Em uma sala com cheiro da fumaça dos charutos e risadas discretas, mas na mesa de pôquer, a tensão era quase insuportável. Matteo Barone, já com algumas doses de uísque a mais, encarava os outros cinco homens ao seu redor. Ele sabia que estava no limite, mas se recusava a recuar.
— Eu aumento. — Matteo declarou, empurrando uma pilha substancial de fichas para o centro. O montante era grande, algo em torno de €50.000 – praticamente tudo o que ele tinha na carteira naquela noite.
Os outros jogadores trocavam olhares cautelosos, medindo a situação. O dealer, com uma expressão neutra, começou a distribuir as próximas cartas. Matteo pegou as suas e tentou focar, mas a visão começava a ficar
levemente turva. Mesmo assim, ele se forçou a sorrir com confiança, tentando mascarar o efeito do álcool.
— Você realmente vai em frente com isso, Barone? — um dos jogadores, um homem de meia-idade com
cicatrizes no rosto, perguntou com um sorriso malicioso.
— Vamos ver quem ri por último. — Matteo respondeu, mantendo o tom desafiador. No entanto, por dentro, ele começava a sentir o peso das fichas na mesa.
Uma loira deslumbrante estava atrás dele, os dedos delicados ainda acariciando seu peito com um toque suave, mas invasivo. Ela se inclinou, sussurrando em seu ouvido com uma voz sedutora que fazia sua pele arrepiar. —
Acho que você vai ganhar essa, certo?
Matteo olhou para ela e sorriu, mas a confiança estava se esvaindo rapidamente. Ele estava apostando alto. — Claro que sim, querida. —Ele respondeu.
O dealer, com movimentos precisos, virou a última carta na mesa, e o momento de verdade se instalou. Todos os olhos se voltaram para Matteo, e o silêncio na sala parecia durar uma eternidade. Ele sabia que precisava de uma carta específica para vencer, uma carta que lhe escapara por entre os dedos.
Quando a última carta foi revelada, Matteo sentiu o fundo cair de seu estômago. Não era a carta que ele precisava. A derrota o atingiu como uma onda de gelo, cortando sua confiança com precisão cirúrgica. — Droga!
— Ele murmurou entre dentes, o tom carregado de frustração e raiva, como um vulcão prestes a entrar em erupção.
O homem com as cicatrizes sorriu triunfante e começou a recolher as fichas. — Parece que a sorte não está do seu lado esta noite, Barone.
Matteo sentiu o sangue subir à cabeça, a raiva borbulhando dentro dele. Cada palavra do outro jogador era um espinho cravado em seu orgulho. Ele se levantou abruptamente, quase derrubando a cadeira no processo,
e se voltou para a loira, ainda tentando resgatar algo da noite miserável. — Vamos sair daqui. — Sugeriu, esforçando-se para soar sedutor, embora sua voz traísse .
A loira, no entanto, deu um passo para trás, o sorriso desaparecendo de seu rosto. — Sabe, eu prefiro sair com um vencedor. — Disse friamente, girando sobre os saltos e se afastando em direção a outro grupo de homens na mesa ao lado.
Matteo observou, impotente, enquanto ela se afastava. A rejeição atingiu-o como um soco no estômago, deixando-o atordoado e ainda mais humilhado. Sentindo o peso da derrota como uma âncora presa a seus pés, ele agarrou seu casaco e saiu do cassino com passos pesados, a raiva e a vergonha estampadas em seu rosto. O ar fresco da noite mal conseguiu aliviar a sensação sufocante de fracasso que o acompanhava.
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Atualizado até capítulo 61
Comments
Silvia Moraes
Porque não vai procurar um trabalho
2024-11-27
1
Silvia Moraes
Acho que isso foi armação e esse besta caiu!!
2024-11-27
1
Vera Lúcia
o vício é um terror
2024-11-12
0