Em menos de uma semana já tinha tudo pronto para partir para o campo, as suas malas estavam a ser acomodadas nas carruagens enquanto a Maddy supervisionava tudo. A Marlene, ao ver o que se passava, pergunta logo aos gémeos o que se estava a passar e eles contam-lhe que a Valerian ia para o campo por uma temporada.
— Que magnífico! Eu também quero ir, vamos os quatro! — fala emocionada.
— Se é isso que queres, não vejo porque não. Certo, Einar? — pergunta o Kenai.
— Certo, não creio que o pai se recuse. — responde o Einar.
— Que bem, vamos divertir-nos! —
A Marlene, ao ver a Valerian a passar, corre até ela com um grande sorriso.
— Irmã, tenho grandes notícias! Decidimos ir para o campo contigo, não é emocionante? —
— Então, se vão para o campo, certifiquem-se de que não é na mesma casa. — responde aborrecida.
— Vamos para a mesma, vai ser divertido. — fala feliz. — Ou será que me odeias? — baixa o olhar com tristeza.
— Sim, detesto-te! Vou-me embora porque não te suporto ver e não suporto os gémeos! Porque haveria de querer estar no campo na tua companhia? — pergunta aborrecida.
— Mas eu... eu acho que é melhor em família... — soluça encolhendo os ombros.
— Eu não tenho família. Por isso espero que não vos ocorra ir, não quero a tua presença no mesmo sítio. —
— Valerian, como podes ser tão cruel? A Mar só está a tentar dar-se bem contigo... — ralha o Kenai.
— E por acaso eu lhe pedi? Não me interessa o que ela quer! Se me vou embora para o campo, é para estar longe de todos vocês. — aponta-lhes o dedo.
Os gémeos não esperavam ouvir algo assim da parte da Valerian, ela parecia muito aborrecida.
— Não há dúvida de que és uma mulher desprezível! A Marlene só te está a dar carinho e tu tratas-na mal. —
— Têm razão, sou desprezível! Por isso, é melhor continuarem a manter-se longe de mim, ou a vossa querida Marlene pode sofrer um acidente doloroso. —
A Valerian aponta para a Marlene e, de repente, ela grita caindo no chão. Os gémeos, ao verem isto, aproximam-se dela e veem que há sangue no chão e, quando a Marlene levanta um pouco a saia do vestido, veem que tem um corte perto do tornozelo. Os gémeos olham para a Valerian e esta sorri enquanto mantém um olhar afiado.
— Já sabem, não vos quero perto de mim! Aquela casa foi-me deixada pelo meu avô e não permito que ninguém se aproxime dela. — avisa-os.
A Maddy chega para lhe dizer que tudo estava pronto, por isso a Valerian segue a Maddy até à carruagem, subindo para a mesma. Os gémeos saem e veem as carruagens a afastarem-se. A Valerian nem sequer se despediu deles, nem do Marquês. Os gémeos olham um para o outro, preocupados com o que acabou de acontecer, já que, nos últimos dias, a Valerian tinha mudado muito, pois antes ela aproximava-se em busca da sua atenção e ralhava-lhes quando via que eles só se preocupavam com a Marlene. Isto fá-los pensar um pouco no que se poderia estar a passar, mas o soluço da Marlene chama a sua atenção e eles voltam logo para a ajudar.
O Marquês é informado pelo seu assistente sobre a partida da Valerian. Ele menciona como ela se apressou a preparar as carruagens e como partiu assim que tudo ficou pronto. Isto surpreende o Marquês, pois a Valerian não se tinha despedido dele. Inclusivamente, naqueles dias, ela não tinha ido ao seu escritório para o cumprimentar de manhã como costumava fazer e, naquele dia, não se deu ao trabalho de se despedir, limitou-se a partir.
— Senhor, ainda não é tarde para arranjar as coisas. — menciona o seu assistente.
— Arranjar o quê? — pergunta seriamente.
