Isabella mal conseguia acreditar no que estava acontecendo. Cada momento parecia mais surreal do que o anterior. A mulher à sua frente, de corpo robusto e semblante duro, não demonstrava um pingo de empatia.
— Então, criança, o que você fez para estar aqui? — A voz dela soou impassível, quase como se aquilo fosse uma
formalidade.
Isabella engoliu em seco, tentando manter a compostura ao explicar sua situação. — Meu irmão... ele
contraiu uma dívida enorme. E agora... agora querem que eu pague com a minha virgindade.
A mulher a analisou de cima a baixo, o olhar clínico e frio. Ela soltou um suspiro pesado antes de falar.
— Bom, se vão ganhar dinheiro com sua virgindade, que seja um bom dinheiro, não é verdade? — Ela afirmou com
naturalidade, como se estivesse discutindo o preço de uma mercadoria.
Isabella sentiu um calafrio percorrer sua espinha, e a resistência brotou em sua garganta.
— Você é pequena, magra... tem traços muito lindos — continuou a mulher, ignorando completamente o desconforto de Isabella. — Vou te ajudar a parecer ainda mais nova. Isso sempre atrai lances mais altos.
— Eu não quero isso... — A voz de Isabella saiu em um sussurro desesperado, mas a mulher não parecia se
abalar.
A mulher parou abruptamente, virou-se para Isabella com um olhar severo, endurecido por anos de realidade cruel.
— Deixa de ser burra, garota. Você já está aqui. Acorda! — Ela disparou, sua voz cortando como uma lâmina. —
Vão comprar você, e o homem que vai fazer isso provavelmente será um velho nojento, que não dura um minuto. Será rápido, mas vamos fazer ele gastar muito dinheiro. Você precisa entender que, quanto mais jovem parecer, mais dinheiro vai valer. Essa é a realidade, princesa. Não sou eu que faço as regras.
Isabella sentiu as palavras da mulher como facadas. A verdade, dura e crua. As lágrimas ameaçaram brotar em
seus olhos, mas ela se forçou a manter a cabeça erguida.
— Eu não quero parecer mais nova — Isabella balbuciou, quase implorando, como se isso pudesse mudar alguma
coisa.
A mulher soltou um riso cínico, aproximando-se mais de Isabella.
— Não é sobre o que você quer, querida. É sobre o que vende. — Ela se inclinou, seus olhos penetrantes cravando-se nos de Isabella. — E meninas que parecem jovens vendem. Vai por mim. Isso vai acabar logo, e você vai sair disso viva. Machucada, sim. Marcada, talvez. Mas viva. E vai ter salvado seu irmão. É o que importa, não é?
— Certo... — murmurou Isabella, mal reconhecendo a própria voz.
A mulher sorriu, um sorriso vazio e frio, antes de se virar para as araras de roupas e começar a selecionar algumas peças.
— Agora, vamos te preparar. Quanto mais jovem você parecer, mais alto será o lance. — Ela disse, segurando
um vestido branco de renda que parecia ter sido feito para uma criança. — Isso vai ser perfeito.
Isabella fechou os olhos por um momento, tentando segurar as lágrimas que ameaçavam cair. Não podia se permitir chorar. Não agora. Não daria a eles essa satisfação.
— Vista isso. — A mulher ordenou, jogando o vestido em direção a Isabella. — Depois, eu vou cuidar do seu cabelo e da maquiagem. Vamos transformar você na perfeita inocente.
Isabella pegou o vestido com mãos trêmulas e se dirigiu ao pequeno banheiro adjacente. Quando terminou, olhou para o espelho, mas mal reconheceu a garota que a encarava de volta.
Ao sair, a mulher a esperava com um pente e alguns produtos de maquiagem. Ao lado dela, um homem idoso de expressão austera observava Isabella com indiferença.
— Este é o médico enviado pelo Sr. Martinelli. — disse a mulher, sem um pingo de emoção. — Ele precisa fazer uma verificação rápida. Deite-se na cama.
— O quê? — A voz de Isabella falhou, um misto de confusão e pavor.
— Ele vai confirmar se você é realmente virgem. — A mulher respondeu, impaciente. — Vamos! Não temos tempo a perder.
Isabella hesitou, sentindo uma onda de pânico tomar conta de seu corpo. Mas o olhar duro da mulher e a presença intimidante do médico a fizeram ceder. Ela se deitou na cama, o coração martelando no peito. O médico levantou suas pernas, removendo sua lingerie com uma frieza. Os minutos seguintes se arrastaram, cada segundo carregado de uma agonia silenciosa. Finalmente, ele fez um aceno de confirmação e saiu do quarto sem uma palavra.
— Pronto, agora sente-se aqui. — A mulher apontou para uma cadeira diante do espelho, a voz firme e sem compaixão. — Vamos acabar logo com isso.
Isabella obedeceu, sentando-se na cadeira enquanto a mulher começava a pentear seu cabelo com uma delicadeza inesperada, como se preparasse uma boneca para um espetáculo. Ela ficou em silêncio, mas seus pensamentos gritavam. "Isso vai acabar", repetia para si mesma, como um mantra. "Isso vai acabar."
A mulher trabalhou rapidamente, prendendo o cabelo de Isabella em dois coques baixos e aplicando uma maquiagem suave, que destacava sua juventude e vulnerabilidade. Quando terminou, ela se afastou, analisando Isabella de cima a baixo com um olhar crítico.
— Perfeito. — Declarou, com um leve aceno de aprovação. — Agora, é só esperar.
Isabella se levantou, sentindo-se frágil, como se estivesse prestes a desmoronar. Mas, por fora, ela mantinha a postura, recusando-se a ceder ao desespero.
— E lembre-se, querida... — A mulher disse, com uma última olhada em direção a Isabella. — Você é só um peão
nesse jogo. Faça o que precisa ser feito e sobreviva. O resto não importa.
Isabella não respondeu. Não havia mais nada a dizer. Ela estava pronta, ou pelo menos, tanto quanto poderia estar. E agora, só restava enfrentar o que estava por vir.
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Atualizado até capítulo 61
Comments
Vera Lucia Falcao Pimenta
misericórdia, nenhuma mulher merece passar por isso,principalmente para salvar um irmão vagabundo.
2025-03-05
1
Vera Lúcia
eita que horrível
2024-11-12
2
Mari Silva
/Awkward//Cry/
2024-10-21
1