Enquanto tomavam café, Gustavo convidou Maria Alice e Bernardo para irem à casa de seus pais. A ansiedade de finalmente apresentar o filho à sua família o consumia, e, ao ouvir a aceitação deles, seu coração disparou de alegria. Sem perder tempo, ele enviou uma mensagem para os pais e para Eduardo, pedindo que os aguardassem na mansão da família.
— Primeiro vamos passar no meu apartamento para eu trocar de roupa — disse Gustavo ao entrarem no carro.
— Tudo bem, estou ansiosa para ter uma boa conversa com todo mundo — respondeu Maria Alice, sorrindo. Em seguida, ela virou-se para Bernardo no banco de trás e trocou olhares traduzindo em libras o que combinaram.
Durante o trajeto, Gustavo aproveitou para falar um pouco sobre a família e sobre as mudanças que todos haviam vivido. Ele destacou o quanto estava orgulhoso do homem que Eduardo havia se tornado — um homem forte e leal, cuja amizade só se fortalecia com o tempo.
Sempre traduzindo para Bernardo, Maria Alice ouvia tudo com admiração, lembrando-se de que Eduardo era uma criança tímida, e agora ficava cada vez mais curiosa para reencontrá-lo.
Ao chegarem ao apartamento de Gustavo, ele foi rapidamente se arrumar, enquanto Maria Alice e Bernardo exploravam o espaço. O apartamento, embora grande e bem organizado, tinha uma decoração minimalista, sóbria, quase austera, que refletia uma personalidade introspectiva e reservada. A falta de cores, no entanto, parecia revelar um certo vazio.
Bernardo, percebendo essa atmosfera, comentou com Maria Alice sobre o quanto achava o ambiente solitário e um pouco melancólico. Ela desviou o assunto, embora entendesse o que ele queria dizer.
Em pouco tempo, Gustavo voltou, agora vestindo roupas casuais: uma calça preta, camisa branca com uma jaqueta jeans e um tênis, que lhe conferiam um ar mais descontraído e jovem. Seu semblante iluminado e entusiasmado contrastava tanto com a decoração do apartamento que Maria Alice e Bernardo trocaram sorrisos discretos.
Curioso, Gustavo tentou descobrir o motivo das trocas de olhares, mas Maria Alice apenas lembrou-o de que já estavam atrasados e que seria indelicado deixar seus pais esperando. Ainda desconfiado, Gustavo decidiu seguir sem questionar, e logo estavam a caminho da casa dos pais.
Assim que chegaram, Helena foi a primeira a receber Gustavo.
— Oi, meu filho! Qual é a surpresa que você disse que traria? É a Maria Alice, não é? Onde ela está? — perguntou Helena, os olhos percorrendo o ambiente em busca dela.
— E onde está minha cunhadinha? — indagou Eduardo, aproximando-se ao lado de Jorge, ansioso.
— Na verdade... a surpresa é dupla — Gustavo respondeu, com um tom misterioso.
— Surpresa dupla? Você quer matar seu velho pai do coração? — reclamou Jorge, tentando disfarçar o nervosismo com um sorriso.
Com um sorriso enigmático, Gustavo saiu da sala e voltou com Maria Alice, que cumprimentou todos com um abraço caloroso. Logo após, ele foi novamente até a porta, retornando desta vez segurando a mão de Bernardo, sem conter a expressão de orgulho e felicidade.
— Família… Este é Bernardo, meu filho — anunciou Gustavo, os olhos brilhando. O choque foi evidente nos rostos de todos. — Ele é surdo, então não escutará vocês, mas ele lê lábios, então basta falar devagar na frente dele.
— Espere, isso é muita informação para absorver! Como assim você tem um filho? — perguntou Eduardo, visivelmente confuso.
— Eu sei que é uma surpresa enorme, mas vamos explicar tudo direitinho — disse Maria Alice, em tom tranquilizador.
— Ah, eu com certeza quero saber tudo! — exclamou Helena, aproximando-se de Bernardo, encantada. — Como assim tenho um neto tão bonito e nunca soube? — questionou, enquanto Bernardo gesticulava algo para ela, que ela não conseguia entender.
— Ele disse que a senhora também é muito bonita — traduziu Maria Alice, sorrindo.
— E ainda é galanteador, igual ao pai! — respondeu Helena, emocionada, enquanto abraçava Bernardo. — Venha, vamos nos sentar; quero ouvir tudo o que aconteceu — disse, segurando a mão do neto e conduzindo-o ao sofá.
Todos se acomodaram, e Maria Alice começou a relatar os acontecimentos, esforçando-se para ser clara e objetiva, embora a história fosse complexa e cheia de emoções. Helena, sentada ao lado de Bernardo, segurava firmemente o braço do neto, como se tivesse receio de perdê-lo, e seus olhos brilhavam com uma mistura de ternura e surpresa, tratando-o como um verdadeiro tesouro que acabara de encontrar.
Mesmo atônitos com as revelações, a família se esforçou para manter a calma, absorvendo cada detalhe até que Maria Alice concluísse sua narrativa.
— E o que vocês pretendem fazer agora? — perguntou Eduardo, rompendo o breve silêncio que se seguiu, ainda assimilando a história.
— Já tenho algumas ideias, mas prefiro que tudo aconteça no tempo certo — respondeu Maria Alice com um sorriso tranquilo, transmitindo confiança. — Estamos tão próximos do Natal e do Ano Novo… acho que devemos apenas aproveitar esse tempo juntos, sem pressa, e nos divertir.
— Então, depois falamos sobre isso — disse Gustavo, trocando um olhar cúmplice com Maria Alice. Os demais concordaram, sentindo a mesma alegria no ar.
Helena, curiosa como sempre, não conseguia conter as perguntas sobre o neto. A cada resposta, oferecia mais comida, preocupada com o fato de que ele parecia magro demais. A manhã passou em um instante, todos imersos na emoção de rever Maria Alice e finalmente conhecer Bernardo, que se encantava com o carinho ao seu redor.
— Vocês poderiam morar comigo agora. Meu apartamento é maior, teria mais espaço para todos e seria bem mais confortável — sussurrou Gustavo para Maria Alice, lançando-lhe um olhar cheio de esperança.
— Vou perguntar ao Bernardo o que ele acha, mas tenho quase certeza de que ele vai gostar da ideia — respondeu Maria Alice, retribuindo com um beijo suave.
Como previsto, Bernardo não se opôs e, após um animado almoço em família, começaram a organizar a mudança. Logo, Maria Alice deu seu toque pessoal ao apartamento de Gustavo, trazendo cor e vida ao novo lar. Ao apresentar Vinícius e sua família aos demais, decidiram juntos preparar um Natal especial para celebrar a nova união que se formava.
A felicidade estava estampada em cada rosto, mas Maria Alice ainda sentia o peso das ações de Berenice, sabendo que não poderia ignorar o que havia acontecido. Então, procurou Chloe e pediu o favor que ela havia mencionado antes, sabendo que seria o próximo passo para acertar as contas com o passado.
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Atualizado até capítulo 63
Comments
Valdercina Rodrigues
Essa falsa amiga da Maria Alice merece um bom castigo, e o pai da Maria Alice também
2025-03-01
8
Vera Lucia Ribeiro De Carvalho
é triste ver quanto que a maldade,inveja pode afastar uma família,triste isso, mas uma surra na Berenice aínda é pouco, ela merece se entender com Deus,e ter um arrependimento muito forte de tudo que fez pra separar a família não adiantou
2025-03-01
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marciamattos mattos
essa cobra invejosa tem que sofrer muito perder tudo que ela conseguiu
2025-03-04
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