Capítulo 10

Valentina

Não fiquei surpresa ao ver que a porta de casa estava aberta, ele entrou comigo e me colocou no sofá, ligou as luzes e andou pela casa.

Olhei para meu joelho e me assustei com o tanto de sangue manchando a minha calça clara, olhei melhor, mas vi que não era um corte que precisaria de pontos. Respiro fundo para controlar minha respiração e tentar eliminar a adrenalina que ainda percorre minhas veias.

O cara mascarado aparece com a maleta de primeiros socorros, que guardo no armário do banheiro. Com as luzes ligadas, eu tento olhar para ele melhor, mas ainda assim, não consigo ver nada do seu rosto. Ele se ajoelha na minha frente, termina de rasgar a minha calça e começa a cuidar do ferimento. Chio com a ardência quando ele joga o antisséptico.

Fico olhando para o que ele faz, me fazendo vários questionamentos. Balanço minha cabeça em negativa, achando tudo isso uma loucura.

Alguém acreditaria em mim, se eu contasse que, tem um cara que invade a minha casa, me ameaça, fez eu correr até me machucar, mas agora está aqui, cuidando do ferimento?

Sopro uma risada, isso é loucura até para mim.

Continuo o olhando. Eu poderia dar um chute no seu nariz, ao ponto de apagar-lo, ou afastar-lo para que eu consiga correr e usar algo contra ele. Mas decido apenas deixar que ele continue o que está fazendo.

— Que tipo de psicopata você é? — pergunto quebrando o silêncio, ele levanta um pouco o rosto para me olhar, mas a sombra do boné impede que eu veja seus olhos, e isso já está me irritando.

Ele não responde nada e volta a atenção para a minha ferida.

— Está tentando consertar o estrago que você mesmo causou, seu babaca! Você só pode ser um sádico que sente prazer no sofrimento dos outros. Ou a porr4 de um sociopata. — cuspo as palavras, mas ele não esboça realmente nenhuma.

Após fazer o curativo ele se levanta rapidamente e leva a maleta de volta ao banheiro. Continuo do mesmo jeito, cansada demais para pensar em fazer algo contra esse homem.

— Se você se comportar, eu não irei aparecer e nem te punir.

— Você acha que tem o direito de me punir? De fazer joguinhos psicológicos comigo? — me levanto alterada.

— Acho que você esqueceu, em quais circunstâncias eu vim parar aqui.

— Se me matar, será um favor que estará me fazendo! — grito.

— Isso só irá acontecer, quando eu quiser.

Ele anda até a porta e sai, sem me dizer mais nada. Deixando o mistério de quando aparecerá novamente, para mexer com a minha cabeça com seus joguinhos.

Me jogo no sofá, ainda sentindo minhas pernas formigar por ter corrido demais.

Alguns minutos se passam e meu celular começa a tocar, levanto o procurando e lembro que minha bolsa ficou caída lá fora. Abro a porta com medo e pego rapidamente e entro.

Quando pego meu celular, vejo ser um número desconhecido. Penso se atendo ou não, pois com certeza deve ser o maluco que saiu daqui há alguns minutos.

Decido atender.

📱Tina? — a voz do meu irmão ecoa e meu coração dispara.

📱 Henrique? Pelo amor de Deus, onde você está?

📱Eu não posso voltar, Tina. Todos os meus amigos foram mortos, só restou eu.

📱Henrique, eles vieram atrás de mim.

Falo e ele fica em silêncio por um tempo.

📱Se você sair viva dessa e eu também, prometo que irei te buscar.

Ele fala e eu fico incrédula.

📱Se eu sair viva dessa? Você está brincando com a minha cara? Olha onde você nos meteu, acha que nossa mãe, merece ter seus únicos dois filhos mortos?

Ele fica em silêncio mais uma vez. Eu estou tão irritada com tudo isso.

📱Sinto muito, Tina.

Ele diz e desliga. Jogo meu celular no sofá, e levanto nervosa.

Isso só pode ser um pesadelo.

***

Já era quase meio dia, quando eu peguei a ficha do último paciente do turno da manhã para chamar e atender.

O sobrenome do garotinho, me fez novamente lembrar de uma pessoa, que não sei porque, as vezes lembro. Será que esse sobrenome é comum por aqui, ou eles são parentes?

Após fazer a chamada, ele vem com uma mulher loira de olhos azuis, ela está muito bem vestida. Percebo que o garotinho tem os olhos dela, que com certeza é sua mãe. Direciono eles até a cabine de coleta e a mulher o coloca na poltrona.

