Capítulo 08

Valentina

Continuo calada, pensando no que posso responder.

— Eu vou simplificar para você. Seu irmão participou de um roubo milionário ontem. Alguém do grupo, invadiu sistemas de segurança e, advinha? Usaram o seu computador.

Me assusto com a riqueza de informações e fico com mais medo ainda. Eu fiz tudo certo, para não ser descoberta. E agora estou sozinha, assumindo uma culpa por ter ajudado meu irmão.

— Como descobriram isso? Como souberam que o computador era meu? — essa pergunta deveria ser feita em pensamento, mas pensei alto demais.

— Eu que faço as perguntas aqui.

Ele me vira de frente para ele, imobiliza minhas mãos acima da cabeça com uma mão, e coloca a outra mão no meu pescoço. Um fresta de claridade entra na casa, percebo que ele usa uma balaclava no rosto, está de boné e roupas totalmente pretas, fora as luvas. Ele me imobilizou, mas esqueceu que fiquei com as pernas livres após ele me virar de frente. Dou um chute no meio de suas pernas, ele me solta e se curva gemendo de dor. Aproveito a oportunidade e corro até a porta de entrada, no entanto, ele consegue me alcançar novamente.

— Não pense que vai tirar alguma vantagem, se não responder minhas perguntas. Vai ser pior para você.

Ele imobiliza novamente minhas mãos para trás e volta a me pressionar na parede.

— Escolheram as pessoas erradas para roubar. Hoje mesmo, dois dos integrantes já foram mortos, falta apenas dois. Existe outro integrante, que foi o que invadiu os sistemas, e você que irá me dizer quem é.

Meu coração que está numa velocidade absurda de tão acelerado, parece ter parado, ao ouvir o que ele disse. Será que meu irmão não atendia minhas ligações, porque... Não! Henrique não pode estar morto.

— Qual dos integrantes estão mortos? Fala!! — pergunto e minha voz sai embargada.

— Já disse que você não pergunta nada, é questão de tempo, até todos estarem mortos e você também, por saber demais.

As lágrimas começam a descer silenciosamente por meu rosto.

— Se veio até aqui para me matar, o que está esperando!? — falo com a voz alterada.

Espero uma resposta, mas tudo que recebo é o silêncio. Que é interrompido, apenas por meus soluços de choro, não consigo evitar, é um choro que estava entalado há um bom tempo. Minha vontade era de gritar e pedir para esse homem me matar de uma vez.

— Leon e Francesco.

— O quê? — pergunto sem entender.

— Os dois que foram mortos hoje.

Ele responde e fico confusa. O que está acontecendo aqui? Por acaso, o homem que veio me matar, se comoveu com o meu choro?

— Seu irmão não foi morto ainda, mas isso não tira o futuro que o espera. A única coisa que quero saber, é quem usou seu notebook, para invadir a segurança?

— Ninguém usa aquele computador além de mim. Foi um presente da minha mãe. — confesso, já que vou morrer não adiantaria mentir. Para ele saber que o notebook era meu, com certeza o invadiram e mexeram nas minhas coisas.

— Então foi você... — sussurra, como se dissesse para ele mesmo.

— Eu não sabia de nada que aconteceria, nem o que seria roubado, apenas fiz um favor que me pediram.

— Acha que vou cair nesse papo?

— Já que vai me matar, estou lhe dizendo a verdade. — digo, cansada. — Me mate logo.

Tudo fica em silêncio novamente, ele continua me pressionando na parede e minhas pernas começam a ficar dormentes.

— Odeia tanto assim a sua vida?

— O quê? — fico confusa em onde tudo isso irá chegar, por um momento, percebo que o medo está diminuindo e minha respiração vai se estabilizando.

— Está praticamente implorando para morrer. — ele diz e é a minha vez de ficar em silêncio por um tempo.

— Tanto faz. — falo e mais uma vez o silêncio preenche o lugar por uns minutos

— Tudo que fazemos nessa vida, há consequências. Se estiver mesmo dizendo a verdade, sobre não saber onde estava se metendo, saiba que você se ferrou legal. Hoje, talvez seja seu dia de sorte, pois irei te dar uma chance, você não morre hoje, mas estará para sempre marcada por mim. Eu saberei cada passo que você der. Saberei tudo que fizer, irei está te observando o tempo inteiro, pode acreditar em mim, eu saberei de tudo.

Ele me solta e se afasta e eu fico sem entender nada. Me viro para ele, que fica parado no completo escuro, vejo apenas sua silhueta masculina.

— Porquê tá fazendo isso!? Me mate logo! — grito histérica, e num movimento sem pensar eu vou para cima dele com o objetivo de socar-lo, mas com uma facilidade impressionante ele segura meus pulsos no ar.

Por acaso esse cara enxerga no escuro?

— Considere como uma período de teste, apenas para que eu decida o que farei com você. Tudo vai depender de você, eu posso voltar a qualquer momento.

Ele solta meu braços me dando um breve empurrão, caio sentada e ele some pela janela, que eu nem percebi que estava aberta.

No chão mesmo fico e abraço meus joelhos, chorando sem parar. De repente, as luzes ligam e parece que o medo volta com tudo. Me levanto rapidamente e saio fechado a janela e verificando se está tudo fechado, vou até o espelho do meu quarto e vejo um corte superficial no meu pescoço.

Minhas mãos tremem, parece que somente agora eu caio na real do que realmente aconteceu e o quão ferrada eu estou. O que aquele homem disse, não sai da minha cabeça.

Em meio ao choro e o medo eu tento dormir.

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Comments

Luana Mddm

Luana Mddm

/Sob/

2025-02-11

0

ana

ana

🧡🤍🧡🤍

2024-11-05

1

Elenita Treptow

Elenita Treptow

A gente arruma os verbos sem problema a estória tá boa vamos continuar tá legal

2024-11-02

0

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