— Sua falta de respeito atingiu o limite, longe de ser uma dama de dezenove anos, parece uma criança de cinco anos que não entende as coisas. — reclama Callisto.
Diante dele, estava o Marquês de pé, que havia sido convocado pelo príncipe devido ao que havia acontecido com Marlene e, claro, como muitos viram a cena, ele tinha que repreender o Marquês.
— Lamento o ocorrido, alteza, meus filhos a mimaram muito, mas eu tomarei providências, apenas peço compreensão, ela cresceu no campo e está sendo difícil se adaptar à sociedade da capital.
— Ela tinha catorze anos quando o senhor a adotou, cinco anos e não conseguiu aprender o básico? Se continuar assim, um dia sua adorada filha fará com que cortem sua cabeça. — Callisto olha para o Marquês com um olhar penetrante.
Diante daquele olhar, o Marquês sentiu um arrepio, pois suas palavras foram afiadas o suficiente para fazê-lo entender que, se Marlene viesse a se exceder com sua falta de respeito, causaria problemas maiores com a realeza.
— Vou me certificar de que ela seja devidamente educada, alteza. — Ele abaixa a cabeça em uma leve reverência.
O Marquês sabe que o príncipe pode ser gentil, mas se for provocado demais, pode ser tão vingativo quanto a rainha.
— Espero ver resultados na festa da minha mãe, porque não vou tolerar que ela cause problemas. — ele avisa.
— Claro, Majestade, tudo ficará bem.
Dito isso, o Marquês se retira, assim que sai, solta um suspiro pesado, o clima naquele escritório era sufocante, o príncipe pode ser jovem, mas tem aquela presença imponente que a linhagem dos dragões de Flame possui. Enquanto caminha pelos corredores, ele para repentinamente, a presença de Valerian o deixou pasmo, pois por um momento ele pensou ter visto sua amada Dália quando ela era jovem e caminhava pelos jardins do palácio na companhia de Isabella, a atual rainha. Ele imediatamente reage e caminha rapidamente em direção a Valerian.
— Agora eu entendo, foi você quem fez tudo, não é? Você não se cansa de incomodar Marlene...
— Quem não se cansa de humilhar sua família é Marlene, Marquês. — ela responde imediatamente.
— Não, tudo isso é você...
— É culpa daquela menina mal-educada que o senhor mantém em sua casa, Marquês. — a rainha o interrompe.
Isabella caminha em direção a Valerian e se coloca entre ela e o Marquês.
— Dália ficaria tão decepcionada em ver como o senhor tratou sua pequena, se soubesse de tudo antes, nunca teria deixado a Srta. Valerian aos seus cuidados. — a rainha reclama.
— M-majestade... não sei o que Valerian disse, mas, receio que ela tenha tendência a mentir. — ele se defende.
— Eu acredito mais nela, especialmente vendo o quão injusto está sendo agora. Quem causou problemas foi sua outra filha, que desrespeitou o príncipe e gritou na frente de todos que eles eram amigos, não é algo que uma jovem decente faria. — ela responde irritada.
— Já conversei sobre isso com o príncipe e não se preocupe, Marlene receberá a educação que lhe cabe.
— Já estava na hora. — ela segura o braço de Valerian. — Espero que ela não cause problemas na minha festa ou serei obrigada a puni-la.
Dito isso, a rainha leva Valerian embora, deixando o Marquês sem dizer nada, ele apenas fica lá, furioso com o que aconteceu.
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— Peço desculpas por aquele momento constrangedor, não sabia que o Marquês havia sido convocado por Sua Alteza. — Valerian se desculpa.
— Ele não te contou? Enfim, eu o convoquei para repreendê-lo pela má educação daquela jovem. — e o Marquês deveria agradecer por não estar recebendo chicotadas por sua falta de cortesia, pois em outros reinos são mais severos com esses assuntos.
— Isso explica porque ele se voltou contra mim, como sempre, eu sou a culpada por seus males. — ela suspira.
— Você não é, ele mesmo provoca seus males ao ter aquela jovem com falta de educação básica. — ele a consola.
Para a idade dela, falta educação, mesmo vindo do campo, sendo uma nobre, seus pais deveriam tê-la educado desde tenra idade, principalmente sobre como cumprimentar e se dirigir às pessoas, porque parece que ela nem isso sabe.
— Obrigada, Majestade, o senhor e Sua Alteza têm sido muito compreensivos comigo. — ela agradece.
Valerian estava genuinamente grata à rainha, aparentemente sua preocupação com ela era sincera, mas com Callisto, ela ainda não confiava totalmente, porém, ela esperaria para ver o que ele estava preparando para o baile.
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Na mansão Lacaster, o Marquês chegou furioso, sentia-se humilhado pela forma como o trataram no palácio, e tudo porque passavam o tempo defendendo Valerian. Por um momento ele se acalmou, olhando para o retrato de uma bela mulher loira com profundos olhos azuis que estava na parede de seu quarto.
Esta era Dália, sua amada esposa, a única mulher que ele amou e a razão pela qual ele nunca se casou novamente, mesmo quando seus pais lhe disseram que seus filhos precisavam de uma figura materna, ele os ignorou porque ninguém merecia o lugar de sua amada Dália.
"Eu pensei que você cuidaria dela como um verdadeiro tesouro... você me decepciona, Samuel..." a voz de Dália ecoou em sua cabeça e ele procurou por todo o quarto, mas, ele só viu as flores que estavam em seu quarto murcharem e uma sombra descer do retrato, formando a mesma imagem daquela mulher na pintura.
— D-Dália... — ele fala nervosamente.
"Por quê? Por que você não cuidou dela? Você prometeu... você disse que ela seria seu tesouro, o tesouro que foi formado pelo nosso amor..." sua voz soava em eco e súplica.
— Ela te matou... ela te tirou de mim... — ele se desculpa.
"NÃO! Eu fiz uma escolha, escolhi que ela ficasse, eu nunca poderia ser feliz se ela morresse... eu a deixei para que todos vocês a protegessem e vocês falharam comigo."
A imagem de Dália desaparece, deixando um choro ecoando. Enquanto o Marquês permanecia pasmo com aquela ilusão, sem saber se estava sonhando ou se realmente havia acontecido.
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Atualizado até capítulo 20
Comments
Luana Hale
Nossa não sei se ela desceu/Frown/, mais ela deve tá tão decepcionada e frustrada/Grimace/. confiou em um homem que fassou grande parte de sua vida/Frown/, só pra descobrir que ele não valia /Sob/
2025-02-07
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