Ao abrir a porta, Maria Alice se deparou com um belo homem. Seus cabelos negros e olhos castanhos, tão estranhamente familiares, a deixaram tonta. Por um instante, foi como se o tempo ao seu redor tivesse congelado, e tudo à sua volta se tornasse estático, silencioso. Apenas aquele homem, parado à sua frente, parecia real.
— Q-Quem é você? — perguntou, sentindo um arrepio percorrer sua espinha.
— Sou eu, Mali... Sou o seu Gustavo — respondeu o homem com um sorriso entre o nervosismo e a alegria.
Ouvindo aquelas palavras, sua mente foi tomada por uma espiral confusa. O chão parecia desmoronar sob seus pés, e a realidade se desfez. Tudo ficou escuro, e ela mal teve tempo de sentir a fraqueza no corpo antes de perder a consciência.
Gustavo, vendo-a desmaiar, a segurou rapidamente, evitando que caísse. Com delicadeza, ergueu-a nos braços como se fosse algo precioso e frágil, levando-a até o sofá. Cuidadosamente, ajeitou uma almofada debaixo de sua cabeça, garantindo que ela ficasse confortável, enquanto seus olhos a observavam com uma mistura de ansiedade e ternura.
Enquanto a observava, inconsciente, seu coração batia descompassado, quase dolorido. Foram longos 18 anos separados, e agora ela estava tão perto. Ele mal conseguia respirar.
— Mali... Maria Alice... — sussurrou Gustavo, inclinando-se para tocar seu rosto suavemente, tentando despertá-la.
— Gus... — murmurou Maria Alice, abrindo os olhos lentamente. — Fantasma! — gritou, levantando-se de repente, assustada. Correu para trás do sofá, quase derrubando a árvore de Natal, as luzes coloridas piscando num contraste absurdo com a tensão no ar.
— Do que você está falando, Mali? Sou eu! Você não está feliz em me ver? — Gustavo perguntou, confuso e aflito, dando um passo na direção dela.
— O meu Gustavo está morto! — gritou Maria Alice, pegando as almofadas do sofá e atirando-as nele, uma após a outra, enquanto ele se esquivava como podia. — Você veio do além para me assombrar? Vai puxar meu pé? — continuou, procurando mais objetos para jogar.
— Calma, Mali! Eu não estou morto! Não sei o que te contaram, mas não é verdade! — Gustavo respondeu, mantendo a voz baixa e suave, enquanto se aproximava lentamente, desviando dos objetos — Olha, eu estou bem aqui! — afirmou, pegando a mão de Maria Alice, que já segurava um vaso de flores, pronta para arremessá-lo.
— É mesmo você? Eu não consigo entender... Meu pai e Berenice me disseram que você tinha morrido! — insistiu Maria Alice, sua voz vacilante, enquanto seus olhos buscavam os de Gustavo. Lentamente, ela abaixou o vaso, colocando-o sobre o móvel ao lado.
— Sim, sou eu — confirmou Gustavo, mais uma vez, tocando delicadamente o rosto dela, para que pudesse sentir sua presença. — Procurei você por tanto tempo, mas ninguém me dizia onde tinham te levado... — completou, seu semblante triste, com o cenho franzido, revelando o peso da dor que carregava.
Finalmente convencida do que via, Maria Alice o abraçou com força, temendo que, ao soltar, ele desaparecesse novamente. As lágrimas desceram sem controle, misturando-se com a realidade dolorosa que, aos poucos, se revelava diante dela.
Afastando-se um pouco para ter certeza de que não era um sonho, os dois se encararam novamente, e o próximo instante foi seguido por um beijo intenso que carregava todo o peso da saudade, como se quisessem recuperar todos os 18 anos perdidos apenas naquele beijo.
— Eu... eu não entendo... Então, tudo o que me falaram era mentira? — perguntou Maria Alice, a voz trêmula, enquanto o beijo cessava e as lágrimas voltavam a rolar por seu rosto.
— Sim. Você não deveria ter acreditado na Berenice. Ela sempre teve inveja de você, sempre quis tirar o que era seu... — respondeu Gustavo, limpando as lágrimas de Maria Alice com o polegar, de maneira carinhosa.
