Ao desembarcar em Nova York, Maria Alice procurou sua tia na multidão que ia e vinha no saguão do aeroporto, até que avistou uma senhora de cabelos castanhos claros e olhos azuis. Ela tinha um sorriso gentil e acolhedor aos 46 anos e, por mais que Maria Alice estivesse sofrendo naquele momento, sentiu um pouco de felicidade ao vê-la.
Mesmo que nunca tivessem se encontrado pessoalmente, Maria Alice já conhecia sua tia Júlia por fotografias. Ao lado da senhora, um jovem de cabelos e olhos castanhos também parecia aguardá-la.
— Você deve ser a Maria Alice, certo? — perguntou Júlia com um sorriso simpático, observando o rosto abatido da sobrinha, que parecia ter chorado por horas a fio.
— Sim, e a senhora é a tia Júlia? — respondeu Maria Alice, tentando sorrir.
— Nada de senhora, me chame apenas de tia — disse Júlia, segurando gentilmente a mão de Maria Alice. — Este aqui é meu filho, Vinícius. Ele tem 25 anos, espero que se deem bem.
— Prazer em conhecê-la — disse Maria Alice com um sorriso tímido.
— Digo o mesmo, priminha. Não sei por que você está triste, mas prometo que tudo vai melhorar — disse Vinícius,a cumprimentando com um beijo na bochecha.
Pegando as malas de Maria Alice, Vinícius ajudou a levá-las até o carro. No caminho para a casa da tia, Maria Alice observava a beleza estonteante de Nova York, mas nada ali parecia bonito aos seus olhos. Tudo era cinza e desbotado. As pessoas apressadas, o barulho dos carros e até os cheiros se misturavam em uma confusão completa. Nada fazia sentido para ela.
Ao chegarem, Vinícius levou as malas até o quarto onde Maria Alice ficaria, deixando as duas sozinhas para conversarem. Júlia sentou-se na beirada da cama e a chamou para uma conversa.
Maria Alice observou a delicada decoração: uma cama branca com lençóis rosa e detalhes brancos, travesseiros também rosa e alguns ursos de pelúcia. Havia um guarda-roupa branco à direita e, à esquerda, perto da janela, uma penteadeira. A porta do banheiro estava entreaberta, revelando a pia.
— Diga-me, o que aflige seu coração? Você parece tão pálida, minha pequena — perguntou Júlia, preocupada com a saúde de Maria Alice. — Pode ser sincera, não vou te julgar — completou, percebendo a hesitação da menina.
Com as lágrimas voltando a rolar, Maria Alice desabafou sobre tudo o que acontecera nos últimos meses. Não sentia vergonha, muito pelo contrário, sabia o quanto seu amor era forte e o quanto queria lutar por ele. Júlia apenas escutava, compadecida pela dor da sobrinha, sem entender por que seu irmão era tão exigente e impiedoso com ela.
Quando terminou de contar sua história, Maria Alice sentiu o estômago embrulhar novamente e correu para o banheiro. Júlia, experiente, entendeu imediatamente o que estava acontecendo e foi atrás dela. Segurando seus cabelos, fez carinho em suas costas para acalmá-la.
— Eu não sei o que está acontecendo, tia. Esses enjôos estão me matando — disse Maria Alice, após lavar o rosto.
— Ah, minha pequena, você está grávida. Há uma pequena vida crescendo dentro de você — explicou Júlia, com um sorriso gentil.
— Eu vou ter um filho do Gustavo? — perguntou Maria Alice, com um misto de felicidade e preocupação, deixando algumas lágrimas caírem quando Júlia confirmou.
— Você precisa contar a verdade para o seu pai. Quem sabe ele muda de ideia ao saber da criança? — sugeriu Júlia. — Vamos escrever uma carta para ele, que tal?
— Você acha, tia? — questionou Maria Alice, esperançosa. — Também quero escrever uma carta para Berenice. Ela prometeu entregar as cartas para o Gustavo.
— Claro! Vamos fazer isso e, depois, vamos ao médico ver como o bebê está crescendo — disse Júlia, abraçando Maria Alice para lhe dar forças diante dos desafios que viriam.
