Chegando a São Paulo, Gustavo logo começou a procurar universidades que oferecessem vestibular em janeiro. Embora não fosse a melhor opção, ele sabia que poderia se transferir para outra instituição posteriormente. Com esse pensamento, prestou algumas provas e, para sua alegria, foi aprovado em várias faculdades. Ele sentia uma mistura de nervosismo e esperança ao imaginar seu futuro acadêmico.
Eduardo também se dedicou a concluir o ensino médio e, assim que as aulas começaram, logo se destacou em sua turma. Seus professores elogiaram seu comprometimento e dedicação. Helena e Jorge, apesar de terem pouca instrução, sempre se esforçaram para oferecer o melhor aos filhos.
Sabendo apenas ler e escrever, contaram com a ajuda do primo Antônio, que conseguiu para Jorge um emprego como ajudante de pedreiro, enquanto Lúcia, sua esposa, ajudou Helena a conseguir trabalho como diarista. Assim, a família começou a batalhar, dividindo as tarefas e se apoiando mutuamente em cada conquista.
Enquanto isso, ainda na Paraíba...
Berenice, inconformada por seu plano não ter dado certo e por não ter conseguido ficar com Gustavo, insistiu até que seus pais lhe dessem dinheiro para se mudar para São Paulo. Inicialmente, ela queria ir para Nova York atrás de Maria Alice, pois se sentia sozinha.
No entanto, como não sabia falar inglês, seus pais foram contra a ideia, temendo que a filha se metesse em problemas. Antes de partir, enviou uma carta para Maria Alice, mentindo que Gustavo havia falecido em um acidente, acreditando que isso poderia causar uma reação em sua amiga. Com um sorriso no rosto e um coração determinado, viajou decidida a alcançar seus objetivos, sonhando em ter Gustavo ao seu lado.
Em São Paulo, Berenice alugou um pequeno apartamento em uma área movimentada da cidade e logo descobriu em qual universidade Gustavo estava estudando. Ingressou no segundo semestre do curso de artes cênicas, convencida de que se tornaria uma grande atriz no futuro. Ao conquistar Gustavo, poderia exibi-lo para o mundo inteiro, como um troféu de sua vitória. Assim, onde quer que Maria Alice estivesse, saberia que Gustavo não só estava vivo, mas que agora lhe pertencia.
Andando pelos corredores da universidade, Berenice observava cada lugar, tentando absorver a atmosfera vibrante e cheia de vida ao seu redor, enquanto procurava Gustavo. Sabia que ele cursava Direito, mas não conhecia a sala, então vagou pelos corredores, torcendo para encontrá-lo. Na biblioteca, avistou-o concentrado, estudando, e aproximou-se por trás, cobrindo seus olhos com as mãos, numa tentativa de surpreendê-lo.
— Adivinha quem é? — provocou Berenice, segurando a respiração.
— Pela voz, é o capeta — respondeu Gustavo, afastando suas mãos com um gesto impaciente.
— Por que você é tão malvado comigo? — perguntou Berenice, sentando-se ao lado dele, seu tom carregado de um mix de tristeza e desafio.
— Eu trato as pessoas como merecem. E você nunca foi flor que se cheire. Maria Alice que era inocente demais para perceber a cobra que estava criando — retrucou Gustavo, voltando a mexer nos livros, tentando ignorá-la.
— Ela é tão inocente que trocou você por um velho rico — provocou Berenice, irritando Gustavo e fazendo seu olhar escurecer.
Sem paciência, Gustavo começou a arrumar seus livros e a guardar o material, levantando-se em direção à saída da biblioteca. Saber que Berenice estava na mesma universidade o incomodava profundamente. Já a havia visto antes, mas a evitava de todas as formas possíveis.
— Espera, não me trate assim — pediu Berenice, seguindo-o. — O que eu posso fazer para você gostar de mim? — questionou, esperançosa, seu olhar implorando por atenção.
— Me diga onde Maria Alice está. Simples. Acho que já falei isso antes de vir embora, não falei? — retrucou Gustavo, sem parar de andar.
