Capítulo 11

Após dois dias de viagem, finalmente chegaram ao reino de Kazay. Como chegaram à noite, primeiro procuraram uma pousada para passar a noite e pela manhã iriam ver os mercadores, com quem falariam sobre a venda da seda. Valerian revisava os documentos sobre a proposta, tudo deveria estar em perfeitas condições para que o negócio fosse aceite.

— Sendo a flor da sociedade de Celes, asseguro-lhe que terá sucesso com este negócio. — Callisto senta-se à mesma mesa.

— Isso saberei amanhã, disto depende que eu possa ter uma boa vida sem depender dos Lancaster. — Franze os lábios.

— É verdade que a sua família não a tratou bem? — Pergunta curioso.

— Você deve saber, é amigo dos gémeos, eles já devem ter-lhe falado do monstro que matou a sua mãe, a marquesa. — Responde Valerian.

Aqueles malditos gémeos foram uma verdadeira peste na vida de Valerian, mesmo assim ela tentou que os seus irmãos a vissem com carinho, que absurdo.

— Nunca me disseram nada assim e se você não falar com sinceridade, eu jamais poderia saber. Pensei que você apenas não aceitava a sua prima como uma irmã. —

— Há mais do que isso, mas sim, jamais aceitarei aquela tola como minha irmã, por isso, tenha isso em conta mais adiante e apenas mande-me assinar os documentos de ruptura. — Fecha a pasta.

Estava prestes a levantar-se, mas Callisto segura-lhe a mão e pede-lhe que se sente novamente.

— Que ruptura? Acho que está a adiantar-se a coisas que não aconteceram e não acontecerão. Você será minha esposa, disso eu mesmo me assegurarei. — Responde com firmeza e segurança.

— Veremos se continua a dizer isso mais tarde, quando estiver encantado com Marlene Lancaster, afinal de contas, ela não lhe é indiferente. — Encolhe os ombros.

Valerian levanta-se novamente, mas Callisto puxa-a pela mão, fazendo com que a loira perca o equilíbrio e caia sobre o colo do príncipe. Ele aproveita a oportunidade e segura-a pela nuca, aproximando o rosto do dela ao recostá-la um pouco sobre a mesa.

— Aquela menina não me interessa, se a tratei bem foi pelos gémeos, mas, vontade de lhe partir a cara, não me faltou. —

Valerian não teve oportunidade de reagir, mas ouvir as palavras de Callisto deixou-a estupefacta, realmente não esperava que ele se expressasse assim de Marlene.

— Quero ouvi-la, diga-me o que a família Lancaster lhe fez, diga-me para os destruir e eu fá-lo-ei... — Os seus olhos fitam fixamente os olhos azuis da loira.

Valerian estava praticamente em choque com as palavras de Callisto e isso fez com que o seu coração voltasse a dar um salto, mais uma vez comprovando que o príncipe era uma fera com desejos de a devorar.

— Eu já disse, para eles eu sou o monstro que os deixou sem mãe, aquela que baniram da família e deixaram ao abandono durante anos, cresci com uma ama e nunca me permitiram estar perto deles, isso é tudo o que precisa de saber. — Responde Valerian.

Ao ouvir isso, Callisto olha para ela com preocupação e puxa-a contra o seu corpo para a abraçar contra o seu peito, acariciando o seu cabelo dourado.

— Vou destruí-los... se você me pedir, sem dúvida o farei... — Promete.

Valerian permaneceu em silêncio, mas Callisto estava irritado, como era possível que os gémeos dissessem algo assim à sua própria irmã? Enquanto à sua prima, que o seu pai acolheu, tratam como se fosse o tesouro da família. Agora ele entendia porque é que aquela menina procurava aproximar-se dele, certamente os Lancaster queriam que ele escolhesse Marlene e deixasse Valerian, seria por isso que Valerian não confiava nele? Sem dúvida que devia ser isso, por isso é que ela tinha a certeza de que ele a deixaria. Mas não, isso nunca iria acontecer, porque é que a deixaria? O pouco tempo que passou com ela bastava para saber que Valerian era a pessoa com quem ele se podia casar, em quem podia confiar e que seria uma rainha que a nobreza respeitaria.

Valerian quebra o abraço, afastando Callisto um pouco, pois já se estava a sentir sufocada. Callisto passou as mãos pelas faces da loira, estava desejoso de a beijar, mas não podia fazê-lo, não queria que ela desconfiasse ainda mais dele.

— Acho que é melhor eu ir descansar... — Pede ela.

Callisto solta-a e Valerian levanta-se, finalmente estava livre.

— Sim, é melhor... —

Valerian pega na pasta da sua proposta e retira-se rapidamente. Ao chegar ao seu quarto, deixa escapar um pesado suspiro, realmente não esperava esse tipo de confissão da parte do príncipe, destruir os Lancaster? Callisto faria mesmo isso por ela? Valerian esboça um sorriso maroto, se fosse assim, talvez devesse aproveitar, mas, e se fosse apenas uma armadilha? Ainda não podia confiar nele, não podia deixar-se levar apenas pelas suas belas palavras e porque era um homem atraente.

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— Como é que eles lhe puderam fazer uma coisa dessas? — Diz furioso. — Agora percebo porque é que ela desconfia, deve ter pensado que eu sabia de tudo.

Callisto estava zangado consigo mesmo por não ter prestado mais atenção àquela família e supõe que Valerian nunca confiou em ninguém e por isso nunca lhe tinha contado.

[Faz o que disseste, destrói-os, assim a tua princesa confiará em ti.] Recomenda Sohel.

— Claro que sim, e asseguro-te que quando a minha mãe souber, também vai querer destruir essa família. —

Callisto sabe perfeitamente que a sua mãe aprecia Valerian, é como a filha que não pôde ter, afinal de contas, só pôde dar à luz dois rapazes, ele e o seu irmão mais novo, que até agora se tem mantido afastado do reino.

°°°

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Comments

Souza França

Souza França

a próxima vítima da Marlene!🙄

2024-12-30

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