Os dias foram passando, e Maria Alice começou a se aproximar das duas crianças. Em todas as brincadeiras, ela encontrava uma forma de incluí-las. Berenice, que as conheceu um pouco depois, também estava sempre por perto, e os quatro se divertiam com brincadeiras inocentes. Às vezes, incluíam os filhos de outros empregados, mas estavam sempre os quatro juntos.
Quando o pequeno Angelo nasceu, a casa ficou em festa — ou melhor, João organizou uma grande comemoração para celebrar a chegada de seu herdeiro. Apesar de amar a pequena Maria Alice, ele sempre sonhou em ter um filho homem para herdar seus negócios. Então, convidou seus amigos mais íntimos. Um dos defeitos de João era seu elitismo; naturalmente, ele não convidou nenhum de seus empregados para a festa.
Maria Alice, com a ajuda de Berenice, pegou alguns docinhos e salgados da festa e levou para as outras crianças, os filhos dos empregados, que aguardavam ansiosos na casa de Gustavo.
— Seus pais não vão se incomodar com você trazendo tanta comida, Maria Alice? — perguntou Helena, preocupada.
— Não se preocupe, desde que Ângelo nasceu, ele nem lembra mais que eu existo. Nem vai notar minha ausência — respondeu Maria Alice, sorrindo, mas com um toque de tristeza.
— Não diga isso, ele só está empolgado com o novo filho. Tenho certeza de que ele te ama do mesmo jeito — disse Helena, tentando animá-la.
— Você deve ter razão — respondeu Maria Alice, esboçando um sorriso antes de voltar a interagir com as outras crianças.
Sentando-se ao lado de Gustavo, eles começaram a compartilhar os doces, trocando sorrisos inocentes e conversando despreocupados. Berenice logo se juntou a eles, puxando conversa.
— Se você me der um beijinho, eu te dou um brigadeiro — brincou Berenice com Gustavo.
— Não, o beijinho é para a Mali, é o favorito dela — respondeu Gustavo, pegando o doce de seu prato e colocando no prato de Maria Alice, dando-lhe um beijo na bochecha.
Berenice, sem graça, fingiu não notar o gesto de gentileza entre os dois e continuou conversando como se nada tivesse acontecido. E assim a vida seguiu. Berenice, que antes queria apenas ter os olhos da mesma cor que os de Maria Alice, agora desejava a atenção que Gustavo dedicava a ela. Mesmo sem conseguir, não parava de tentar.
Maria Alice, em sua inocência, nunca percebeu as intenções da amiga e sempre a considerou como uma irmã. Elas eram inseparáveis e compartilhavam todos os segredos, ou pelo menos era isso que Maria Alice acreditava.
Planejando mandar Maria Alice para morar em Nova York com sua tia Eliane quando ela completasse 18 anos, João contratou uma professora de inglês e garantiu que ela ficasse fluente o mais rápido possível.
Maria Alice não só aprendeu a falar inglês rapidamente, como também compartilhou seu conhecimento com Gustavo. Ela era uma menina muito inteligente e sempre ajudava Gustavo e Eduardo a estudar. Eles, assim como os outros filhos dos funcionários, pegavam transporte público para ir à escola na cidade, uma caminhonete cujo motorista era pago pelo vereador local para levar e buscar as crianças e adolescentes.
Com o tempo, conforme Ângelo crescia, Maria Alice sentia que seu pai já não gostava tanto dela. Por mais que sua mãe dissesse que eram apenas pensamentos bobos, ela não se sentia confiante, mas também não dava muita importância.
Aos 15 anos, ela e Gustavo começaram a namorar. Andavam de mãos dadas, ele fazia pequenas surpresas, como piqueniques ao ar livre ou uma flor colhida no jardim com um bilhetinho amoroso. Era um namoro inocente, com beijos leves e flertes.
João queria proibir o relacionamento logo no início, mas Olívia o convenceu a não fazer isso, insistindo que era uma bobagem de adolescentes e que o relacionamento não duraria.
