# Segundo dia de hospital.
Comecei meu plantão como todo dia e estou com os mesmos dois pacientes. Vou ver o senhor da pneumonia, que já está praticamente curado, e aí vou ver o Anderson.
Ele está emburrado, parece um menino, com os braços cruzados e bicudo, eu sou a enfermeira, não sou a mãe dele, se ele acha que vou perguntar porque está emburrado, vai cair do cavalo. Meço a pressão e verifico o pulso e a temperatura. Falei:
— Você conhece a rotina, não preciso ficar aqui te dizendo, banho e café da manhã, depois curativo.
— Vem me dar banho e, se eu cair e me machucar, onde fica sua reputação?
— Nem em sonhos.
— Mas ontem você me ajudou!
— Ontem, você estava voltando da anestesia, hoje você já sabe o que fazer, vai tomar seu banho logo.
— Ok, você sabe falar com um homem debilitado e fraco. Ele vai tomar banho, eu troquei a cama e deixei a roupa limpa em cima, virei para sair e lá está Anderson, só com aquela toalha na cintura.
Não consigo parar de olhar, esse homem sabe me tirar do eixo. Fala todo orgulhoso:
— Gostou? Está com saudades? É tudo seu, pode aproveitar e se lambuzar.
— Você está muito convencido. Estava só avaliando se você não está com febre. Em instantes, Anderson me abraça.
— Agora você pode ver se estou com febre, mas vou te garantir que a única febre que tenho é você que causa, e é por dentro.
— Para com isso, estou trabalhando, tenho ética e não me envolvo com paciente.
— Desculpa, mas te vejo com este uniforme, fico louco de amor.
— Vou sair, se veste que já volto fazer seu curativo.
— Não precisa sair, você já conhece tudo, fica comigo.
— Nunca…, vou buscar as coisas para fazer seu curativo, senhor Anderson, e me respeita que estou trabalhando.
Vou ao balcão da enfermaria, fiquei lá por um tempo, peguei os materiais para o curativo e voltei ao quarto. Entrei e Anderson falou:
— Estou pronto para a tortura, manda ver. Que tortura, Anderson, nem dói.
— Tenta ficar parado, com a mão da pessoa que você ama te tocando.
— Nossa, eu não sei o que fazer com você.
— Me perdoa, Gina, me leva para sua cama e dorme agarradinha comigo.
— Você é impossível mesmo. Chegou a hora da visita, vem um moço bem-apessoado na minha direção. Perguntou:
— Por favor, qual o quarto de Anderson Venturelli?
— É o próximo.
— Você é a Gina?
— Sim, sou e o senhor, quem é?
— Sou o melhor amigo do seu marido, nunca havia visto o Anderson tão envolvido com alguém como ele está com você.
— Pena que é tudo mentira, não é mesmo?
— Bem que ele falou que você é dura na queda.
— Qual seu nome mesmo?
— Carlos Machado.
— Carlos, eu não sou dura na queda, só não gosto que me façam de boba e também sou independente e gosto de ser, e seu amigo não respeita isso e ainda conseguiu me acusar de querer o dinheiro dele.
— Ele está mudando por você, dá uma chance para ele, te garanto que você não vai se arrepender.
— Vou pensar, Carlos.
“Carlos”
Entrei no quarto, cumprimentei Anderson e falei:
— Ela é linda, mas é muito brava, tem opinião, tem certeza de que você quer essa mulher, ela vai te fazer pular, miudinho?
— Carlos, ela já é minha, só não aceitou ainda.
— Boa sorte, amigo, tentei falar a seu favor, mas ela está irredutível.
Fiquei com ele uma meia hora e voltei para o escritório. Agora que conheci Gina, entendo o fascínio de meu amigo por ela, além de ser muito bonita, não está nem aí para o dinheiro dele, acho que ele nunca lidou com uma mulher tão determinada.
“Gina”
Vou lá no quarto, só insultar.