— Se comporte, tá filho. — ela diz e eu me aproximo dele para tirar o seu sangue.

Ele fica quietinho, me encarando curioso. Após fazer todo o procedimento, coloco um curativo de dinossauro e sorrio para ele.

— Prontinho. — digo, e olho para a mãe dele que sorri simpática.

— Obrigada, vamos filho?

Ela se aproxima para pegar o filho, mas ele toca meu braço, chamando minha atenção.

— Seus olhos são bonitos, iguais ao meu e da minha mamãe. — ele comenta e dou risadas.

— Você é muito inteligente. — elogio ele e sua mãe o desce da poltrona.

— A moça precisa trabalhar, filho. Me desculpe e obrigada.

— Tudo bem. — sorrio e ela se despede saindo.

Pego a ficha e vejo novamente aquele sobrenome.

Bianchi.

A curiosidade toma conta de mim. Como não tenho mais nenhum atendimento, vou para o quartinho trocar de roupas para sair e ir almoçar. Mas antes, pego meu celular e faço uma pesquisa.

Aparece o histórico da família.

Avós, pais, tios, primos. Tudo.

Dou uma breve olhada, e vejo que o garotinho que acabei de atender, é mesmo parente dele. Mas meu foco é ELE.

Lorenzo Bianchi.

Coloco seu nome na barra de pesquisa e aparece algumas informações.

25 anos. Começou sua primeira faculdade com dezesseis anos, por ter o QI super avançado.

Sua última formação foi a menos de um ano atrás. Sendo elas: Engenharia de computação, administração de empresas e engenharia mecânica.

Entro em uma matéria, onde diz que com dezessete anos ele ganhou um campeonato de robótica, nos estudos unidos. Ficando em primeiro lugar.

Meu queixo quase caí. Caramba! O cara é um nerd da tecnologia, um verdadeiro mestre do TI.

Busco mais um pouco sobre sua família, vejo o tanto que eles são bilionários e respeitados. A família dele é praticamente a realeza do país.

Travo a tela do celular. Por que um cara tão rico quando ele, mostrou algum interesse em mim?

Resolvo esquecer isso, troco de roupas e vou saindo para ir num restaurante baratinho aqui perto. Quando estava passando pela recepção, o reconheço de imediato.

O quão o destino estava disposto a brincar comigo? Eu acabei de pesquisar sobre ele, parece até uma conspiração.

Ele estava no balcão de resultados, e por um momento eu penso em algo: Se com certeza, eu serei morta a qualquer momento, deveria aproveitar mais a minha vida.

Ele pega um envelope e saí. O sigo discretamente e quando chega na frente do hospital, tomo coragem e o chamo pelo nome.

— Lorenzo!

Ele para de costas, confirmando que me ouviu e eu me aproximo. Ele só se vira quando chego perto dele. Ele me olha dos pés a cabeça e não fala nada, então eu abro a boca.

— Te vi por aqui, e lembrei do que você disse aquele dia. Eu mudei de ideia sobre o que eu disse.

Diferente da última vez que ele era bem engraçadinho e sorridente, hoje ele está totalmente sério.

— Não lembro o que você disse. — depois de um tempo me encarando, ele finalmente fala.

— Você deu em cima de mim, eu te dispensei. Mas decidi que eu quero me divertir um pouco. — sou direta e ele fica em silêncio me analisando.

Droga! Isso me irrita tanto, pois me faz lembrar daquele idiota que invade a minha casa, sem contar que sua altura e estatura física são parecidas. Mas a voz...a voz não. São bem diferentes.

— Aquele dia, você disse que não sai com ninguém por diversão, por que mudou de ideia? — ele pergunta.

— A vida é curta, amanhã eu posso estar morta e não vou ter aproveitado o bastante. — falo, e ele que ainda estava sério, sorri de lado.

— Ok. Hoje a noite, vá para aquele mesmo bar que nos vimos da última vez. Agora preciso ir.

Ele dá as costas sem esperar uma resposta minha e caminha até o estacionamento do hospital que é do lado.

Observo, pensado se não fui atirada demais, mas agora já está feito.

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Comments

Luana Mddm

Luana Mddm

porra

2025-02-11

0

Elisabete Correia

Elisabete Correia

o Lorenzo já sabe que foi a Valentina que rackeou as câmeras ele quer punir ela não quer mata-la pq gosta dela se sentiu atraído por ela e vai ver até onde ele pode continuar jogando com ela

2024-12-28

1

Patricia Sousa

Patricia Sousa

Eita Lorenzo quando ela descobrir que é tu kkkkkkkk o bicho vai pegar

2024-12-16

2

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