Eduardo, que havia começado na universidade há poucos semestres, viu a confusão e se aproximou. Ao ver que estavam arrastando Gustavo para fora, pronto para ser agredido, interveio, defendendo o irmão. Sendo mais forte que a maioria, especialmente para a sua idade, ele empurrou os homens para longe e manteve todos afastados, seu instinto protetor aflorando.
— Vai mesmo defender alguém que abusa de uma mulher? — perguntou uma pessoa no meio da multidão, sua indignação clara.
— Meu irmão jamais faria isso. Quem inventou essa história? — replicou Eduardo, a voz firme.
— Olhe para ela. Foi ele que fez isso — apontou outra pessoa, indicando Berenice, que chorava, sendo coberta por uma camisa que lhe entregaram.
— Não acreditem nela! Ela é louca, persegue meu irmão tentando conquistá-lo — disse Eduardo, protegendo Gustavo com determinação.
— É verdade. Ela não aceita que a rejeitei. Nem estuda aqui; veio só para me assediar de novo. E, como a rejeitei outra vez, fez essa cena — afirmou Gustavo, tentando se manter calmo, apesar da situação.
— De qualquer forma, já chamei a polícia. Você vai ter que contar isso a eles — disse uma pessoa, decidindo agir.
Rapidamente, uma viatura chegou, levando Gustavo detido pela acusação e Eduardo pela confusão. Berenice, com sua expressão de vítima, foi levada para prestar queixa na delegacia. Tendo direito a uma ligação, rapidamente eles usaram para avisar os pais o que estava acontecendo.
Helena e Jorge logo chegaram nervosos na delegacia e, enquanto Jorge tentava entender a situação, Helena tentava conversar com os filhos, muito embora as lágrimas não parassem de cair, misturando-se com a angústia.
Quando Berenice começou a prestar depoimento, sua presença era marcada por uma dramatização intensa, uma verdadeira performance de dor por ter supostamente sido agredida. Seus olhos marejados e a voz trêmula ecoavam na sala.
Mas ela, ciente de que uma investigação mais detalhada poderia expor a verdade, apenas afirmou que não iria prestar queixa, pois, apesar da suposta agressão, ainda amava muito Gustavo, como se essa declaração pudesse desfazer os danos.
Inconformado com a ousadia de Berenice, Gustavo decidiu não deixar a situação impune. Na mesma hora em que ela declarou que não prestaria queixa, ele a denunciou por calúnia. Um frio percorreu sua espinha, mas, determinada a se posicionar como vítima, Berenice logo começou a chorar, dizendo que o perdoava e que não era necessário prolongar o sofrimento. Suas lágrimas pareciam ensaiadas, mas o ambiente carregava uma tensão palpável.
No entanto, Gustavo sabia que, se não provasse sua inocência, enfrentaria grandes dificuldades para concluir seu curso e exercer a profissão de advogado. Mantendo-se firme em sua decisão, a denúncia foi registrada, e logo um exame de corpo de delito foi realizado tanto em Berenice quanto em Gustavo, um processo que parecia uma maratona de nervos.
O exame se revelou favorável a Gustavo, pois ela apresentava alguns arranhões e sangue nas unhas, enquanto ele estava completamente limpo. Outros fatores, como a maneira como a roupa foi rasgada e a extensão dos ferimentos, corroboraram sua versão. O que deveria ser uma simples formalidade tornou-se uma batalha silenciosa entre a verdade e a manipulação.
Entretanto, mesmo provando sua inocência e concluindo seu curso com excelência, foi difícil para ele se firmar na carreira. Se não tivesse agido com esperteza, talvez não conseguisse sequer finalizar a graduação. Berenice, inconformada, pagou uma indenização por danos morais e desistiu de perseguir Gustavo, casando-se com um dos diretores de um filme em que participou, como se estivesse tentando enterrar o passado sob os holofotes de sua nova vida.