Entrei, dei uma conferida na roupa de cama, olhei o soro e falei:
— Seu amigo é um gato e muito simpático, me tratou muito bem.
— Gostou dele? Vou falar que não quero mais visitas, era só o que me faltava, minha mulher achando meu amigo um gato.
— Deixa ele vir te ver, assim poderei vê-lo mais uma vez e quem sabe trocar o número de telefone.
— Para com isso, Gina, eu acabo com vocês dois, entendeu? Você vai acabar com minha amizade por pura birra.
Sai do quarto e consegui me manter longe, até a hora do almoço. Agora tenho que levar o remédio e verificar os sinais vitais. Entrei no quarto, Anderson abre um sorriso, que homem lindo, engoli seco e me aproximei.
— Vou verificar seus sinais vitais, não se mova, por favor.
— Vou tentar, minha enfermeira linda.
Verifiquei a pressão, a temperatura, aí peguei a mão dele para achar o pulso, sinto como se estivesse tomando um choque, ele aperta minha mão, me puxa e me beija rapidamente, me solta e volta a deitar como se não tivesse feito nada. Fiquei sem ação, peguei minha planilha e saí do quarto e não voltei mais.
E assim foram se passando os dias, eu fui amolecendo, mas continuei me fingindo de durona, mas comecei a achar esquisito ele não ter alta, já se vão 7 dias de internação.
Os médicos não costumam segurar muito tempo assim devido ao risco de infecção hospitalar.
Vou falar com o médico dele:
“Gina”
— Dr. Pedro Rosan, por que Anderson não teve alta ainda? Tem alguma coisa acontecendo que eu não saiba?
— Não, está tudo normal, a cirurgia foi um sucesso e está cicatrizando super bem.
— Então me explica por que o senhor ainda não deu alta para ele?
Vi o médico procurando uma desculpa, fiquei só esperando o que vinha.
— Por que o antibiótico que ele está tomando precisa estar internado para poder ministrar direito? Você viu que prescrevi o antibiótico na veia?
— O senhor só esqueceu de que sou a enfermeira e desde ontem que o remédio acabou, ou o senhor me dá uma explicação plausível, ou vou acionar a fiscalização do hospital.
— Você sabe que a família dele é um forte doador do hospital, não sabe?
— E daí, nada justifica ficar internado sem precisar, arriscando pegar uma infecção. — Quer saber a verdade, Gina? Por sua causa, ele não quer ter alta, disse que vai ficar aqui até você o perdoar.
— Ele fez mesmo a cirurgia de apendicite? O senhor operou ele de verdade?
— Sim, claro, tirei o apêndice.
— Dr. Pedro, não estou gostando disso, o que o senhor está me escondendo? Me fala, ou vou levar o caso à diretoria do hospital.
— Ele me pagou para eu arrumar um modo dele ficar internado, o único jeito era operá-lo, para que ele pudesse ficar perto de você.
— Nossa, o senhor operou Anderson sem precisar? Eu ainda não estou acreditando que o senhor apoiou essa loucura. Eu poderia te denunciar para o sindicato e o senhor nunca mais vai poder exercer sua profissão.
— Não faça isso, por favor, ele só queria te reconquistar. E o apêndice não serve para nada, eu não fiz nada muito prejudicial à vida dele.
— Só pegou dinheiro dele para opera-lo sem necessidade, da alta para Anderson, eu vou levá-lo embora.
— Se você está dizendo, faço o que você quiser, mas pensa bem, Gina, ele realmente te ama, pensa nisso.
— E o senhor ve se não faz mais esse tipo de coisa, senão nós dois estaremos em problemas. O senhor ao fazer a cirurgia e eu porque sabia e não contei nada.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 32
Comments
Cinthia Matos
Esse Anderson é uma comédia 🤣🤣🤣🤣🤣🤣
2025-03-04
1
Tania Cassia
kkkk que loucura
2024-11-16
1