Valentina
Não sei onde estava com a cabeça, quando aceitei isso. Foram dois dias, com meu irmão enchendo meu saco.
— Está pronta? — meu irmão pergunta, e eu volto a realidade.
— Não.
Estralo meus dedos e mexo minha cabeça de um lado para o outro, chacoalho meus ombros, para tentar relaxar. Levo meus dedos até às teclas do notebook e começo a mexer em alguns sistemas.
— Não precisa ficar tensa, você é boa, vai dar certo.
Olho para ele o fuzilando com o olhar, que hipocrisia me dizer essas palavras, como se o que estamos fazendo fosse algo normal e não um crime.
— Olha, eu vou repetir mais uma vez, depois de hoje não me coloque mais no meio das suas coisas.
— Tá, eu já sei.
Respiro fundo, sentindo o sangue correr rápido nas minhas veias, a todo momento penso na minha mãe, ela trabalhou e se esforçou tanto por nós, não merece ter filhos criminosos. Minha consciência pesa.
Os meus dedos trabalham nas teclas em alta velocidade, disputando com a velocidade que meu coração está batendo agora. Abro e fecho sistemas, até chegar ao meu objetivo, eu não posso errar, ou serei descoberta.
Paro um pouco olhando para o retrovisor do carro. Porque, além de ter que invadir câmeras de segurança, eu tinha que estar presente no local do crime. Que grande merda!
Aproximadamente dez minutos se passam, o silêncio preenche o carro, sendo interrompido apenas por o barulho do meus dedos batendo freneticamente nas teclas. Meu irmão está com outro notebook, recebendo comandos do que acontece lá dentro. Mais alguns minutos se passam e um caminhão passa por nós.
— Conseguimos. Vamos embora. — diz meu irmão, sorrindo igual um psicopata.
Pisco algumas vezes, caindo na real do que acabou de acontecer.
— Aquele caminhão...
— Sim, era. — ele responde enquanto dar partida no carro, entendendo minha pergunta.
— Droga! O que tinha lá dentro?
— Armas.
— ARMAS? — Berro. Sentindo um alarme soar dentro de mim. — Um caminhão cheio de armas?
— Tá tranquilo, já deu certo. Isso dá muito dinheiro por aqui, já temos quem vai comprar tudo. Vai entrar muita grana.
Engulo seco, com a adrenalina aumentando em meu corpo. Por que não tive a brilhante ideia de perguntar, antes de aceitar?
Meu irmão dirige, e eu só penso em chegar em casa e deitar na minha cama. Ele dirige por umas ruas diferentes, mesmo não conhecendo muito daqui, sei que não é o caminho de casa.
— Para onde está indo? — pergunto.
— Relaxa irmãzinha, vamos apenas curtir um pouco.
— Não! Me leva para casa, ou me deixa em algum lugar, que eu chamo um táxi.
— Para com isso, é noite, as ruas são perigosas, não vou deixar você sozinha esperando um táxi. Vai ser apenas alguns minutos.
— Não, eu não quero! — digo determinada, ameaçando abrir a porta do carro em movimento.
— Caramba! Quando se tornou tão chata? Será apenas alguns drinks e vamos embora.
Ele estaciona, parando em frente de um estabelecimento com uma placa grande iluminada. As ruas estão desertas. Quando entramos vejo que o lugar não é estruturado, parece um bar de beira de rua, tem vários homens bebendo, uns até sem camisa. Tem dançarinas semi nuas exibindo seus corpos no palco, tem umas duas mulheres bebendo também, além de mim.
— Que belo lugar você me trouxe. — reclamo ironicamente, sabendo que ele não vai me levar para casa e nem deixar eu ir de táxi.
— Para de reclamar! Vou tomar uns drinks, fique onde eu possa ver.
Ele diz e simplesmente se afasta, indo para perto de um grupo de pessoas. Olho em volta, e ando até o balcão de bebidas, me sentando num banquinho.
— Uma cerveja, por favor. — peço, ao homem que está aqui. Ela é um coroa com a cara amarrada, ele não diz nada e após alguns minutos, me entrega uma garrafa de cerveja e um copo.
Me sirvo e, antes de levar o copo a boca, olho em volta procurando por meu irmão, que bebe rodeado de mulheres. Mapeio o lugar mais um pouco, até meus olhos pararem em um homem, sentado numa mesa sozinho, ele olha para o copo com bebida, perecendo estar triste. Não consigo desviar o olhar, até perceber que é o cara que atendi há dois dias atrás.
Diferente de quando o atendi, ele está com roupas simples, um casaco moletom cinza e uma calça preta, seus cabelos que naquele dia estavam bem arrumados, hoje estão uma bagunça, como se ele tivesse saído de casa de qualquer jeito. Acho estranho, pois não preciso saber quem ele é, para entender que ele deve ter muito dinheiro, ou ser filho de pais muito ricos.
Primeiro: O hospital que trabalho é particular, atendendo somente pessoas de alto padrão.
Segundo: Ele usava um Rolex que eu diria valer muito dinheiro, fora os anéis de ouro e prata que esboçava em seu dedo.
Então não entendo, o que um cara como ele, estaria fazendo nesse lugar, um bar meia boca, cheio de bêbados e gente pobre.
Volto a realidade quando percebo que estou o encarando demais, ao ponto dele perceber que estar sendo observando e olhar na minha direção. Ele me encara, parecendo surpreso, talvez tenha me reconhecido. Seus lábios se formam um sorriso, malicioso. Agora tenho certeza que ele me reconheceu, pois tinha flertado comigo abertamente aquele dia.
Viro rapidamente para frente, e tomo um gole da cerveja. Homens são todos iguais, preciso ter isso em mente e não chegar perto de mais nenhum.
— Mulheres como você, não deveria frequentar lugares como esse.
Pelo seu sorriso, eu já devia ter entendido que ele viria até mim.
— Você não me conhece. — falo, o encarando.
— Talvez eu esteja interessado em conhecer.
— Desculpa, eu não estou interessada. — o dispenso e me levanto, saindo dali.
Para mim já deu por hoje. Chamo meu irmão e ele estar tão bêbado, que me diz que posso ir e deixar ele lá.
Fico com tanta raiva, que saio a procura de algum carro. Eu nem sei onde estou. Droga.
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Atualizado até capítulo 60
Comments
Luana Mddm
pelo irmão vc
2025-02-11
0
Luana Mddm
kkk
2025-02-10
0
Vaniza Goncalves
acho que ele tá roubando a mafia do s Bianchi e isso não vai prestar 🤣🤣🤣
2025-01-27
1