No aniversário de 16 anos de Maria Alice, após uma festa organizada por seus pais, marcou de se encontrar com Gustavo em seu lugar secreto, uma das casas que João havia construído para os funcionários, mas que estava desocupada. Lá, eles fizeram uma pequena comemoração. Os móveis da casa eram simples, mas aconchegantes, e eles se divertiram juntos, como se o mundo lá fora não existisse.
— Sabe, a gente devia fazer aquilo — disse Maria Alice sorrindo segurando a mão de Gustavo.
— Tem certeza, Mali? Você não quer esperar o momento certo? — Questionou Gustavo tentando controlar seus desejos.
— Com você todo momento é o certo — respondeu Maria Alice com um sorriso provocador — de qualquer forma, a gente vai se casar, então não tem problema, não é? — questionou com os olhos brilhando de expectativas.
— Claro e eu vou te amar para sempre — disse Gustavo selando os lábios de Maria Alice com um beijo apaixonado.
Os dois, trocando beijos apaixonados, foram até o quarto, onde seus corpos se conectaram pela primeira vez. A fagulha da paixão que apenas crescia, tornando a noite ainda mais especial. Criando uma promessa de que iriam ficar juntos para sempre, um amor que venceria qualquer dificuldade.
— Eu te amo — disse Maria Alice, deitada sobre o peito de Gustavo.
— E eu te amo muito mais — respondeu Gustavo, beijando sua testa.
Eles adormeceram abraçados, sonhando com o futuro juntos. Porém, um mês depois, veio a desilusão. João, de alguma forma, descobriu que eles se encontravam na casa vazia dos funcionários e o que tinham feito lá. Ele, então, proibiu o relacionamento dos dois.
— Seu João, tente entender, eu ia pedir a mão dela em casamento no mês que vem, quando eu completasse 18 anos. Eu amo sua filha — disse Gustavo, tentando explicar a situação.
— Minha filha jamais vai se casar com alguém como você. Saia daqui antes que eu expulse toda a sua família da minha fazenda! — esbravejou João, segurando o braço de Maria Alice com força e a arrastando escada acima para o quarto.
— Papai, por favor, eu o amo! Me deixe casar com o Gustavo! — implorou Maria Alice, em prantos, sem conseguir resistir à força do pai.
Gustavo queria falar, protestar, protegê-la, mas sabia que, se insistisse, sua família poderia ficar sem ter onde morar. Olívia, compadecida da evidente tristeza do rapaz, o convenceu a ir, prometendo que falaria com João sobre o assunto. Um mês se passou, e João permanecia irredutível. Angelo, que se tornava cada vez mais parecido com o pai, começou a repreender Maria Alice com frequência, dizendo o quanto ela era "suja" por agir daquela maneira.
Maria Alice se sentia decepcionada. Ela tinha esperado tanto pela chegada do irmão, mas ele apenas a julgava, sem se importar com seu sofrimento. Ainda assim, tudo o que ela queria era estar com Gustavo. Com isso em mente, escreveu um bilhete e o entregou a Berenice, pedindo que ela o levasse a Gustavo, marcando um encontro próximo ao lago da fazenda.
— Pode deixar comigo, eu serei seu cupido — disse Berenice, escondendo o bilhete em suas roupas para que João não descobrisse. Ela se despediu, deixando uma ponta de esperança crescer no coração de Maria Alice.
Maria Alice e Gustavo ( 15 anos e 17 anos respectivamente)
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Atualizado até capítulo 63
Comments
Morena🌹
Descobriu de alguma forma.. ou será Q a Berenice disse 😏
2025-03-01
3
marciamattos mattos
acho que essa invejosa da Berenice vai armar pra ela pegar ela e Gustavo juntos
2025-03-03
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Vera Lucia Ribeiro De Carvalho
não vou com a cara dessa Berenice
2025-03-01
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