Chegando a São Paulo, rapidamente alugaram um apartamento. Por sorte, conseguiram unidades no mesmo prédio, com apenas um andar de diferença. Bernardo e Michael foram os mais entusiasmados, já que poderiam se encontrar facilmente e explorar a cidade juntos sempre que quisessem.
O tempo passou depressa, e, quando perceberam, já havia se passado um mês. Entre negociações e passeios para conhecer os principais pontos da cidade, todos aproveitaram ao máximo. Para comemorar o avanço da abertura da nova filial, que estava prestes a ser concluída, Maria Alice preparou um jantar especial.
Sentados à mesa, conversavam animadamente sobre o futuro e a agitação da cidade, apesar do caos e da violência que ainda persistiam em algumas áreas.
— Mamãe, titia, papai! Eu e o Bernardo temos algo importante para conversar com vocês — disse Michael, chamando a atenção de todos à mesa.
— Fizemos algumas provas de vestibular em segredo e estamos esperando o resultado. Queremos ficar aqui por alguns anos, pelo menos até nos formarmos — acrescentou Bernardo, comunicando-se em libras.
— Mas, filho, há universidades de renome no exterior. Por que essa escolha? — questionou Maria Alice, também em libras.
— Sinto que há algo de especial para nós aqui, algo que precisamos descobrir — respondeu Bernardo em libras, com um olhar determinado.
Maria Alice, intrigada com a resposta do filho, ficou em silêncio, sem saber como reagir de imediato. Bernardo sempre conseguia o que queria, e ela já começava a se convencer da possibilidade.
— Podemos tentar. Quatro ou cinco anos é tempo mais que suficiente para estabelecermos a filial aqui. Além disso, nosso time em Nova York é extremamente competente, e podemos visitá-los sempre que necessário — ponderou Vinícius, com a calma habitual.
— Também achei a cidade revigorante. Apesar de amar Nova York. Admito que essa escolha é difícil, mas não me oponho — disse Chloe, sorrindo enquanto se decidia.
Com tantos argumentos favoráveis, Maria Alice finalmente cedeu, mas com uma condição: eles deveriam prometer que, se não estivesse funcionando, voltariam para concluir o curso em uma universidade conceituada. Todos concordaram prontamente, satisfeitos, e o jantar seguiu em clima de celebração.
Os preparativos para a abertura da filial continuaram, e, para relaxar, Maria Alice decidiu passear no shopping e fazer algumas compras. O lugar estava lotado, com muitas pessoas correndo para comprar presentes de Natal de última hora, mas isso não impediu que ela se divertisse. Caminhando distraída entre as lojas, Maria Alice esbarrou em uma senhora que andava de mãos dadas com o marido.
— Me desculpe, a senhora está bem? — perguntou, observando a mulher por um momento. — Dona Helena? É mesmo a senhora? — indagou, reconhecendo os traços familiares, apesar do tempo que havia se passado.
— Sim, sou eu. E você é a Maria Alice? Há quanto tempo! — respondeu Helena, emocionada ao reencontrá-la.
— Que alegria ver que a senhora ainda se lembra de mim! Faz tantos anos... — disse Maria Alice, abraçando-a e logo se afastando para examiná-la melhor. — E o senhor está bem, seu Jorge? — perguntou, dirigindo-se ao marido de Helena, também o abraçando.
— Estamos bem, graças a Deus. E você, minha jovem? — respondeu Jorge com um sorriso caloroso.
— Estou tentando seguir em frente... sabe como é, depois de tudo que aconteceu... — disse Maria Alice, com o semblante ligeiramente triste. — Mas vamos falar de coisas boas! Vocês estão morando em São Paulo agora?
Antes que pudessem responder, Berenice, que também passeava no shopping, reconheceu Maria Alice de longe. Sem hesitar, correu até o grupo, segurando a mão de Maria Alice para chamar sua atenção.
— Maria Alice, quanto tempo! Por que não me avisou que estava no Brasil? — exclamou Berenice, abraçando-a com força.
— Berenice? Você está tão diferente! Está usando lentes? — perguntou Maria Alice, intrigada após se afastar um pouco.
Maria Alice quase não reconheceu sua amiga. Seus traços, antes mais marcantes, agora pareciam mais delicados, e as lentes azuis a confundiram.
— Você acha que mudei tanto assim? Só coloquei as lentes por causa do trabalho, acabei me esquecendo de tirá-las — explicou Berenice, ainda segurando as mãos de Maria Alice com carinho.
— Vamos sentar e colocar a conversa em dia, matar a saudade. Tem um café ótimo aqui por perto — sugeriu Berenice, sorrindo com ansiedade.
— Espere, eu estava conversando com a dona Helena e seu Jorge — disse Maria Alice, olhando para Helena com um sorriso de desculpa.
— Vocês podem conversar depois! Estou morrendo de saudades de você, minha melhor amiga. Senti tanto a sua falta — disse Berenice, com um olhar de afeto e urgência.
— Tudo bem — respondeu Maria Alice, sorrindo. Em seguida, abriu sua bolsa, pegou um cartão e entregou a Helena. — Desculpe por não poder conversar mais agora. Meus contatos estão aqui. Por favor, liguem para mim depois — pediu, ainda sorrindo.
— Claro, não se preocupe — disse Helena, observando o cartão enquanto via Berenice puxar Maria Alice, que acenava enquanto se afastava. Helena e Jorge trocaram olhares, tentando entender a pressa de Berenice, mas decidiram não interferir, já que haviam conseguido o contato dela.
...****************...
Quando Gustavo chegou ao endereço indicado, foi até a porta e tocou a campainha. Sua mente já imaginava mil e uma possibilidades do que encontraria e como reagiria. No entanto, ninguém apareceu para atendê-lo. Ele esperou pacientemente, mas depois de um tempo, ainda não havia resposta. Frustrado, foi para um hotel descansar e começou a investigar se ela ainda morava lá.
Após duas semanas de investigação, finalmente descobriu a empresa de Maria Alice. Ao tentar encontrá-la, recebeu uma notícia que o deixou surpreso: ela havia viajado para o Brasil, mais precisamente para São Paulo, para abrir uma filial. No entanto, o novo endereço dela ainda não havia sido registrado, o que o deixou frustrado, mas determinado a continuar.
Sem hesitar, pegou o primeiro voo para o Brasil e começou a investigar sua localização. A ansiedade o consumia, pois cada dia longe de Maria Alice era insuportável. Sua mente oscilava entre a esperança e o medo: será que ela ainda o amava como antes, ou ele estava apenas se iludindo? Mas ele não deixou esses pensamentos o desanimarem.
Ele havia chegado longe demais para desistir. Estava preparado para qualquer resultado, até mesmo para ser rejeitado. Tudo o que ele queria agora era uma resposta, um alívio para o seu coração e sua mente, que só tinha espaço para uma mulher: Maria Alice.
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Atualizado até capítulo 63
Comments
Dindi
Nossa, mas os pais dele deveriam ter contado ele sobre o encontro no Shopping, com a Maria Alice
2025-03-04
0
marciamattos mattos
que bom que a Maria Alice deu o cartão com o seus contatos para mãe dele
2025-03-03
0
luciane souza
Eita que a cobra vai falar o que quiser para Maria Alice, mentirosa dos infernos 😡😡😡😡
2024-10-25
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