Chamaram Vinícius e explicaram rapidamente o que estava acontecendo. Sempre gentil e atencioso, ele prometeu ajudar no que fosse necessário. Sentindo uma chama de esperança reacender em seu coração, Maria Alice escreveu uma carta para o pai e outra para Gustavo, contando sobre a felicidade de estar grávida.
Na carta para o pai, ela implorava para que ele entendesse o amor que sentia por Gustavo. Já na carta para Gustavo, expressava o quanto o amava e a alegria de carregar um pedacinho dele dentro de si.
Ansiosa, Maria Alice colocou as cartas no correio, o coração acelerado ao imaginar a felicidade de Gustavo ao descobrir que seria pai.
Um mês se passou, e, em meio a exames, a gravidez evoluía bem. Ela mantinha a esperança de que o pai ouviria a voz da razão. Mas todas as suas expectativas foram destruídas quando recebeu a resposta do pai, exigindo que se livrasse da criança, dizendo que não aceitaria um bastardo como neto.
Inconformada, Júlia prometeu cuidar de Maria Alice e do bebê, ajudando-a a terminar os estudos para que, no futuro, ela pudesse reencontrar Gustavo, sem a interferência de João.
— Mas eu queria vê-lo agora, tia — disse Maria Alice, sentada no sofá, abraçada a Júlia.
— Eu sei, querida, mas você ainda é menor de idade. Legalmente, seu pai ainda tem controle sobre você — respondeu Júlia, tentando acalmá-la. — Além disso, precisamos esperar a resposta do pai da criança — completou com um sorriso, e Maria Alice assentiu.
A resposta de Gustavo, no entanto, nunca chegou. Sem entender o motivo, Maria Alice enviou várias cartas, tentando descobrir o porquê. Conforme sua barriga crescia, mais ela desejava tê-lo por perto. Uma parte dela acreditava que algo o impedia de receber as cartas, mantendo a fé de que, quando se encontrassem novamente, tudo se resolveria.
No sétimo mês de gravidez, Maria Alice recebeu uma carta de Berenice informando que Gustavo havia sofrido um acidente grave e não sobrevivera. A dor foi tão intensa que ela achou que não conseguiria suportar. Sentindo um pouco de sangue escorrer por sua perna, gritou por ajuda. Júlia e Vinícius logo correram até o quarto, desesperados.
— Menina, você está sangrando! O que aconteceu? — questionou Júlia, aflita, enquanto Maria Alice não conseguia responder. — Vamos, Vinícius! Leve-a para o carro, vamos para o hospital — pediu com um olhar angustiado.
Vinícius rapidamente pegou Maria Alice no colo e a carregou. Ela estava pálida, com o olhar distante, quase sem conseguir respirar devido à sua confusão mental. Não demorou muito para que chegassem ao hospital, onde uma cesariana de emergência foi necessária.
A criança, um belo menino, precisou ficar alguns dias na UTI neonatal, mas sem grandes riscos. "É um rapaz forte e corajoso", disse o médico que realizou o parto.
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— O que aconteceu, minha pequena? — perguntou Júlia, aproximando-se da cama onde Maria Alice descansava.
— O Gustavo morreu, tia — respondeu Maria Alice, finalmente saindo do choque e abraçando Júlia com força. — O meu amor morreu.
— Ah, minha querida, eu sinto muito... mas vamos superar isso juntas, ok? — disse Júlia, abraçando-a com mais força.
— Pode contar comigo para te ajudar — disse Vinícius, aproximando-se e beijando a testa de Maria Alice.
Pouco tempo depois, ajudaram-na a ir até a UTI, onde o pequeno estava na incubadora, sendo monitorado pelos aparelhos e dormindo tranquilamente. A tristeza ainda era grande, mas ver o rostinho de seu filho deu-lhe forças para enfrentar qualquer dor.
— Bernardo. Esse vai ser seu nome — disse Maria Alice, confiante, segurando a pequena mão do bebê.
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Atualizado até capítulo 63
Comments
Morena🌹
Q essa tia Júlia seja uma pessoa boa pra Maria tadinha
2025-03-01
4
Fatima Azevedo
aínda bem que atia dela é boa pra ela sofreu muito ela que ela descubra sobre essa amiga falsa
2025-03-04
0
marciamattos mattos
essa invejosa da Betenice é tão ruim que mentiu que ele morreu
2025-03-03
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