Capítulo 05

Lorenzo

Um dia me disseram, que quando você pensa demais em algo, tende a aparecer sempre para você. Por exemplo: Se você estiver querendo comprar um carro, observe que verá com frequência, modelos desse carro na rua, como se fosse uma conspiração do universo. O mesmo acontece com as pessoas.

Não entendo, o motivo de eu sempre pensar naquela enfermeira, desde o momento que a vi. A vontade louca de saber mais sobre ela. Geralmente não preciso correr atrás de mulheres, elas caem em cima de mim, igual chuva vindo do céu, mas estava disposto a ir atrás daquela mulher. Com tudo que vinha acontecendo, com meu avô internado, eu não fiz o que tinha que fazer, para ao menos saber mais um pouco sobre ela.

Minha cabeça estava a mil, e, em dias como esses, eu pego minha moto, e vou para um lugar onde ninguém me conheça, onde eu seja apenas um homem normal, num bar para esquecer dos problemas. Sempre venho para esse bar, onde consigo ficar longe de pessoas que querem sugar minha energia.

Por um momento pensei nela, e me questionava o motivo dela ter me intrigado tanto, quando isso nunca me ocorreu. E como um passe de mágica, sentir que estava sendo observado e estava de fato. A reconheci de imediato e não pude evitar o sorriso que se formou em meus lábios.

Parece que o universo estava conspirando ao meu favor, afinal.

Mas quando me aproximo e tento flertar, ela logo me dispensa. Não insisto, apenas observo quando ela se aproxima de umas pessoas e fala algo com um homem, ele fala algo e balança as mãos como se pedisse para ela sair. Seja quem for, é um babaca.

Deixo ele para lá, percebo que ela sai com raiva, então saio também e a vejo na calçada deserta, mexendo no celular.

— Se estar tentando chamar um táxi, ou carro de aplicativo. Eles não vem aqui esse horário. — falo me aproximando dela.

— Obrigada por avisar. — diz, e continua mexendo no celular, nervosa.

— Posso te dar uma carona. — ofereço e ela nega com a cabeça.

— Nem pensar, eu não te conheço. Sem contar que, estou ciente das suas intenções e já disse que não estou interessada.

— Você acha que vou te obrigar a fazer alguma coisa? Pelo amor de Deus, é só uma carona. Ficar aqui sozinha é bem pior.

— Mesmo que seja perigoso, isso não é um problema seu. Somos dois desconhecidos, eu não sou sua responsabilidade.

Ela fala duramente e eu sorrio. Mulheres que se fazem de difícil, geralmente me tiram do sério, mas com ela está sendo divertido, quanto mas ela me afasta, mais eu quero me aproximar.

— Eu só estou querendo ajudar.

Ela nada responde. Eu também fico em silêncio do lado dela. Poucos minutos se passam e eu tenho uma ideia. Tiro o canivete que levo comigo do bolso, tendo cuidado para não mostrar a minha arma, que também está na minha cintura. Ela pode se assustar.

Aperto a trava do canivete e ele desdobra, vejo o momento que ela se assusta e arregala os olhos, estendo o canivete em sua direção e ela começa a dar passos para longe.

— Ei, calma. Eu não vou te fazer nada. Pega. — ofereço a ela, que olha para o objeto com medo.

— Não, não... porquê tá me dando isso? — ela parece mais assustada do que seria normal, estranho seu comportamento, mas não falo nada.

— Eu estou com uma moto, você pode ir o caminho todo com o canivete na mão, me dando coordenadas de onde é sua casa, se eu desvia o caminho, ou fazer algo que não queira, pode me acertar. — explico, ela arregala ainda mais os olhos.

— O quê? Por que tá fazendo isso?

— Para que confie que irei apenas levá-la em casa.

Ela olha para mim, olha para o canivete e volta a olhar para mim, parece pensar e depois respira fundo.

— Por favor, guarda isso. — Ela pede, faço como ela pediu, eu queria realmente ajudar, mas não posso obrigar ninguém.

— Ok, boa sorte então.

