Quando se acomodaram no sofá, Berenice começou a desabafar, seu semblante misturando frustração e mágoa. A cada frase, ela se colocava como vítima, insistindo em como sempre fora dedicada ao marido, ressaltando o quanto o amava e como jamais imaginara ser o centro de um escândalo. María Alice, paciente como nunca pensou ser capaz, ouvia atenta, fingindo compreender cada detalhe da situação.
— Mas como isso foi acontecer? Quem poderia querer te prejudicar? Você é uma pessoa tão boa... — comentou María Alice, olhando-a com preocupação.
— Eu não sei, amiga! Sempre batalhei tanto para crescer por mérito próprio, e agora isso! Fizeram uma montagem grotesca e espalharam nas revistas de fofoca, dizendo que dormi com um diretor para conseguir um papel. — Berenice mal conseguia segurar as lágrimas, que deslizavam incessantes pelo rosto.
— A verdade vai aparecer, pode confiar. Eu, como sua amiga, estarei ao seu lado em cada momento — garantiu María Alice, apertando suavemente a mão de Berenice.
Sentindo-se um pouco mais tranquila, Berenice esboçou um leve sorriso. Secou as lágrimas e sugeriu que mudassem de assunto, comentando que o tema estava se tornando pesado demais.
Nesse instante, a campainha tocou. Uma das empregadas rapidamente atendeu e, após alguns minutos, voltou com um envelope, que entregou a Berenice antes de se retirar. Com expressão apreensiva, Berenice abriu o envelope, e seu rosto empalideceu ao ler o conteúdo.
— O que houve, Berenice? Está tudo bem? — perguntou María Alice, ao notar a expressão abalada da amiga.
— São algumas dívidas no banco. Chegaram em um momento péssimo, mas... eu vou resolver, não se preocupe — respondeu Berenice, tentando disfarçar o nervosismo enquanto colocava o envelope de lado. — E então, não falamos sobre você. Como têm sido esses dias em São Paulo? — perguntou, curiosa para saber até onde ia o conhecimento de María Alice.
— Ah, nada de mais, só trabalho. Dona Helena até me ligou esses dias, mas acredita que nem tempo de responder eu tive? — respondeu María Alice com um sorriso exausto.
— Ela comentou algo sobre o Gustavo com você? — perguntou Berenice, interessada.
— Não, não tivemos chance de falar sobre isso... Mas é um capítulo encerrado, não é? Já aceitei que ele não está mais entre nós. Só posso seguir em frente. — María Alice soltou um longo suspiro, deixando transparecer a melancolia de suas palavras.
— Você é uma mulher forte, e sabe que pode contar comigo sempre, não é? — disse Berenice, com um tom de falsa compaixão.
Conversaram mais um pouco, até que María Alice, alegando uma desculpa, se despediu com um abraço afetuoso.
— Não se esqueça de vir na minha inauguração. Vão ter muitos famosos; quem sabe você não consegue melhorar sua imagem na mídia — sugeriu María Alice, afastando-se do abraço, com um tom amigável.
— Muito obrigada, você é a melhor amiga que eu poderia ter — disse Berenice, forçando um sorriso.
— Não, você que é! — corrigiu María Alice, sorrindo de volta. — Ah, e não esqueça que é uma festa à fantasia; escolha algo bem chamativo, para ser o centro das atenções — completou, piscando para Berenice antes de sair.
Berenice ficou olhando a porta se fechar, perdida em pensamentos, enquanto tentava digerir os conselhos e intenções da amiga. Sentia-se aliviada por María Alice não saber que Gustavo estava vivo, mas sabia que, cedo ou tarde, eles poderiam se encontrar. Refletiu que, se conseguisse sabotar a filial da empresa de María Alice, ela voltaria para Nova York, e sua mentira jamais seria descoberta.
Já María Alice, ao chegar em casa, foi recebida pelos olhares curiosos de Gustavo e Bernardo, que pareciam conversar sobre algo. Na verdade, Gustavo tentava entender o que Bernardo dizia na língua de sinais, repetindo com esforço. Ao vê-la, eles interromperam a conversa, e Bernardo gesticulou perguntando, com humor, "como tinha sido no ninho da cobra" e Maria Alice fez uma expressão de nojo.
— Foi horrível! Senti vontade de estrangulá-la, mas consegui manter a calma — disse María Alice, retribuindo o beijo e colocando a bolsa na mesinha de centro.
— Nós preparamos o jantar; venha, conte tudo enquanto jantamos — pediu Gustavo, aproximando-se para beijá-la.
— Você pode desistir se quiser, se isso estiver te fazendo mal — disse Gustavo, preocupado.
— Não, ela vai pagar cada centavo pelo que nos fez sofrer, e esse é só o começo — respondeu María Alice, com um olhar decidido.
Bernardo, em libras, gesticulou que ajudaria no que fosse preciso, e María Alice respondeu que não queria colocá-lo naquela confusão, mas agradecia a disposição.
Ainda inconformado, Bernardo acompanhou os pais até a mesa, e enquanto jantavam, ela contou tudo o que tinha acontecido na breve visita a Berenice, especialmente o fato de que Berenice não desconfiava que María Alice já conhecia toda a verdade, o que os deixava sempre um passo à frente.
— Imagino que ela vá tentar alguma coisa para te mandar de volta ao exterior e dificultar nosso encontro — comentou Gustavo, enquanto comiam a sobremesa.
— Com certeza, mas já estamos cientes disso; então, será fácil contornar qualquer armadilha que ela tente montar — disse María Alice, sorrindo. — E agora, todos vão ajudar a lavar a louça, hein? — completou, brincando, enquanto gesticulava para Bernardo.
Ele fez uma cara de frustração, mas logo sorriu, pegando seu prato e levando-o até a cozinha. Gustavo e María Alice foram logo atrás e, com a ajuda dos três, a limpeza foi rápida. Bernardo, depois de tudo, gesticulou desejando boa noite e foi para o quarto dormir, enquanto María Alice e Gustavo foram para o deles.
— Preciso de um bom banho — disse María Alice, tirando a camisa enquanto entrava no banheiro.
— Falou em banho? Eu também quero — brincou Gustavo, abraçando-a por trás e beijando-lhe o pescoço.
— Você está bem safado, hein? — riu María Alice, sorrindo.
— Foram 18 anos sem você nos meus braços. Eu quase virei um monge, sabia? Não acha que mereço uma recompensa? Tipo fazer sexo até não aguentar mais? — sugeriu Gustavo, com um tom de brincadeira, enquanto acariciava o corpo dela.
— Claro que merece, meu monge — disse María Alice, com a voz rouca de prazer.
— Ótimo, então vamos começar agora... — disse ele, percorrendo com as mãos o corpo de María Alice, enquanto tirava sua saia e a envolvia em seus braços...
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Atualizado até capítulo 63
Comments
Vera Lucia Ribeiro De Carvalho
muito espertas Chloe, e Maria Alice, dando o troco com classe e assistindo de camarote
2025-03-01
3
marciamattos mattos
estou ansiosa para ver o que a Maria Alice vai fazer com essa cobra
2025-03-04
0
Fatima Gonçalves
gente é BRABO
2024-11-09
1