Quando Gustavo saiu do lago, deixando Berenice furiosa, pisando forte no chão por ter sido rejeitada, ele não perdeu tempo e seguiu diretamente para a casa de João. Seu coração estava inquieto, querendo descobrir se o que Berenice dissera era verdade. Contudo, ao se aproximar da casa, avistou dois seguranças da fazenda sentados, conversando distraidamente. Ao perceberem sua presença, imediatamente se levantaram e bloquearam o caminho.
— Vá para casa, Gustavo. Não tem nada pra você aqui — disse um dos homens com um tom seco e impassível.
— Eu só quero saber como a Maria Alice está... Por favor, me diga algo — implorou Gustavo, seu peito apertado de apreensão.
— O patrão a levou embora, mas não pergunte para onde, porque não sabemos — respondeu o outro, com uma expressão mais cansada do que ameaçadora.
Desolado com a confirmação, Gustavo lançou um último olhar desesperado para os homens antes de se virar em direção à sua casa. Ao chegar, seus pais e seu irmão o aguardavam com um pequeno bolo, um gesto simples para celebrar seu aniversário. No entanto, ao ver o semblante abatido do filho, eles imediatamente perceberam que algo terrível havia acontecido.
— O que houve, meu filho? — perguntou Helena, colocando o bolo com cuidado sobre a mesa, sua voz carregada de preocupação.
— Eles levaram a Mali embora, mamãe... — respondeu Gustavo, envolvendo Helena em um abraço apertado, enquanto as lágrimas finalmente escapavam de seus olhos.
— Não fique assim, meu filho. Você vai superar isso e encontrar um novo amor, você é jovem — tentou Jorge, o pai, oferecer algum consolo, embora soubesse que as palavras soavam vazias naquele momento.
— Eu amo a Mali, papai, e vai ser sempre ela — declarou Gustavo, enxugando as lágrimas com a mão, determinado.
— Deve haver algum engano, Maria Alice jamais deixaria você — disse Eduardo com firmeza, tentando consolá-lo.
Afastando-se da mãe, ele agradeceu o gesto pelo bolo, mas retirou-se para o quarto. Sentia a dor esmagadora da separação e a incerteza que corroía seu coração: ela se casaria com outro homem? Determinado a obter respostas, Gustavo decidiu que confrontaria João assim que ele voltasse para casa. Precisava, ao menos, saber para onde Maria Alice havia sido levada.
Apesar disso, a razão já lhe dizia que, mesmo sabendo o paradeiro dela, não teria meios de ir atrás. Ainda assim, ele se apegava à esperança de revê-la. Em sua mente, Maria Alice jamais aceitaria se casar com outro por vontade própria; se o fizesse, seria forçada, e eles fugiriam juntos... por que não?
Sua mente fervilhava com planos para reencontrar sua amada. Quando avistou o carro de João se aproximando, seu coração acelerou. Ele correu até o veículo, desesperado para ter alguma resposta. Implorou para saber para onde Maria Alice havia sido levada, suplicando para que João reconsiderasse e aceitasse o amor deles.
— Vá embora daqui, seu moleque. Esqueça minha filha! — gritou João, furioso, empurrando Gustavo com tanta força que ele caiu ao chão. Mas Gustavo se levantou rapidamente, cheio de determinação.
— Eu não vou sair daqui até o senhor me dizer a verdade! — desafiou Gustavo, encarando João com firmeza. — Como o senhor pode ter um coração tão duro? — questionou, inconformado.
Sem paciência para mais discussões, João chamou três dos homens que trabalhavam fazendo segurança da fazenda e ordenou que dessem uma "lição" em Gustavo para que ele o deixasse em paz.
— Mas, senhor, ele é o filho do Jorge, que trabalha aqui há tantos anos com a família — um dos homens tentou interceder.
— Ou vocês fazem o que estou mandando, ou estão todos demitidos! — bradou João, com uma fúria incontrolável.
— Desculpa, Gustavo... meu filho está doente, eu preciso desse emprego — disse um dos homens, com um olhar de pesar antes de avançar.