— Você tem que esquecer Maria Alice. Acha que eu não sofri? Ela era minha amiga, mas não concordo com o que fez com você. E você, cego de amor, não percebe que foi apenas um brinquedo para ela — disse Berenice, segurando a mão de Gustavo ao saírem da biblioteca, como se isso pudesse fazê-lo parar.
— Eu não sou idiota, Berenice! Vai fazer outro de trouxa — disse Gustavo, puxando a mão, deixando-a atordoada e confusa.
A partir de então, ele passou a evitá-la ainda mais e, na primeira oportunidade, transferiu-se para uma universidade mais difícil de ingressar, acreditando que Berenice não conseguiria passar, o que o deixaria em paz. Assim, estaria livre dela. Ou, ao menos, era o que pensava.
Perto de concluir o curso, Berenice o surpreendeu ao entrar no banheiro masculino, onde ele estava sozinho, tentando, mais uma vez, se aproximar. Gustavo, percebendo o perigo, apressou-se para sair, mas ela se colocou entre ele e a porta, trancando-a e escondendo a chave dentro da blusa.
— O que você quer comigo, demônio de encruzilhada? — perguntou Gustavo, sério, sentindo a tensão aumentar.
— Eu quero você! Será que não enxerga que sempre te amei? O que te fiz para merecer esse desprezo? — perguntou Berenice, com os olhos marejados, sua vulnerabilidade à flor da pele.
— Você sabe que a mulher que eu amo é Maria Alice. Se resolveu se apaixonar por mim, foi coisa da sua cabeça — disse Gustavo, cruzando os braços, tentando manter a firmeza em sua voz.
— Mas ela está longe há tanto tempo. Não pode me dar uma chance? — perguntou Berenice, esperançosa, seus olhos brilhando com a possibilidade.
— Me diga para onde João mandou Maria Alice, e eu penso no seu caso — respondeu Gustavo, tentando persuadi-la, mesmo sabendo que suas palavras eram uma armadilha.
Berenice recusou-se a dar a informação, sabendo que ele iria atrás de Maria Alice e que perderia sua chance. O desespero começou a se instalar em seu coração.
— Então me deixe ir embora. Eu nunca vou querer alguém que é capaz de trair a própria amiga. Se você fosse realmente amiga dela, jamais estaria tentando me conquistar — disse Gustavo, estendendo a mão para pegar a chave, sua voz carregada de desprezo.
— Já que é assim, você não me deixa escolha. Eu tentei ser boazinha, mas, se não vai me dar uma chance, vai sofrer as consequências — ameaçou Berenice, deixando cair a máscara, revelando sua verdadeira natureza.
Sem pensar duas vezes, ela começou a rasgar as roupas e a se bater, fingindo estar sendo atacada. Gustavo, incrédulo, afastou-se, percebendo o que ela estava tentando fazer. Satisfeita, Berenice gritou por socorro. Quando ouviu a multidão se aproximando, abriu a porta, alegando ter escapado do agressor.
As pessoas, assustadas com o estado de Berenice, entraram no banheiro à procura do suposto agressor, enquanto outras ofereciam ajuda a ela. Gustavo sabia que seria difícil argumentar, mas tentou, mesmo sabendo que convencer alguém naquela situação seria quase impossível.
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Atualizado até capítulo 63
Comments
Daisy Conceicao
sinceramente uma história mal contada,como ela descobriu pra onde ele foi,qual universidade ele foi e ele não conseguiu saber da Maria Alice? é uma história sem pé é sem cabeça
2025-03-04
1
Morena🌹
Isso Gustavo... já vinque pra Berenice ficar com Gusttavo só drogando ele.. pq ele não é burro adorei Gustavo vc e Mali ainda serão felizes juntos ❤️
2025-03-01
3
Márcia Bitencourt da Silva
Gostei do Gustavo, não está sendo o tipo de homem que acredita em td que a cobra fala👏🏻👏🏻👏🏻
2025-03-01
1