— Nada, senhor. Com licença. —
O assistente retira-se, pensando que o Marquês e os seus filhos eram injustos. A Valerian tinha sofrido muito com o desprezo deles, sendo ela a filha que a Marquesa tinha deixado, mas, em vez disso, eles davam todo o carinho àquela rapariga que tinha chegado há pouco tempo e que só se aproveitava de tudo.
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A Valerian demorou dois dias a chegar à casa de campo. Esta ficava suficientemente longe do reino e, além disso, era um lugar perfeito para viver com tranquilidade e, ao assumir o controlo da vila, poderia ter uma vida tranquila.
Ao chegar, os poucos criados que estavam na mansão dão-lhe as boas-vindas e a verdade é que ninguém esperava a visita da Valerian, pelo menos não que ela chegasse sozinha. Normalmente, eram o Marquês e os gémeos que chegavam para supervisionar se estava tudo bem, além de que já tinham ouvido dizer que a Valerian não era propriamente a filha de ouro da família.
— Mordomo, preciso que me entregue os livros de administração da casa e da vila. Vou ficar aqui muito tempo, por isso serei eu a tratar das finanças. — informa o homem mais velho.
— Claro, menina. Terá tudo pronto amanhã de manhã cedo. —
— Perfeito! Quanto à gestão da casa, tudo continuará como sempre. E esta é a Maddy, será ela a encarregar-se de mim pessoalmente. —
— Assim será, menina. Seja bem-vinda! —
O mordomo ordena que levem as malas da Valerian para um quarto, além de prepararem o jantar e um banho, para que ela possa ficar confortável.
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Nos dias seguintes...
No palácio do reino, uma mulher na casa dos seus 30 anos caminha pelos corredores, seguida por várias donzelas. Ela é a rainha Isabella Valencia, a rainha de Celes, uma mulher justa, mas também com um toque de arrogância. Ela sabe que, para sobreviver naquele mundo da sociedade aristocrata, tem de ser firme e ter um carácter forte. Por isso, teve uma educação rigorosa desde pequena. Ela vem de Flame, um reino vizinho, um reino conhecido porque a família carrega no seu sangue o legado dos dragões, e foi prometida ao atual rei como forma de levar a paz a ambos os reinos. A Isabella entra numa sala sem bater. Lá estava um rapaz de belos olhos dourados e cabelo preto. Ele está sentado na sala e mostra-se incomodado com a chegada repentina da mulher.
Mas, assim que vê a expressão da mulher, ele levanta-se. Ela, sem dúvida, estava aborrecida, embora ele não fizesse ideia do porquê dessa irritação.
— Acabei de saber que a menina Lacaster não aceitou as aulas dos professores e que te viram muito próximo da filha adotiva do Marquês. — fala a Isabelle.
— Onde foste buscar isso? Sabes que os gémeos Lacaster são amigos chegados, mas, o da menina Lacaster, não sabia. Ela é muito diligente nas suas aulas. — menciona o rapaz.
— Como é que é possível que não saibas? Vais de três em três dias à mansão Lacaster, não falas com ela? — pergunta aborrecida.
— Só às vezes tomamos chá, não falamos muito, e a irmã está sempre presente. — volta a sentar-se, deixando escapar um pesado suspiro. — E ela fala muito.
— Por que razão é que a irmã tem de estar presente? Vais ver a tua prometida, um encontro com ela, não com a irmã. Espero não ouvir rumores, porque sabes que a tua posição como herdeiro não é estável. — avisa-o.
— Compreendo, mãe. Não te preocupes, falarei com o Marquês sobre o assunto. — assegura-lhe.
— É o que espero. — avisa. — Não quero escândalos!
O rapaz levanta-se e faz uma reverência. Ao sair daquela sala, deixa escapar um longo suspiro. Felizmente, a mãe estava calma, porque, se estivesse mais zangada, de certeza que lhe atiraria um vaso. Ri só de pensar nisso.
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Atualizado até capítulo 20
Comments
Susuúh Rosa
essa história é maravilhosa demais,amei 💕 parabéns autora👋🏾😍
2024-12-12
0
monalisa
essa história me faz sentir umas pontadas no coração... amei!
2024-11-28
0
Ruby
é, ainda bem que sabem.
2025-01-20
0