Me viro, para ir onde minha moto está, então ouço sua voz novamente.

— Eu aceito sua carona.

Sorrio antes de me virar, eu sempre soube que eu sou bom em persuadir as pessoas.

Peço para ela me acompanhar, e entrego o capacete reserva que sempre trago comigo, nunca se sabe quando irei voltar acompanhado.

Ela hesita um pouco em pegar, olha para os lados e parece com medo. Mas depois pega e o coloca, eu espero até que ela suba.

— É bom se segurar, para não cair. — aviso, e ela meio sem jeito, se segura em mim.

Não consigo explicar, o motivo de eu estar me sentindo estranho com a proximidade dela, mas ignoro essa parte. Espero ela me explicar onde mora, e dou partida na moto.

Quando chegamos, ela desce rapidamente e tira o capacete.

— Obrigada. — diz ela.

— Viu? Chegou em casa com segurança. Nessa história, eu sou um lobo bem bonzinho.

— Que piada ruim. — ela sorri, e parece mais descontraída. — mais uma vez, obrigada.

— Acho que eu mereço, pelo menos seu número. Já que o seu nome, eu já sei. — insisto mais um pouco, estou gostando dessa brincadeira de ter que caçar a minha presa.

— Fala sério. Bem que eu vi, você olhando demais para o meu crachá. — ela comenta e eu sorrio.

— Presto atenção no que me interessa.

Ela balança a cabeça sorrindo, e me entrega o capacete, pego, mas seguro seu braço. Ela olha para a minha mão a segurando, depois olha para mim, unindo as sobrancelhas.

— Não mereço nem um beijo?

Discretamente ela desce o olhar, creio olhando para meus lábios, mas logo disfarça e olha novamente em meus olhos, ela só não sabe que sou muito observador.

— Eu não fico com desconhecidos. — arqueio uma sobrancelha, essa conversa está ficando interessante.

— Então, se com o tempo, eu não ser mais um desconhecido, tenho uma chance? — pergunto, ela sorri.

— Sério, é melhor desistir, eu não valho a pena.

— Eu sou insistente, e, quem decide o que vale ou não, sou eu.

Um breve silêncio enquanto nos encaramos, ela tira seu braço sutilmente do meu agarre e se afasta um pouco.

— Não quero entrar nesse caminho. Eu sei como isso termina.

Me encosto na moto e cruzo os braços, ficando intrigado, tudo nessa mulher me intriga e suas frases cheias de significados me deixa ainda mais interessado.

— Ah é? E como termina? Qual o seu ponto?

— Você, ser bonzinho para me levar para cama, e quando conseguir o que quer, mostrar quem realmente é, e me dispensar como se fosse descartável. É sempre assim. — ela parece magoada com algo, a analiso antes de dizer minha resposta.

— Vocês costuma julgar as pessoas, antes de conhecer-las? — indago.

— Não é isso, cara. Olha só, eu confesso que nem lembro o seu nome, ou seja, não nos conhecemos e eu não costumo ser o tipo de pessoa que sai com alguém apenas por diversão. Entendeu?

— Ok, entendi. — digo por fim, se ela não é capaz de se relacionar casualmente por diversão, eu não vou insistir, talvez não tenha para dar o que ela quer. Eu realmente me interessei por ela, mas não posso oferecer algo mais profundo do que alguns dias de sexo. — Então, estou indo.

Monto no moto e coloco o capacete.

— Espera, como é seu nome mesmo? — ela pergunta.

— Lorenzo. Quem sabe a gente não se ver por aí, e você mude de idéia.

Ela apenas sorri, e eu fico sem saber o que significa, dou partida na moto e sigo meu caminho.

Mais populares

Comments

Patricia Sousa

Patricia Sousa

quero saber quem foi que ela matou e porque 🤔

2024-12-16

0

Anamaria Dos Santos

Anamaria Dos Santos

sei não viu acho que o caminhão errada máfia do Lorenzo esse irmão vai se lascar

2024-11-25

0

Luana Mddm

Luana Mddm

interessante

2025-02-11

0

Ver todos

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!