Capítulo 16

Valentina

Depois de trocar de roupas. Verifico se as marcas de chupões no meu pescoço estão bem disfarçadas. Sorrio lembrando do meu final de semana.

Cretino!

Foi o que eu falei quando cheguei em casa, e vi as marcas que pareciam ter sido feitas de propósito por ele. Sorrio lembrando disso novamente.

— Olha só, que sorriso é esse? Viu algum passarinho verde por aí? — Lana brinca e eu sorrio guardando minha bolsa, já pronta para trabalhar.

— Talvez. — deixo o mistério no ar, e ela abre a boca surpresa.

— É alguém daqui do hospital?

— Não, claro que não. Não é nada demais, saímos apenas uma vez esse final de semana.

— E vocês vão ficar saindo? — pergunta curiosa.

— Não sei, não consegui pegar o número dele, pois meu celular descarregou, então ele pegou meu número e disse que ligaria. Mas se ele não ligar, está tudo bem também. — falo, mas confesso que espero sua ligação.

Não seja tão boba!

Me reclamo mentalmente, por me sentir frustrada só pela ideia dele não ligar.

— Vamos trabalhar.

— Espera, me conta mais um pouco sobre o cara misterioso. Ele tem pegada?

— Para, eu não vou te falar sobre isso.

Saio andando e ela fica insistindo para eu falar. Eu falo que não vou dizer nada. Chegamos a nossos postos de trabalho e trabalhamos a manhã inteira.

No horário de almoço, Lana diz que vai almoçar comigo. Ela casou recentemente, e geralmente seu marido vem buscar-la para almoçarem juntos. Hoje ele não vem, então me sinto animada por ter alguma companhia para o almoço.

— Antes, vamos passar na farmácia comigo? Preciso comprar uma pílula do dia seguinte, eu e o Edward, não queremos ter filhos agora e eu ainda não comecei a tomar o anticoncepcional. — Lana pergunta, mas eu paraliso.

Merda. Merda. Merda.

Como pude ser tão irresponsável? Como me esqueci que a última vez que fomos na madrugada, ele não usou nenhum preservativo? Esse foi um dos momentos mais gostosos, eu tinha acordado de madrugada, meu corpo já tinha descansado e eu não sentia mais ardência. Desde o começo foi bom, mas esse foi o momento que a penetração foi mais gostosa para mim.

Tão gostoso que eu esqueci do mais importante.

Irresponsável.

O pior de tudo, é que já fazem mais de quarenta e oito horas. Se eu tomar uma pílula agora, pode não fazer efeito mais.

Merda!

— Por que está com essa cara? — Lana pergunta e eu a puxo pelo braço.

— Vamos logo, vou ter que comprar uma para mim também. — ela me olha assustada.

— Você...

— Xiu, não fala nada.

Ela me julga com o olhar, eu também me julgaria. Ela está comprando uma pílula do dia seguinte, mas é casada, para ela será tranquilo se engravidar por acidente. Já eu? Não posso.

Passamos na farmácia perto do hospital e compramos a pílula, lá mesmo eu compro uma água e enfio o comprimido guela abaixo.

Faça efeito, por favor!

Caminhamos para o restaurante que também é perto do hospital. Pedimos a macarronada deliciosa que serve aqui.

— Em duas semanas é a festa do halloween, já decidiu se vai? — Lana pergunta.

Me pego pensando se o Lorenzo aceitaria ir comigo, se eu o chamasse.

Por que estou pensando tanto nele!

Não seja iludida, Valentina, você não sabe nem se ele vai te ligar.

— Talvez eu vá.

— Se for me avisa, podemos nos arrumar juntas na minha casa.

— Não se preocupe, não vou lhe incomodar.

— Não é incomodo nenhum, boba. O Edward não liga, ele sabe que você é minha amiga.

Apenas sorrio, eu não me sentiria confortável incomodando ela e o marido. Fico me perguntando como deve ser ter alguém para dividir a vida. Lana parece tão feliz, ela é tão de boa com tudo.

Ela é dois anos mais velha que eu, será que daqui há dois anos, eu também estarei casada?

Daqui há dois anos, você pode não está nem viva.

Os pensamentos intrusivos seguem me atormentado e eu respiro fundo.

Depois de comermos, voltamos ao trabalho e mais um dia se finaliza. Chegou a hora de voltar para a vida de incertezas, que agora me pertence.

***

Quando abro a porta de casa, deixo minha bolsa cair no chão, com o susto que tomei ao ver a fisionomia de um homem sentado no meu sofá.

Droga! Quando isso irá acabar?

Ele se levanta e vem até mim. Por conta do medo, eu não consigo ter nenhuma reação.

— O que você quer agora? — pergunto e mesmo que eu não veja nada do rosto dele, nem mesmo os olhos, sei que ele me encara.

— Qual a sua intenção com o cara que saiu esse final de semana?

— O quê? — fico confusa com sua pergunta.

Começo a ficar apavorada. Esse cara está mesmo me vigiando por aí, sabendo cada passo que dou.

— Você vai ir atrás dele de novo? — Ele pergunta com uma voz grossa.

Eu sempre achei que tinha algo de errado com a voz dele, é como se ele estivesse imitando um locutor.

— O que pretende fazendo essas perguntas? Sabe o quanto é aterrador, saber que tem alguém me vigiando por ai?

— Só responda a pergunta!

— Não eu não vou! Eu fui atrás dele a primeira vez, agora eu não vou mais.

— Fique longe dele, ele não presta!

— E você por acaso o conhece? — pergunto, mas ele simplesmente passa do meu lado e sai pela porta.

Olho pela janela e vejo ele passando andando pela rua. Sinto vontade de aparecer na porta só para ver para onde ele vai, mas não consegui me mexer do lugar por um tempo.

O que foi isso que acabou de acontecer?

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Comments

Vaniza Goncalves

Vaniza Goncalves

sabia que ele ia fazer isso 🤣🤣🤣

2025-01-28

0

Patricia Sousa

Patricia Sousa

oxente agora vai ficar só aparecendo como fantasma é meu amigo 🤔🙄

2024-12-16

1

ana

ana

eitaaaaa

2024-11-06

0

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