Gustavo começou a recuar, sabendo que não teria como enfrentar os três homens. Porém, quando sentiu o primeiro golpe, não foi a dor física que o consumiu, mas sim a raiva intensa por aquele homem que o machucava injustamente. Ele manteve o olhar fixo em João, mesmo enquanto os socos continuavam, sem entender por que ele sentia tanto ódio por ele.
Ao longe, Jorge e Helena correram em seu socorro. Jorge, empurrando os homens, se colocou entre eles e o filho, protegendo-o.
— Que tipo de covardes são vocês? Não veem que ele é só um garoto? — gritou Jorge, furioso, enquanto Helena segurava Gustavo, que, exausto e machucado, continuava a encarar João com ódio.
— Desculpa, não tivemos escolha... — murmurou um dos seguranças, afastando-se junto com os outros.
— Agora pegue seu moleque e saiam da minha propriedade, ou isso vai ser só o começo do que pode acontecer com ele — ameaçou João, saboreando a cena do jovem ferido.
— Com prazer. Mas lembre-se, João, Deus é justo, e você ainda vai se arrepender de tudo que está fazendo. Nada passa impune diante dos olhos Dele — disse Helena, com firmeza, enquanto abraçava Gustavo.
João deu de ombros e entrou em casa sem dar mais atenção. Os três homens tentaram ajudar, mas Jorge recusou, e com a ajuda de Helena, eles conduziram Gustavo até sua casa, onde o sentaram na sala. Helena rapidamente começou a cuidar de seus ferimentos, enquanto Jorge mantinha-se ao lado do filho.
— Desculpa, mamãe... Desculpa, papai... Eu não queria fazer vocês perderem seus empregos — lamentou Gustavo, a voz fraca, o olhar distante.
— Não se preocupe, filho, a culpa não é sua — respondeu Jorge, colocando a mão no ombro do garoto. — Nós estávamos juntando algumas economias para pagar os estudos seus e do Eduardo... Vamos ter que ajustar os planos, mas vai dar tudo certo.
— Do que o senhor está falando? — perguntou Gustavo, intrigado.
— Temos um primo em São Paulo, e já estávamos conversando por cartas para ele receber você e seu irmão. Eles queriam que fôssemos todos, mas eu não queria incomodar — explicou Jorge, com um semblante sério.
— Nós vamos todos morar em São Paulo. O primo do seu pai prometeu nos arranjar emprego lá. Vai ser apertado no começo, mas conseguiremos pagar os estudos de vocês dois — completou Helena, enquanto limpava o sangue da testa de Gustavo com delicadeza.
— Vocês não precisam se esforçar tanto por mim. Eu também posso trabalhar — disse Gustavo, fazendo uma careta ao sentir o ardor do álcool no ferimento.
— Nem pensar! Você vai estudar e ficar bem rico, para ir atrás da sua Maria Alice depois — afirmou Jorge, sabendo que aquilo motivaria o filho.
Com um sorriso tímido, Gustavo concordou. Eduardo, que havia chegado durante a conversa, gostou da ideia e prometeu que também se esforçaria para melhorar a vida da família. Ele sempre soube o quanto o amor de Gustavo e Maria Alice era forte, e queria ajudar seu irmão, que, para ele, era uma inspiração, assim como o pai.
Rapidamente, organizaram tudo para a viagem. Após receberem o pagamento devido pelo trabalho, partiram com a esperança de uma vida melhor. O primo e a esposa os receberam de braços abertos em São Paulo, deixando-os morar na pequena casa dos fundos. Era modesta, mas com o cuidado e o toque acolhedor de Helena, logo se transformou em um lar aconchegante, um lugar onde poderiam recomeçar.
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Atualizado até capítulo 63
Comments
Vera Lucia Ribeiro De Carvalho
nossa que história linda tô amando
2025-03-01
7
Ana Maria Sá
Essa família de María, é daquelas que você perdoa, mas não quer por perto.
2025-03-12
0
Fatima Azevedo
história muito boa a realidade da vida muito triste 😢 mais é assim mesmo.
2025-03-04
0