Isabella se encarava no espelho, os olhos refletindo a batalha interna que travava. A dúvida a consumia, seu coração acelerado enquanto ela lutava para se convencer de que não havia outra opção. A decisão que estava prestes a tomar não era apenas arriscada; era uma escolha que poderia mudar tudo, e não necessariamente para melhor. Mas as circunstâncias eram inevitáveis, e ela sabia que não tinha para onde correr.
— Você consegue. — Ela sussurrou para si mesma, a voz trêmula, mas cheia de determinação. Não havia mais tempo para hesitação.
Respirando fundo, Isabella se afastou do espelho e foi até o closet. Suas mãos tremiam ligeiramente enquanto abria as portas e puxava um vestido vermelho. O tecido deslizou entre seus dedos. Era o vestido que ela
sempre guardava para ocasiões especiais, com um decote profundo e justo ao corpo, projetado para seduzir e distrair. Hoje, no entanto, era mais do que isso. Era sua armadura para a batalha que estava prestes a enfrentar.
Ela vestiu o tecido como se fosse uma segunda pele, sentindo-o moldar-se ao seu corpo. Cada curva realçada, cada detalhe meticulosamente planejado para capturar olhares e comandar atenção. Pegou um par de scarpins preto com a solado vermelhos, que adicionavam centímetros à sua altura e confiança aos seus passos.
Depois de vestir-se, Isabella se posicionou novamente diante do espelho. Desta vez, ela se viu com outros olhos. Agora, era uma mulher com um objetivo claro. Seus dedos passaram pelo cabelo, penteando-os com cuidado
para que ficassem volumosos e soltos, caindo em cascata sobre os ombros. Em seguida, aplicou uma maquiagem sedutora, destacando os olhos com delineador escuro e sombras intensas. O toque final foi o batom vermelho, vibrante e irresistível, que completava o visual com uma ousadia que ela nem sabia que possuía.
Ela se perfumou, uma fragrância doce e envolvente que deixaria um rastro onde quer que passasse. Com a maquiagem perfeita, o perfume certo e o vestido matador, Isabella se olhou no espelho uma última vez. A
mulher que a encarava de volta era uma mistura de força e vulnerabilidade, pronta para o que estivesse por vir.
Determinada, Isabella pegou sua bolsa e a abriu com cuidado. Caminhou de volta para o closet e, escondido atrás de um fundo falso, retirou suas economias. Notas que ela vinha guardando ao longo dos meses, longe do
conhecimento do irmão. Era tudo o que tinha, e sabia que precisava fazer cada centavo contar. Ela colocou o dinheiro na bolsa, fechou o zíper com um gesto decidido e saiu do quarto.
A cada passo, a incerteza parecia se dissipar, substituída por uma fria determinação. Isabella sabia que estava entrando em território perigoso, mas não havia outra escolha. Esta era a única chance de mudar seu destino, e ela estava disposta a arriscar tudo.
Isabella apertou a bolsa contra o peito enquanto descia as escadas. Ao chegar na calçada, acenou para o primeiro táxi que avistou. Entrou rapidamente no carro. Não podia se arriscar a andar pelas ruas com tanto dinheiro, especialmente àquela hora da madrugada.
— Para onde, senhorita? — perguntou o motorista, uma ponta
de curiosidade em sua voz.
Isabella deu o endereço, mantendo a voz firme. Ela percebeu o olhar curioso do motorista através do retrovisor, seus olhos analisando-a de cima a baixo, mas ele não disse mais nada. Provavelmente se perguntava o que
uma mulher vestida daquela forma estava fazendo na madrugada, sozinha. Contudo, Isabella não tinha tempo para se preocupar com a opinião de um estranho. Sua mente estava fixa no objetivo.
Durante o trajeto, Isabella olhava pela janela, as luzes da cidade passando rapidamente. Seus pensamentos estavam a mil. Cada esquina que o táxi virava, ela sentia seu coração bater mais rápido. Uma parte dela queria
gritar para o motorista virar o carro, levá-la para longe daquele lugar. Mas a outra, a parte mais forte, sabia que não havia volta.
O carro finalmente parou diante do local que ela havia indicado no início da corrida. Isabella pagou a corrida e saiu do táxi, inspirando profundamente o ar noturno. O vento frio da madrugada tocou sua pele exposta, enviando um arrepio pela sua espinha. Ela olhou para o prédio à sua frente, as luzes neon piscando, a música abafada escapando pelas portas. Era um mundo que ela conhecia bem, mas do qual havia tentado se afastar. Contudo, o
destino a havia trazido de volta.
— Não posso voltar atrás agora. — pensou, sentindo o peso das suas escolhas. Se não fizesse nada, perderia a casa que era tudo para ela. Seu lar, o último elo com seu passado, estava em risco. Não podia deixar isso
acontecer. Ela era boa no que fazia, sempre fora. Seu pai sempre soube disso, mas ela havia feito uma promessa a si mesma de que tentaria ganhar a vida de outra forma. Uma forma mais honesta, mais segura. No entanto, a vida não tinha sido gentil, e as circunstâncias a haviam forçado a reconsiderar.
Com passos decididos, Isabella se aproximou da entrada. Ela precisava salvar sua casa, sua vida, e se isso significava voltar a um mundo que havia jurado abandonar, que assim fosse. Hoje não era o dia de Isabella, a
mulher que sonhava com uma vida diferente. Hoje era o dia de Bella, a mulher que fazia o que fosse necessário para sobreviver.
— Hoje é dia de Bella sair à caça. — pensou, sentindo a adrenalina começar a correr em suas veias.
Com um último suspiro, ela empurrou a porta do cassino, entrando no calor sufocante e no barulho ensurdecedor. Ela estava pronta para jogar, e desta vez, não havia espaço para erros.
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Atualizado até capítulo 61
Comments
Wemilly Kawany
um louboutin sonho
2025-01-28
1
Mari Silva
/Angry/
2024-10-20
1
Adriane Alvarenga
Tomara que ela ganha bastante dinheiro.....mas é a divida do irmão???,
2024-09-27
3