O caminho de Gustavo foi complicado; as cicatrizes emocionais da experiência o acompanharam, mas, aos trancos e barrancos, ele conseguiu superar as dificuldades e conquistar um emprego em uma renomada agência de advocacia.
Eduardo, seu irmão, formou-se em administração e, com seu talento para os negócios, rapidamente se tornou CEO de uma das maiores agências bancárias do mercado. A união dos irmãos era uma força inabalável, uma parceria que se estendia além da profissão.
Após muitos anos de esforço, conseguiram dar uma vida melhor para seus pais, comprando uma mansão para eles e proibindo-os de trabalhar, dizendo que agora apenas deveriam aproveitar, pois estavam bem de vida. A alegria em seus rostos refletia a vitória que haviam conquistado juntos.
Os dois irmãos estavam sempre tentando se ajudar, e essa foi apenas mais uma dessas vezes. Chegando no escritório de Gustavo, Eduardo sentou-se na cadeira à frente de sua mesa e colocou um pequeno papel sobre a mesa, como se fosse um tesouro a ser revelado.
— O que é isso? — questionou Gustavo, olhando para o papel com curiosidade.
— Esse é o número da casa de Maria Alice, na verdade, do pai dela. Mas, enfim, eles abriram uma conta no banco, e por isso consegui o número deles — respondeu Eduardo, com os olhos brilhando, transbordando entusiasmo.
— Você acha que a velhice amoleceu o coração daquele homem? — questionou Gustavo, hesitante, mas já pegando o papel com uma mistura de esperança e medo.
— Não dá para saber sem tentar, e não era o que você queria? Está há semanas me pedindo isso — brincou Eduardo, com um sorriso travesso.
Com um sorriso maroto, Gustavo logo pegou o telefone em sua mesa, discando cautelosamente cada número, cada toque ecoando a urgência de seu coração. Os bips longos da chamada faziam seu coração acelerar ainda mais e, quando escutou a voz de Olivia, sentiu um alívio indescritível por não ser João.
— Dona Olivia, sou eu, Gustavo — disse ele após a chamada ser atendida, tentando manter a calma.
— Olá, querido! Há quanto tempo! Como você está? — questionou Olivia, a voz dela era um sopro de familiaridade que trouxe memórias à tona.
— Eu estou bem, mas, na verdade, liguei para saber de Maria Alice — disse Gustavo rapidamente, as palavras saindo com a pressa de um desejo guardado por tanto tempo.
— Você ainda pensa na Maria Alice? — perguntou Olivia, surpresa — já faz tantos anos...
— Podem passar mil anos e meu amor não vai morrer, dona Olivia. Por favor, eu preciso pelo menos encontrá-la, nem que seja apenas uma vez. Se ela não me quiser, eu vou entender — disse Gustavo, sentindo o peso das próprias palavras e a sinceridade de seu coração.
Decidida a finalmente tomar uma atitude e não apenas aceitar tudo o que João dizia, Olivia criou coragem e contou o endereço de Júlia, a tia de Maria Alice. Gustavo rapidamente anotou em um papel e, com um sorriso brilhante, mostrou para Eduardo, que comemorou a vitória com um abraço caloroso.
Sem perder tempo, ele logo comprou as passagens para Nova York. Desembarcando no aeroporto, pegou um táxi e entregou o endereço ao motorista, sua mente girando em torno de todas as possibilidades. Olhando para os carros que passavam, sentia seu coração acelerar e contava os segundos para reencontrar Maria Alice, a lembrança dela era como um farol em meio à escuridão de seu passado.
Gustavo
Eduardo
Berenice
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Atualizado até capítulo 63
Comments
ʎqǝᗡ 🐝
Berenice a vida vai te bater com tanto carinho, que duvido você aguentar em pé 😘
2025-03-01
5
marciamattos mattos
Nossa agora quee ele conseguiu o endereço ela vai ter vindo para o Brasil
2025-03-03
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Fatima Azevedo
que pena que ela não está mais nesse endereço. 😒
2025-03-04
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