O casamento

Entrei no posto de enfermagem, carrancuda, o meu amigo percebeu e perguntou:

— O que aconteceu, Gina?

— O paciente do tiro me cantou, se acha o garanhão.

— Deixa ele para mim, fica com o outro quarto.

— Ok, Luiz, muito obrigado, senão quem vai dar um tiro nele serei eu.

— Pelo menos ele é bonito?

— Lindo de morrer, e a coxa que fiz o curativo, tão firme que não sei como a bala entrou.

Damos, risadas, Luiz assume meu lugar e eu o dele, não vou chegar perto daquele garanhão, já tenho problemas o suficiente, vou me casar de manhã, só espero que não seja um garanhão igual a esse.

“Anderson”

Ela não voltou mais, quem veio me dar o remédio foi um enfermeiro, fiquei chateado. O dia está quase amanhecendo e não consegui vê-la de novo, como vou fazer? Preciso saber pelo menos o nome dela. O enfermeiro volta.

— Como se chama a enfermeira que fez o meu curativo?

— Por que você quer saber?

— Porque gosto de saber o nome das pessoas que me tocam.

— O meu nome é Luiz, sou do signo de Áries, sou casado e tenho dois filhos.

— Ok, parabéns pela sua família e o nome dela, qual é?

— É Gina.

— Gina de quê?

— Somos profissionais, e a única coisa que você tem que saber é que ela se chama Gina, e fez o seu curativo.

— Você é durão, mas não adianta esconder ela de mim, eu vou achá-la.

— Boa sorte, senhor Anderson, age rápido, ela vai se casar de manhã, só para você saber.

A nossa, de manhã? Já é sexta-feira? Fiquei chateado, eu também me caso hoje, quer dizer, pelo horário daqui a pouco. Será que a minha esposa vai achar muito ruim se eu fizer a minha lua de mel com a enfermeira?

# Meu Casamento.

Estou muito cansada, o plantão foi difícil. Na hora em que cheguei à porta do hospital, lá está o meu pai. Nossa, ele não desistiu da ideia.

Me falou:

— Gina, você poderia pelo menos ter passado um batom, a sua roupa está toda amassada e você cheira a remédio.

— Pai, saí do plantão agora, estou cansada, vamos resolver isso logo, que preciso descansar?

— Vamos para o cartório, o meu amigo está nos esperando lá.

**Na parte particular do mesmo hospital.**

— Vamos, filho, a sua noiva já está no cartório lhe esperando.

— Estou ferido, não pode ficar para a semana que vem?

— Não brinca comigo, menino, você vai chegar naquele cartório e assinar os papéis sem reclamar, ouviu?

— Certo, pai, se a minha noiva for um canhão, o senhor fica na noite de núpcias.

— Você está horrível, precisava causar um acidente na véspera do seu casamento? E para de ser dramático, ela é linda, você que vai ter que rezar para ela não lhe achar um canhão.

— Quem sabe ela olha para mim e desiste!

— Se você fizer qualquer coisa para ela desistir, te deserdo, entendeu?

— Pode deixar, pai, não vou abrir a minha boca. Vou calado até o cartório, chegando lá, vou com o meu pai para dentro e vejo o amigo dele sentado sozinho. Será que ela desistiu? Se desistiu, vou achá-la e dar uma bonificação por ter me livrado desse destino cruel. Ele levanta e vem até nós, cumprimenta o meu pai.

— Bom dia! Lucas.

— Bom dia! George, cadê a sua filha?

— Foi ao banheiro, já volta. Olhei para a porta do banheiro e vi a minha linda enfermeira vindo na nossa direção. 

**O destino não podia ser pior, eu vou ter que ver ela casando com outro.**

Mas ela não passa direto, ela para com a cabeça baixa, sabe-se lá em que está pensando. Ouço aquela voz de anjo, falando:

— Pai, estou aqui, vamos logo com isso.

Continuo incrédulo, ela é minha noiva? Vai ser minha mulher daqui a pouco, ela é a caça fortunas? Não pode ser. Fiquei ali esperando ela levantar a cabeça e me encarar, agora ela está com os cabelos soltos, ainda com a roupa do hospital, mas parece a mulher mais linda que já vi. Quando me vê, fica tão incrédula quanto eu, e fala:

— Você? O que você está fazendo aqui? Está me seguindo? Nossos pais falam ao mesmo tempo:

— Vocês já se conhecem?

Falo:

— Pode se dizer que sim, pai, ela fez o meu curativo.

— Ele é meu noivo? Este sem vergonha sabia que ia casar hoje e deu em cima de mim descaradamente.

Me defendo, mesmo sabendo que ela tem razão.

— Eu estava sob efeito de analgésico, você mesma disse.

— Não acredito que vou casar com você?

— Nem imaginei isso, aliás, eu nem queria, mas agora estou começando a gostar.

— Pode tirar o seu cavalo da chuva, isto é só um contrato entre os nossos pais e vai acabar aqui. Os pais se metem na conversa:

— Vamos parar com isso e vamos assinar os papéis agora, deixa para brigar depois, vocês estão passando a carroça na frente dos bois. Paramos de falar e vamos ao balcão assinar. Olhei Anderson, assinando que mãos ele tem. Em poucos minutos estávamos casados, virei as costas e fui saindo. Anderson fala:

— Gina, minha esposa, acho que precisamos conversar.

— Anderson, já cumpri a minha parte neste acordo ridículo, vou para minha casa dormir. Nossos pais chegam perto e falam:

— Minha filha, já preparei tudo, consegui uma semana de folga para você do hospital, para que vocês se conheçam e se entendam. Anderson tem um apartamento num prédio no centro e nós o liberamos para vocês ficarem juntos.

— E já te dei folga também, meu filho, esta semana é de vocês, você conhece o prédio e o apartamento, então faça com que a sua esposa tenha uma semana perfeita.

Lucas fala:

— Vamos levar vocês até o apartamento e depois vamos embora. Outra coisa, queremos fotos todos os dias de vocês dois juntos, entenderam? Não podem sair do hotel, esta semana é vossa.

Olhei para meu pai e falei:

— Prometi para o senhor que me casaria com ele e não que ia me deitar com esta figura.

“Anderson”

Aponta para mim como se eu fosse um nada, tentei não me deixar afetar, mas já me senti abalado com a rejeição.

— Filha, não fale assim do seu marido, você vai com ele, e acabou a discussão. Anderson até então estava calado.

— Não preciso me humilhar para mulher nenhuma, não vou com ela para lugar nenhum. Nossos pais se metem na conversa e, com duas palavras, nos obrigam a ir para onde eles querem.

— Vocês vão!

Lucas fala:

— Faz parte do contrato, se vocês não passarem a semana juntos, não vão confirmar o casamento, e assim o contrato vai se cumprir.

“Gina”

Ficamos calados e fomos iguais a gado para o abatedouro, nos levaram até o hotel e nos deixaram lá.

Para Anderson é muito fácil, ele é acostumado a sair com várias mulheres, agora para mim, que nem namorado tive, está sendo horrível, não sei nem onde colocar as mãos. Não sei o que dizer, nem como reagir, o que eu faço? Meu Deus, me dá uma luz.

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Comments

Tania Cassia

Tania Cassia

também estou amandoooo

2024-11-16

1

Eliane Gaspar

Eliane Gaspar

homens só procura aparência e esquece a essência, tem muito corno no mundo

2024-11-09

2

Dulce Tavares

Dulce Tavares

amandooooooooooo ❤️

2024-09-09

1

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