Natalie Ramos
Eu respirei fundo, tentando conter a mistura de nervosismo e determinação que se aglomerava em meu estômago. A casa de Ethan era deslumbrante, mas o luxo excessivo me fazia sentir uma estranha combinação de admiração e desconforto. Tudo ali parecia perfeito: os móveis de designer, as obras de arte nas paredes, a iluminação cuidadosamente planejada. Era como estar em uma revista de decoração, mas, ao mesmo tempo, eu me sentia como um intruso nesse mundo.
Ethan estava sentado em um dos sofás de couro, a expressão no rosto dele era séria, quase desinteressada, mas eu sabia que ele estava prestando atenção em cada movimento meu. Ele não era alguém fácil de ler, e isso me deixava inquieta. Eu tinha tantas perguntas, mas as palavras pareciam travadas em minha garganta.
— Natalie — ele começou, sua voz profunda cortando o silêncio. — Você disse que queria falar sobre o contrato.
Um calafrio percorreu minha espinha ao lembrar do que havia assinado. Aquelas cláusulas pareciam tão frias e distantes quando as li, mas agora, na presença dele, elas ganhavam vida de uma maneira que eu não havia antecipado. Eu queria discutir algo mais, algo que me incomodava. Mas como eu poderia, sendo apenas uma mulher que aceitou um acordo por necessidade?
— Sim, eu... eu apenas queria esclarecer algumas coisas — disse, sentando-me na ponta do sofá, a distância física entre nós me fazendo sentir mais segura. Mas ao mesmo tempo, eu queria me aproximar, entender melhor quem ele realmente era.
Ele ergueu uma sobrancelha, sua expressão indicando que estava curioso. Ethan sempre foi assim, cauteloso e perspicaz, e isso só aumentava minha ansiedade. Eu não queria parecer fraca ou confusa. Precisava ser forte, mostrar que não estava ali apenas para ser uma "incubadora", como o contrato sugeria.
— Sobre a cláusula de visitas — continuei, tentando organizar meus pensamentos. — Eu só quero garantir que... que eu tenha algum papel na vida da criança. Não estou pedindo muito, só... um pouco de participação.
Ethan me observou em silêncio por um momento que pareceu durar uma eternidade. Eu podia sentir o peso do olhar dele, como se estivesse tentando decifrar cada palavra, cada intenção que eu escondia. Sua reação era um mistério, e eu hesitava em abrir meu coração a alguém que claramente estava guardado em uma armadura emocional.
— Isso foi discutido, Natalie — ele respondeu, a voz imutável. — O contrato é claro. A criança será criada sob minha tutela, e você terá direitos de visitação.
— Mas isso não é o suficiente — retruquei, a frustração se infiltrando na minha voz. — Eu não quero ser apenas uma visitante na vida do meu filho. Isso não é justo!
— Justo? — ele questionou, inclinando-se para frente, os olhos brilhando com um desafio. — Você sabia das regras quando assinou. Isso não é uma questão de justiça; é uma questão de proteção. Minha proteção e a proteção do nosso filho.
Ele tinha razão, e isso me deixava ainda mais irritada. Eu havia assinado, e agora estava pagando o preço pela minha decisão apressada. Mas, por outro lado, algo dentro de mim se rebelava contra a ideia de ser apenas uma figura secundária na vida do meu próprio filho. A vida me ensinou a lutar pelo que era meu, e isso não estava apenas nas minhas mãos; era uma questão de família.
— E quanto a nós? — perguntei, sem saber se realmente queria ouvir a resposta. — O que você espera que eu faça, além de... de ser uma mãe?
Ele hesitou por um instante, e eu percebi que havia quebrado uma barreira, mesmo que mínima. Mas ainda não era o suficiente para desarmá-lo.
— Este não é o nosso relacionamento — disse ele, a voz firme. — Nós somos parceiros neste acordo, nada mais.
Aquelas palavras me atingiram como uma bolada de gelo. O que eu esperava? Que ele tivesse uma epifania e percebesse que o que estávamos construindo ia além de um simples contrato? Era ridículo, mas algo em mim ansiava por uma conexão maior, por um vislumbre da vulnerabilidade que eu sabia que ele escondia.
— Mas eu não posso fazer isso — eu disse, a frustração evidente na minha voz. — Não posso simplesmente entrar em um acordo e ignorar os sentimentos envolvidos.
Ele arqueou uma sobrancelha, seu olhar intensificando-se. — Você acha que não existe sentimento nesse tipo de acordo?
Eu balancei a cabeça, confusa. Ele estava sendo irônico ou sério? Havia um tom de desafio em sua pergunta, como se estivesse me instigando a ver as coisas do seu ponto de vista. E, de repente, percebi que o que estava sendo proposto ia além da mera concepção de uma criança. Havia emoção envolvida, não importa quão fria a situação parecesse.
— Você não pode negar que há algo mais aqui — continuei, determinada a não recuar. — Nós dois temos nossas histórias, nossas cicatrizes. Você pode tentar manter as coisas simples, mas isso não vai funcionar.
— E o que você sugere? — perguntou ele, seu tom desafiador voltando. — Que eu me abra e me exponha a você?
A pergunta dele me pegou de surpresa, e eu hesitei. Eu não esperava que ele me desse a oportunidade de argumentar. Havia um jogo de poder, e eu não queria perder.
— Se quisermos fazer isso dar certo, talvez precisemos ser um pouco mais honestos um com o outro — respondi, tentando encontrar um meio-termo. — Você está tão focado em manter o controle, mas a verdade é que isso pode complicar tudo.
O olhar de Ethan se suavizou por um breve momento, mas logo voltou à sua expressão séria. Ele se recuou, como se estivesse se preparando para uma batalha. Ele estava sempre em modo de defesa, e isso me deixava frustrada.
— Honestidade não é um problema, Natalie — disse ele, a voz ainda imperturbável. — Mas você precisa entender que isso é um negócio para mim. É assim que eu opero. E você precisa se manter dentro dos limites que estabelecemos.
Ele estava certo sobre uma coisa: tudo ali era um grande negócio, um jogo de interesses. E eu havia sido tão tola ao pensar que poderia simplesmente entrar em cena e mudar as regras. Mas não estava disposta a desistir sem lutar.
— Então, vamos fazer isso — desafiei, meu coração acelerado. — Vamos manter o negócio, mas ainda assim precisamos ser humanos um com o outro.
Ethan me observou em silêncio, a tensão entre nós palpável. A discussão não estava se resolvendo, mas algo em mim se sentia mais forte. Era a primeira vez que eu me atrevia a desafiá-lo, a recusar a ideia de ser apenas uma peça em seu jogo.
— Se você quer continuar nesse caminho — ele finalmente disse, com a voz mais baixa, mas ainda firme — esteja preparada para as consequências.
— Estarei — respondi, determinada. E, por dentro, eu sabia que esse era apenas o começo de uma luta muito maior do que eu havia imaginado.
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Atualizado até capítulo 104
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