permitir abrir espaço para mais decepções. Já tinha feito isso antes, e sabia o preço que paguei por isso.
Hesitei por um momento antes de pegar meu telefone novamente. Eu precisava tirar esses pensamentos da minha cabeça e focar no que importava. Disquei rapidamente o número de meu advogado, Jorge, e esperei enquanto o telefone chamava.
— Ethan, boa noite — a voz calma de Jorge atendeu do outro lado da linha. — Alguma novidade?
— Sim, sobre o contrato — comecei, tentando manter a voz firme. — Natalie passou nos exames preliminares. Está tudo pronto para seguir com o processo. Eu preciso que você revise os termos mais uma vez e me confirme que tudo está em ordem. Não podemos deixar espaço para erros.
Jorge fez uma pausa antes de responder.
— Ethan, o contrato está sólido. Todos os pontos estão amarrados. Você não precisa se preocupar com isso. Mas... isso realmente é apenas sobre o contrato? — ele perguntou, a voz carregada de uma curiosidade que ele raramente deixava transparecer.
Eu travei. Jorge era um bom advogado e, mais do que isso, conhecia-me bem demais. Ele sabia que eu raramente me preocupava com detalhes que já estavam resolvidos. Mas o fato de eu estar trazendo isso à tona agora indicava que havia algo mais me incomodando. Algo que eu não queria admitir nem para mim mesmo.
— Só faça o que estou pedindo — respondi secamente, encerrando a conversa.
Desliguei o telefone e voltei a olhar pela janela. A escuridão da noite lá fora refletia o caos que se formava dentro de mim. As paredes que eu havia construído estavam começando a se desmoronar, e a culpa disso recaía sobre uma única pessoa.
Natalie.
Eu não sabia exatamente quando isso começou. Talvez tenha sido o momento em que ela entrou pela primeira vez naquela clínica, decidida a aceitar o acordo. Ou talvez tenha sido algo mais sutil, algo que foi se construindo com cada interação, cada conversa. O fato era que ela estava começando a ocupar um espaço em minha vida que eu não planejava que ocupasse.
Mas o que mais me irritava era a forma como ela fazia isso sem esforço. Eu tinha visto mulheres tentarem manipular minhas emoções antes, usando truques ou joguinhos. Natalie não fazia nada disso. Ela apenas era. E isso, de algum modo, era ainda mais perigoso.
Eu precisava retomar o controle. Precisava lembrar-me de quem eu era e do que eu queria. Isso era um negócio, e negócios não envolvem sentimentos. O contrato entre nós era claro e direto. Assim que o herdeiro estivesse garantido, Natalie sairia da minha vida, e eu seguiria em frente.
No entanto, por mais que eu tentasse me convencer disso, a realidade era que, com cada passo que dávamos nesse processo, a linha entre o profissional e o pessoal ficava mais borrada. E isso me aterrorizava.
Com um último olhar para o horizonte, decidi que precisava de uma pausa. Talvez uma viagem de negócios fosse o que eu precisava para clarear a mente e me distanciar dessa confusão crescente. Eu pegaria o próximo voo para Nova York, me concentraria nos projetos em andamento, e deixaria que a distância me ajudasse a colocar as coisas em perspectiva.
Mas, enquanto subia as escadas para o quarto, uma parte de mim sabia que, por mais longe que eu fosse, Natalie continuaria presente, rondando meus pensamentos, desafiando meu controle.
E isso era algo que eu não sabia como enfrentar.
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Atualizado até capítulo 104
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