— Mas... ela entregou alguma das minhas cartas? Pelo menos avisou sobre o nosso filho? — perguntou Maria Alice, seu olhar cheio de angústia.
— Filho? Como assim eu tenho um filho? — Gustavo caiu de joelhos, incapaz de processar a revelação.
As palavras dela o atingiram como lâminas, cortando fundo. Um filho? Isso significava que o menino já tinha 17 anos. Ele havia perdido toda a infância, toda a vida do filho que nunca conheceu. O peso da ausência o fez sentir-se impotente, fraco.
— Eu só descobri quando cheguei em Nova York. Mandei várias cartas para Berenice, porque ela prometeu que ia te avisar... — explicou Maria Alice, abaixando-se para ficar ao nível dele. — Ela não foi ao lago naquele dia para te contar que meu pai me obrigou a me mudar para Nova York? — perguntou, já sabendo a resposta.
— Não... Na verdade, ela sempre disse que você havia viajado para se casar com um homem rico, mas eu nunca acreditei nela — respondeu Gustavo, seus olhos sérios fixos nos de Maria Alice. — Acho que temos muito a conversar — completou, e Maria Alice concordou com um aceno silencioso.
Os dois se levantaram e foram até o sofá e sentaram-se. Ao perceber que a TV ainda estava pausada no filme que assistia a deligou, prontos para compartilhar tudo o que havia acontecido ao longo de todos aqueles anos.
Gustavo foi o primeiro a falar, contando sobre sua busca incansável, a dor da separação, suas tentativas de fazer João revelar onde ela estava e as manipulações de Berenice, que, além de mentir, tentou conquistá-lo e ainda fez uma acusação que quase acabou com sua vida.
Em seguida, foi a vez de Maria Alice, que, ainda incrédula com a forma como Berenice e seu pai agiram. Chocada com tanta crueldade, começou a relatar como seu pai a obrigou a ir embora, arrastando-a pelos cabelos, até receber a carta informando sobre sua morte. Ao descobrir que Maria Alice quase perdeu o filho por causa dessas intrigas, a raiva de Gustavo por Berenice cresceu ainda mais.
No entanto, antes que ela pudesse terminar de explicar tudo, a porta da sala se abriu. Um jovem entrou. Gustavo, tomado pela emoção, não conseguiu se conter e correu até ele, abraçando-o forte.
— Quem é ele, tia? — perguntou Michael, confuso. Gustavo, percebendo o engano, afastou-se, visivelmente embaraçado.
— É uma longa história... Mas cadê o Bernardo? — perguntou Maria Alice, aproximando-se.
Antes que Michael pudesse responder, Bernardo apareceu, carregando sacolas de compras.
— Esse é o meu filho? — perguntou Gustavo, fixando o olhar no garoto de cabelos castanhos e olhos azuis.
— Quem é ele, mamãe? E por que está perguntando se sou filho dele? — perguntou Bernardo, gesticulando em libras depois de colocar as sacolas no chão.
Gustavo, sem entender, olhou para Maria Alice, buscando uma explicação. Ela apenas suspirou, como se a conversa que tiveram fosse apenas a ponta do iceberg, sugerindo que ainda havia muito mais a ser revelado.
— É uma longa história... Mas vamos entender tudo com uma boa conversa — disse Maria Alice, falando e ao mesmo tempo gesticulando em libras.
Logo depois, chamou todos para se sentarem e se acomodou no sofá. Gustavo, ainda confuso e absorvendo todas as revelações do dia, sentou-se também, tentando manter a calma. Seus olhos não se desviavam de Bernardo, seu coração acelerado com a ansiedade de conhecer o filho que ele nunca soube que existia.
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Atualizado até capítulo 63
Comments
Livia Pereira
eu já acabaria com a carreira de atriz da cobra peçonhenta, e o neto nem chegaria perto dos pais e nem do irmão
2025-03-01
6
Valdercina Rodrigues
Maria Alice não pode perdoar nem a amiga é nem o pai dela.
2025-03-01
1
Aparecida Fabrin
tomara que se entendam , porque já perderam muito tempo .
2025-03-03
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