O dia havia começado como qualquer outro para Isabella. Ela se levantou cedo, tomou café, e foi trabalhar, tentando, a todo custo, manter a rotina e não levantar suspeitas. No trabalho, sorriu e cumpriu suas tarefas como se nada estivesse acontecendo, como se sua vida não estivesse prestes a mudar drasticamente naquela noite. Cada segundo parecia um martírio, cada olhar dos colegas a fazia pensar que eles sabiam, que podiam ver o desespero por trás de seu rosto calmo. Mas ninguém sabia. E assim, o dia se arrastou.
Ao entardecer, Isabella retornou para casa. O silêncio do lugar pesava como nunca, e ela sabia que aquela
poderia ser a última vez que estaria ali como a mulher que era. Tomou um banho, tentando lavar a tensão de seu corpo, mas a água quente mal fazia cócegas em seus nervos. Vestiu-se com uma roupa simples, sem a menor ideia do que seria esperado dela, e se sentou na sala, aguardando.
O relógio marcava 21h00 quando Isabella ouviu o som de um carro parando em frente à sua casa. Seu coração
acelerou, e suas mãos começaram a tremer levemente. Era o momento. Respirou fundo, tentando reunir a coragem necessária, e saiu de casa, descendo as escadas com as pernas trêmulas.
Do carro escuro, um homem saiu e se aproximou. Ele era alto e vestia um terno impecável, mas seu rosto era inexpressivo, como se estivesse ali apenas cumprindo uma tarefa rotineira.
— Senhorita, precisamos ser discretos — disse ele, estendendo um saco preto em direção a ela. — Por favor,
coloque isso na cabeça.
Isabella hesitou por um momento, mas sabia que não havia outra opção. Pegou o saco e, com mãos trêmulas, o
colocou sobre a cabeça. A escuridão a envolveu completamente, e ela sentiu uma onda de claustrofobia, mas respirou fundo e se obrigou a manter a calma. Era apenas o começo do que prometia ser uma noite longa e aterrorizante.
Com o saco na cabeça, Isabella foi guiada até o banco traseiro do carro. O homem que a havia abordado a ajudou
a se sentar, e logo ela sentiu outra presença ao seu lado, alguém que se acomodou no banco ao lado dela. A porta se fechou, e o carro arrancou com um movimento brusco, lançando Isabella ainda mais profundamente na escuridão.
Enquanto o carro seguia seu caminho, Isabella tentou prestar atenção nos giros e curvas, tentando decifrar
para onde estava sendo levada. Mas o medo e a ansiedade eram como uma névoa em sua mente, obscurecendo seus pensamentos. Cada vez que o carro virava, parecia que ela estava se afastando mais da realidade, indo para um lugar onde nada fazia sentido. Ela tentou contar as vezes que o carro virou, mas logo perdeu a conta. Sua mente a traiu, e o pânico começou a tomar conta.
Ela não fazia ideia de onde estava indo, e isso a aterrorizava. Todas as lições de seu pai, todo o treinamento mental que ela havia recebido jogando pôquer, pareciam inúteis naquele momento. Ela estava completamente fora de controle, e a única coisa que podia fazer era esperar e rezar para que, de alguma forma, conseguisse sair daquela situação com sua dignidade — e sua vida — intactas.
O carro finalmente parou, e Isabella sentiu o motor ser desligado. O silêncio era quase ensurdecedor, e por
um breve momento, ela apenas ficou ali, imóvel, tentando se preparar mentalmente para o que viria a seguir. A porta ao lado dela se abriu, e uma mão firme agarrou seu braço, ajudando-a a sair do carro.
— Cuidado, estamos em um local elevado. — A voz era baixa, quase um sussurro.
Isabella se deixou guiar, seus passos hesitantes enquanto o chão sob seus pés mudava de textura — primeiro o
asfalto, depois algo que parecia ser madeira. As vozes começaram a surgir ao redor dela, indistintas e abafadas pelo saco que cobria sua cabeça. Pareciam ser pessoas conversando, algumas rindo, outras falando em tons mais sérios. Ela não conseguia distinguir o que diziam, mas o som a fez perceber que havia muito mais pessoas ali do que ela imaginara.
Eles continuaram andando, e Isabella sentiu seu coração martelar em seu peito. Era como se estivesse em um
pesadelo do qual não conseguia acordar. A mão firme continuava a guiá-la, às vezes apertando um pouco mais forte quando precisavam contornar um obstáculo ou mudar de direção.
— Vamos subir algumas escadas agora, senhorita — avisou o homem ao seu lado, e Isabella sentiu o toque suave
dos degraus sob seus pés. Ela subiu devagar, com cuidado para não tropeçar, sentindo-se cada vez mais vulnerável.
Finalmente, eles pararam, e Isabella ouviu o som de uma chave girando em uma fechadura, seguida por uma
porta se abrindo com um leve rangido. A mão que segurava seu braço a guiou para dentro do que parecia ser uma sala, e ela sentiu o ambiente mudar ao seu redor — o som das vozes ficou mais distante, abafado por paredes ou portas.
— Pode tirar o saco agora — disse o homem, e Isabella sentiu os dedos dele tocarem o tecido ao redor de sua
cabeça, removendo-o suavemente.
A claridade inundou seus olhos, e ela piscou várias vezes, tentando se acostumar à luz. Sua visão estava turva
no início, mas logo começou a se ajustar. Ela olhou ao redor e percebeu que estava em um quarto pequeno e simples. Uma cama de solteiro estava encostada em uma das paredes, coberta por um cobertor cinza e desbotado. Ao lado, várias araras de roupas estavam organizadas, com vestidos, sapatos e acessórios. Um grande espelho estava pendurado na parede oposta, e uma mesa de maquiagem com pincéis e paletas de cores.
Antes que pudesse reagir, uma mulher de meia-idade, com um corpo corpulento e uma expressão séria, se
aproximou de Isabella. Ela vestia roupas escuras, o cabelo preso em um coque apertado, e seus olhos analisavam Isabella de cima a baixo com uma espécie de curiosidade profissional.
— Bem-vinda — disse a mulher, sua voz grave e autoritária. — Eu sou a responsável por prepará-la para o leilão. Você vai se trocar e se arrumar aqui. Precisamos garantir que esteja perfeita.
Isabella engoliu em seco, seu coração ainda acelerado, enquanto olhava para a mulher. Ela não sabia o que
responder, mas havia uma coisa que estava clara: não havia como voltar atrás agora. Ela estava prestes a enfrentar o leilão que determinaria seu destino — e o destino de seu irmão.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 61
Comments
Reh❤️
Nunca faria isso
2025-01-20
2
Fran Silva
uma irmã q amo muito o irmão faz iss mesmo
2024-10-31
2
Eloi Silva
se o. irmão não der valor pelo que a irmã está fazendo merece morrer torturado
2024-10-08
3