Capítulo 09

Valentina

Não consegui dormir direito. Após aquele homem sair, eu fiquei apavorava, com a sensação que ele desistiria da idéia de me deixar viva e apareceria para me matar.

Vi o dia clarear, e cochilei um tempo antes de acordar finalmente. Ao me levantar, me olhei no espelho, meus olhos cheios de olheiras chegava a ser deprimente. Visualizei o corte no meu pescoço, que já havia criado uma película, foi um corte parecido com um arranhão, mas se aquele cara tivesse aprofundado mais o objeto cortante, teria me cortado profundamente e eu sangraria até a morte.

Chego a me arrepiar com a idéia, mesmo que eu não ligo se ele realmente ainda quiser me matar.

Me arrumo e faço minhas higiene como de costume, após isso saio para enfrentar mais um dia de trabalho, sem saber se ficarei viva por muito tempo.

***

Seis horas da tarde! Antes de sair do meu turno, a idéia parecia tão tentadora e sensata.

Mas, agora, parada em frente a um complexo de delegacia, eu me pergunto o que vim fazer aqui?

O que eu diria?

"Alguém invadiu a minha casa e me ameaçou...mas..."

"Fala sério, você vai dizer que participou de um assalto, roubando gente da pesada que você não tem noção de quem sejam? Por isso, agora estar na mira da morte?"

Minha própria mente me questiona e percebo que essa foi uma idade estúpida, não tenho para onde fugir, talvez aceite o meu destino.

Por que eu não bati o pé e disse não ao Henrique?

Por que eu não perguntei, onde eu estava me metendo antes de fazer o que fiz?

Será que mesmo se eu não tivesse participado, ainda viriam atrás de mim, por ser irmã de quem roubou? Talvez essa merda desse no mesmo, e eu acabaria morta do mesmo jeito.

Dou meia volta e caminho procurando um ponto de ônibus. Geralmente o metro é mais rápido, mas acabei vindo parar bem longe da estação. Quando chego no ponto, meu celular notifica uma mensagem. Quando pego para ler, minhas mãos começam a suar.

✉️ Você achou que eu estava brincando? O que diria a polícia?

A mensagem vindo de um número desconhecido, me faz ter certeza de quem seja. Me encosto na parede mais próxima, sentindo que posso cair a qualquer momento.

✉️ Não esqueça que estou de olho em você.

As mensagens me deixam atordoada. Me dando uma sensação esquisita de estar sendo vigiada.

Ele quer mexer com a minha cabeça, testar meu psicológico. Eu vou acabar ficando louca.

Minhas vistas embaçam, devido as lágrimas que se acumularam. O ônibus vem e entro de vez, recebendo olhares estranhos em minha direção.

Talvez eu esteja parecendo uma louca, que está vendo alucinações, olhando de um lado para o outro, como se alguém estivesse me acompanhando.

No percurso para casa, tento me acalmar. Encosto minha cabeça no vidro do ônibus, e vou o caminho inteiro assim. Quando chego, as ruas como de costume estão desertas, nunca tive contato com os vizinhos dessa rua, pois assim que começa a anoitecer eles se recolhem, eu diria que aqui seria um ótimo lugar para fazer cenas de filme de terror.

Quando chego na porta de entrada, me assusto com a silhueta masculina no completo breu.

Algo brilha em sua mão, percebo ser uma faca ou um estilete. Fico parada sem conseguir mover um músculo que seja, ele guarda o objeto e se aproxima devagar parando na minha frente. Só agora, percebo o tanto que eu pareço uma ovelhinha indefesa na sua frente. Eu sou baixa, com meus um metro e sessenta, e ele deve ter um e noventa.

— Eu disse para se comportar, não disse? — sua mão vem para o meu queixo levantando na direção do seu rosto, sinto o áspero da luva contra a minha pele.

Tento ver mais do homem a minha frente, mas não consigo ver nada. A balaclava que ele usa, tampa até o seu nariz, o boné faz sombra tampando a visão do seus olhos. Suas roupas são totalmente pretas, ele ainda usa um moletom preto com capuz por cima do seu boné.

Me assusto quando ele me agarra pela cintura me suspendendo do chão e praticamente me joga em seus ombros.

— Me solta! O que vai fazer comigo? — me esperneio em seus braços.

— Se chamar a atenção dos vizinhos, sua punição será maior.

— Punição?

Ele fica em silêncio e anda comigo até os fundos da casa, me coloca no chão de frente para a mata sombria.

— Corra! — ele ordena, no mesmo momento que o vento assobia arrepiando minha pele.

— C-correr? — gaguejo, encarando a mata escura iluminada apenas pela luz da lua.

— Corra, Valentina. Me mostre o quanto está disposta a lutar por sua vida.

Bufo.

— Você só pode estar blefando. Eu não ligaria se me matasse agora mesmo. — falo me virando para ele, mas engulo em seco quando vejo uma arma apontada na minha direção.

— Será mesmo? — ouço o estalo do engatinhar e minhas pernas tremem. — corra!

Após sua fala, minhas pernas entendem o comando automaticamente, saio correndo mata a dentro, galhos arranham meus braços, só não acontece o mesmo com minhas pernas, por eu estar de calça. Sinto os passos pesados correndo atrás de mim.

Que tipo de jogo esse cara quer jogar comigo?

Corro

Corro

Corro

Sem saber quantos metros eu já percorri, mas sinto o cara mascarado no meu encalço. Olho para trás e esse simples movimento é o meu fim, tropeço em algo, meu corpo é lançado para frente e sinto a dor aguda do meu joelho sendo rasgado junto a minha calça.

Me deito no chão gemendo de dor. No mesmo momento, braços passam por baixo de mim e eu sou pega no colo.

— Eu só queria chegar em casa, tomar banho, comer alguma coisa e descansar. Não estava nem um pouco a fim de brincar de, pega-pega. — reclamo e ele acelera os passos, quase correndo comigo no colo.

Qual é a desse cara?

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Comments

Luana Mddm

Luana Mddm

/Shy/

2025-02-11

0

Maria Josė Pedro Antunes

Maria Josė Pedro Antunes

Está muito bom!

2024-12-29

0

ana

ana

amando cada capítulo

2024-11-05

2

Ver todos

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