Organizando alguns documentos, Gustavo não conseguia afastar o pensamento de que estava tão perto de Maria Alice. A tensão dominava seu corpo, e ele se distraía frequentemente, não apenas pela saudade que sentia, mas também pelo fato de que aquele dia, seu aniversário, havia se tornado um dos piores de sua vida. Foi nesse mesmo dia que ela foi levada para longe, transformando uma data que antes era motivo de celebração em um lembrete doloroso.
Muitas pessoas já lhe disseram para deixar o passado para trás e seguir em frente, mas Gustavo simplesmente não conseguia. Todo o seu amor e devoção estavam direcionados a uma única mulher, e embora esse sentimento o sufocasse em alguns momentos, ele sabia que só encontraria paz quando a visse novamente e esclarecesse toda a verdade sobre o que aconteceu nesses anos de separação.
Sua secretária o trouxe de volta à realidade, avisando que seus pais tinham chegado. Ele rapidamente organizou os papéis na mesa e ajustou a postura, preparando-se para recebê-los. O sorriso que exibia não refletia o que realmente sentia, mas sim a pequena parcela de confiança que ele ainda preservava para manter as aparências. Com esse sorriso, os convidou a entrar.
— Mamãe, papai... O que fazem aqui? O que desejam? — perguntou Gustavo, levantando-se com um sorriso que, apesar de forçado, tentava transmitir alegria.
— Sabemos que você não gosta de receber presentes nem de comemorar esse dia, mas temos algo que temos certeza de que você não vai recusar — respondeu Helena, sua mãe, visivelmente ansiosa.
— Agora fiquei curioso. O que vocês têm de tão especial? — indagou Gustavo, percebendo um brilho de felicidade nos olhos dos pais, o que fez seu sorriso se tornar genuíno.
Helena, nervosa e emocionada, pegou um papel e um cartão que havia recebido pela manhã e tentou contar o que acontecera, mas tropeçava nas palavras e nada parecia compreensível. Jorge, com um gesto carinhoso, beijou sua testa, tomou o papel e o cartão das mãos dela e os entregou a Gustavo.
— Sabemos que você tem esperado por este momento há muito tempo. Mesmo que no começo, não fosse a favor de você manter esse amor por tanto tempo, eu vejo o quão forte ele é — disse Jorge, com uma voz serena.
— Ma-Maria Alice? Como vocês conseguiram isso? — perguntou Gustavo, incrédulo, segurando o cartão com mãos trêmulas.
— A encontramos por coincidência no shopping hoje de manhã — explicou Helena, agora mais calma. — Não conseguimos conversar muito porque a jararaca da Berenice apareceu e a arrastou, mas Maria Alice nos deu este cartão. Durante o almoço, ligamos para ela, e ela nos passou o endereço para que possamos visitá-la.
— Este é o melhor presente do mundo! — disse Gustavo, contornando a mesa para abraçar os pais com força. — Não sei nem o que dizer... Estou muito nervoso — admitiu, sorrindo amplamente.
— Vá atrás dela, filho. Não perca mais tempo — incentivou Jorge, dando tapinhas nas costas de Gustavo.
Olhando para os pais, incapaz de conter a ansiedade, Gustavo se despediu e saiu apressadamente. Seus pensamentos corriam desordenados, mas ele se apegava apenas a um: reencontrar Maria Alice.
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Anteriormente...
Após se despedir de Helena e Jorge, Maria Alice seguiu Berenice até um café próximo ao shopping. Colocaram as sacolas de compras em uma cadeira e, após fazerem os pedidos, começaram a conversar sobre o passado.
— E o Gustavo? O que realmente aconteceu? — perguntou Maria Alice, finalmente colocando em palavras a dúvida que sempre a atormentou.
— Não sei dizer ao certo. Eles já tinham se mudado para São Paulo, e soube da notícia por meio de uma carta enviada a um parente distante — respondeu Berenice, segurando a mão de Maria Alice com uma expressão de falsa compaixão. — Parece que Gustavo se casou com a filha de um comerciante famoso, e ela estava grávida quando ele faleceu — completou, tentando soar solidária.
Ouvir essas palavras foi um golpe duro para Maria Alice. Ela se sentiu traída, como se todo o amor que Gustavo demonstrara tivesse sido esquecido rapidamente. O vínculo entre eles parecia inabalável, e agora lhe diziam que ele a havia deixado para trás tão facilmente.
Ela queria acreditar que aquilo não era verdade, mas sabia que não poderia confrontá-lo. Ele não estava mais ali para que ela pudesse expressar sua dor, o que tornava tudo ainda mais devastador.
Maria Alice então perguntou sobre as cartas que enviou e por que nunca recebeu uma resposta. Berenice disse que entregou todas, mas que Gustavo não quis responder, pois estava decidido a esquecer o passado. Para ele, um filho naquele momento seria um obstáculo em sua vida.
— Por favor, não fique assim, amiga — disse Berenice, apertando a mão de Maria Alice em um gesto aparentemente reconfortante. — Eu sei que ele te amava, mas a vida segue. É natural que ele tenha tentado encontrar um novo amor. E, de qualquer forma, como ele poderia ter encontrado vocês, morando tão longe? — completou, com um sorriso gentil.
— Você tem razão — respondeu Maria Alice, lutando para segurar as lágrimas e forçando um sorriso. — Preciso ir para casa. Depois conversamos — acrescentou, pegando suas sacolas de compras e saindo um pouco desorientada.
Ela sentia que Berenice estava diferente, mas não conseguia identificar exatamente o que havia mudado, além da aparência física. Por mais que se esforçasse para manter viva a esperança de que Gustavo a havia amado até o fim, ela também tentava se manter racional.
Talvez Berenice estivesse certa. Se Gustavo havia tentado seguir em frente, quem era ela para julgá-lo? No entanto, a dor de saber que ele não quis conhecer o próprio filho era quase insuportável.
De volta ao apartamento, Maria Alice começou a preparar o almoço. Durante a refeição, fez de tudo para não deixar transparecer seus sentimentos a Bernardo. Logo depois, recebeu uma ligação de Helena e, determinada a entender o que realmente tinha acontecido, passou seu endereço para eles.
Queria esclarecer a verdade de uma vez, sem se prender às respostas vagas de Berenice. Ainda processando tudo o que havia escutado, sabia que não podia deixar que Bernardo descobrisse que fora rejeitado pelo pai. Esse era um fardo que ele não precisava carregar.
Depois do almoço, Bernardo se despediu, dizendo que ia se encontrar com Michael, deixando Maria Alice sozinha. Quando ele saiu, ela finalmente relaxou, permitindo que algumas lágrimas caíssem silenciosamente. Para tentar se distrair, tomou um banho quente e, ainda de roupão, foi até a sala, onde colocou um filme para tentar esquecer um pouco dos seus pensamentos.
Quando a campainha tocou, ela pausou o filme e foi atender, acreditando que Bernardo havia esquecido as chaves, embora achasse que ele fosse demorar mais tempo para voltar
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Atualizado até capítulo 63
Comments
GuiZI444 GuiZi444
minha querida autora gostaria que Berenice pagasse pelo que fez com a amiga a mas bem pago por favor. Que cobra é essa
2025-03-05
2
marciamattos mattos
essa cobra mesmo assim continua tentando envenenar a Mara Alice estou ansiosa pelo rencontro
2025-03-03
0
Ideusa Maciel
Nervosa aqui com o reencontro /Smirk//Kiss//Rose/
2025-03-04
0