Capítulo 17

Valentina

Nem uma mensagem de texto.

Nem uma ligação.

Absolutamente nada.

Eu esperei, mas confesso que na primeira semana eu já sabia que ele não ligaria.

Se passaram duas semanas, e nem mesmo o cara mascarado apareceu para me atormentar.

Isso deveria te me deixado aliviada, mas não, pois quase todos os dias, enquanto eu caminhava para estação de trem, tinha a sensação de estar sendo observada. Eu olhava em volta e procurava, mas não via nada. Se aquele cara estiver mesmo me vigiando, de alguma forma ele sabe se camuflar bem.

Por isso, que com os dias se passando, eu decidi ir na festa, que o diretor do hospital daria. Como está na época do Halloween, ele decidiu fazer nessa temática, reunindo funcionários, médicos e enfermeiras. Ainda terá a presença de investidores e patrocinadores, isso tudo ele disse na reunião que fez com todos, mas deixou claro que podíamos nos divertir.

Então é isso que vou fazer! Se eu encontrar outro cara que me interesse, irei tirar Lorenzo de uma vez da minha cabeça.

Olho para meu visual, o batom preto contrastando com a roupa também preta. A fantasia de wandinha, foi a única que consegui encontrar em cima da hora.

O carro de aplicativo chega e entro. Lana ofereceu a casa dela para eu dormir se quisesse, a festa vai terminar tarde e seria perigoso voltar sozinha, mas eu neguei. De jeito nenhum que vou incomodar.

O carro para no local do evento, entrego meu convite na porta e entro. Já está bem cheio. Começo a olhar em volta admirando os tipos de fantasias. Tem vários com a fantasia do ghostface. Outros com a clássica roupa de esqueleto e outras, com apenas o jaleco de enfermeira sujo de sangue falso. Sério? Alguns não tem criatividade.

Tem fantasia de todo o tipo. Ando mais um pouco, até me aproximar da mesas de bebidas. Pego um copo descartável e encho de cerveja direto do galão.

Por um momento, sinto que estou sendo observada. Olho em volta e vejo apenas as pessoas dançando e algumas conversando. Isso deve ser coisa da minha cabeça. Será que se aquele mascarado nunca mais aparecer, eu irei conseguir ter uma vida normal, sem ter a sensação de estar sendo vigiada?

Observo as pessoas, e vejo Lana dançando com Edward seu marido. Eu vi ele poucas vezes, mas sei que ele é médico, só não trabalha no mesmo hospital conosco.

Penso em me aproximar, apenas para dizer que eu vim. Mas, deixa, eu não gosto de incomodar e sempre acho que estou incomodando.

Fico parada apenas olhando as pessoas. Achei que conseguiria me animar, mas não. Pego meu celular da bolsa pequena e olho as horas. Ainda são oito horas.

Quando guardo meu celular, vejo alguém se aproximando. Levanto meu olhar para ver quem é, e vejo um cara com fantasia de vampiro na minha frente.

— E aí, você é Valentina, não é? Que fica na área de coleta? — ele pergunta e eu tento reconhecer quem é.

— Sim, sou eu mesmo. Não tô conseguindo lembrar de você.

— Me chamo Vicenzo, eu fico na enfermaria da emergência. Já te vi algumas vezes pelo corredor. — forço minha memória e lembro dele vagamente.

— Me lembrei de você.

— Tá acompanhada? — ele pergunta agora em forma de flete.

— Tô sozinha. Vim apenas me divertir um pouco.

Ele leva o copo de bebida a boca e não sei porque, olho para sua mão.

Mão pequena, dedos finos.

Mesmo que fora da fantasia, eu saiba que ele é bonito. Não consigo sentir nada, nenhum tipo de atração, nem vontade de dar brecha para seu frerte.

— Isso é bom, Valentina. Podemos nos divertir juntos.

Ele se aproxima mais de mim, no mesmo instante que meu celular começa a tocar.

— Só um minuto. — falo me afastando dele, que parecia querer vim para cima me agarrar ou algo assim.

O celular para de tocar quando eu o pego.

–Chamada perdida de número desconhecido–

Franzo o cenho e quando iria guardar, chega uma mensagem.

✉️Mande esse homem sair de perto de você.

Meu coração dispara. Pois pelo histórico das mensagens anteriores, eu sei que é ELE.

Olho para o pessoal assustada. Ele está aqui? Como isso é possível?

— Algum problema, gata?

— Preciso ir, desculpa.

Saio correndo e vou para o jardim do lugar, para chamar algum carro e ir embora daqui. Minhas mãos começam a tremer, sem que eu consiga evitar.

Sinto novamente, aquela sensação de estar sendo observada e quando olho para trás, vejo um homem com a fantasia do ghostface, mas diferente da fantasia original que é o roupão com a máscara. Ele está usando calça preta, um moletom com capuz preto e a máscara do ghostface.

É ele.

Ele vem andando na minha direção e eu saio correndo.

— O que você quer agora? — pergunto ainda correndo.

Mas paro. Percebendo que eu corri para o lugar errado e vim parar no lado do jardim, onde não tem ninguém e nem saída.

Ele vem se aproximando e eu me encosto na parede.

— Eu disse que iria aparecer, se não se comportasse.

Sua voz ecoa. Ele para na minha frente e eu continuo paralisada.

— Eu não fiz nada de errado.

— Fez sim. Deixou que outro homem se aproximasse de você.

O que há de errado com esse cara?

— Além de ser um louco, que mexe com minha cabeça. Quem você tá pensando que é?

— Seu dono.

Apesar do medo, eu sinto vontade de rir.

— É por isso que não me matou? Porque criou algum tipo de obsessão por mim?

— Da próxima vez que outro homem se aproximar de você, irá dizer que já tem dono.

— Tá achando que eu sou alguma, masoquista? Eu nunca vou me interessaria por um homem que me tortura psicologicamente, e o pior de tudo, que eu nunca vi o rosto.

Ele vira de costas para mim, parecendo até que o que eu disse lhe afetou de alguma forma. Olho para o céu, rindo igual uma louca.

As vezes acho que isso tudo é uma ilusão, uma fantasia da minha cabeça e a qualquer momento eu vou acordar e vê que nada é real.

Quando abaixo minha cabeça para olhar para frente, vejo que ele já está bem distante de mim. E eu rio mais ainda.

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Comments

Letícia Leal

Letícia Leal

PARABÉNS AUTORA SUA LINDA E MARAVILHOSA COMO SEMPRE AS SUAS HISTÓRIA SÃO SHOWCRIVEL MARALINDA TDB

2024-12-31

0

Beatriz da Encarnaçao (Custódio)

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Quando ela souber que os dois homens na verdade é a mesma pessoa ficará decepcionada

2025-01-05

0

MRSLinsprincesadoReiJesus

MRSLinsprincesadoReiJesus

Olha aí o sentimento e atitude de posse e de possessividade kkkkkkkkkk kkkkkkkkk kkkkkkkkkk já está de 4 por ela e ainda não sabe kkkkkkkkkk kkkkkkkkk kkkkkkkkkk

2024-11-16

1

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