Naquela noite, Suellen procurou ficar sempre ao lado da sua sogra, não queria que Athos aproximasse, só em relembrar daquela noite e da sensação das mãos no seu corpo, sentia o vômito vindo…
Quando alguns convidados já haviam se retirado e poucos ainda permaneciam o salão, Suellen despediu-se da sogra e foi para o seu quarto. Queria afastar-se daquele ambiente, onde as mulheres presentes apenas sabiam se vangloriar sobre suas jóias e fortuna.
Tomou o seu banho, mas estava sem sono, abriu a janela que dava passagem para varanda, onde sentou-se em uma cadeira confortável abraçada aos joelhos, ficou a observar as estrelas brilhantes no céu. Pensava distraída em seu futuro e o que faria de sua vida se divorciasse, não poderia voltar para casa do seu tio.
Queria ter os seus pais ao seu lado. Desde que eles se foram o mais próximo que chegou de ter uma família, foi ali, na mansão dos Romeros, onde todos a tratavam com carinho, exceto o seu marido, que a olhava como se ela fosse uma qualquer e isso fazia o seu coração apertar dentro do peito.
Eles tiveram relações sexuais, ela entregou a sua virgindade para ele e mesmo assim, ele a chamava de "vendida".
Estava distraída pensando no seu infortúnio, quando sentiu que não estava sozinha. Olhou para o lado, onde a continuidade da varanda era interrompida por alguns vasos com folhagens dessas, obstruindo não só a passagem, como a visão também. Suellen viu o brilho do metal da cadeira de rodas, era Brian.
— Não consegue dormir? — ela questionou-o.
Brian olhou brevemente para ela, mas não se deu ao trabalho de responder. Ficou ali, sentado indiferente como sempre.
— Tudo bem? — ela falou, sem obter resposta. — Sente alguma dor? Quer que chame alguém?
Os dois ficaram em silêncio. Brian não podia falar-lhe que sentia falta do cheiro doce que venha dos seus cabelos e da sua voz macia e constante na sua cabeça.
Depois de um tempo silencioso, Suellen falou baixinho, sem ousar olhar para o lado, por medo que ele pudesse constatar a sua tristeza.
— Brian, quer mesmo divorciar-se de mim?
Ela fez a pergunta e imediatamente arrependeu-se. Não entendia o porquê de seu coração disparar, acelerando os batimentos, na espera de uma resposta, que demorou tanto, parecia uma eternidade e quando veio foi para feri-la.
— Apenas fale com minha mãe. Você pode ir embora a qualquer momento, não me importo.— sua voz era desprovida de sentimentos.
Brian apenas falou isso e voltou para o seu quarto, deixando Suellen sozinha, com aquele sentimento de solidão, de vazio em seu peito. Os seus olhos ficaram úmidos, ela sabia que a sua sogra não aceitaria um divórcio. Logo as lágrimas corriam soltas pelo rosto e a certeza de que o seu futuro era incerto, tomava conta da sua alma.
Olhou mais uma vez para o alto e pediu em pensamento para os seus pais que olhassem por ela. Levantou-se e foi para sua cama, cobriu-se com o cobertor e ficou encolhida, posição fetal, sentindo a sua dor.
......................
Não era oito da manhã, quando o seu celular tocou incessantemente, tirando-a dos seus sonhos.
📱— Alô? — ela falou sonolenta, sem ao menos olhar o identificador de chamadas.
📱— Suellen! Acorde e venha logo para casa, precisamos conversar.
A voz arrogante e autoritária da sua tia Beatriz Marques, fez com que Suellen despertasse rapidamente.
📱— Oi tia...
📱— Não perca tempo com conversas desnecessárias! Venha logo, aguardo você.
A ligação foi encerrada sem que Suellen pudesse se despedir. Sua tia sempre foi assim.
Resignada, jogou os cobertores de lado e levantou-se da cama, indo direto para o banho, precisava disso para despertar.
Rapidamente ficou pronta, optou por um vestido simples e sandália sem salto, pegou um casaco leve para não sentir o frio da manhã nos seus braços e rapidamente desceu as escadas. Ao pé dela, Olga já a esperava:
— Bom dia jovem senhora. Vai sair ? Chamarei Júlio...
— Não precisa, irei encontrar a minha tia. Já chamei um motorista de aplicativo.
— Senhora, Júlio está aqui para atende-la.
— Obrigada Olga, mas o carro já está a minha espera.
Suellen sorriu educadamente e seguiu para fora. Sabia que a tia ficava muito irritada com atrasos.
Quando chegou na residência dos tios, localizada no bairro nobre, a porta logo foi aberta e a empregada da casa a conduzir até a sala, onde a tia já a aguardava. Sempre que chegava na casa dos tios, ela sentia-se uma estranha, ela não pertencia aquele lugar.
A sua tia estava sentada no sofá e deslizava nervosamente o dedo pela tela de seu celular.
— Bom dia, ti…
— O que esse dia tem de bom ?
O tom seco e cortante de sua tia fez Suellen calar-se.
— Soube que aconteceu uma recepção na mansão para celebrar a vida do filho da casa.— o seu olhar era de zanga total— Famílias nobres estavam lá e eu, a sua tia, não estava.
Suellen deveria ter adivinhado que esse era a verdadeiro motivo de ter sido chamada ali.
— Como não fui avisada que o namorado de Micaela acordou?
Suelen preferiu o silêncio, mas não entendeu o porquê da tia referir-se ao seu marido como namorado da sua prima.
— Você é uma sobrinha ingrata ! Criei você, alimentei, arrumei um marido... o que ganhei? — ela fez uma pausa para dar ênfase nas palavras. — Só ingratidão.
— Tia...
— Cale‐se! Micaela logo estará de volta. Quero que facilite a vida da herdeira da família Marques.
Suellen, ainda de pé, apertava nervosamente as alças de sua bolsa, sem questionar a sua tia.
— Sabe que ela precisou correr atrás do seu futuro, mas agora que Brian está se recuperando, não tem necessidade de você ficar na mansão. Peça o divórcio imediatamente e volte para o internato... depois arrumo um lugar para você.
— Mas tia, o casamento aconteceu a apenas alguns dias…
Beatriz aproximou-se da sobrinha e apertou o seu braço, deixando na pele clara, as marcas de seus dedos.
— Você nos deve isso ! Eu não aceitarei menos de você, então volte para a mansão e peça o divórcio.
Com mais um apertão, marcou ainda mais a pele delicada de Suellen, chamou a empregada para que conduzisse a moça para fora da propriedade.
Ao ver a porta ser trancada atrás de si, Suellen percebeu que não pertencia a lugar nenhum, não tinha um lar para voltar, uma casa para chamar de sua. Saiu caminhando, sem saber para onde, apenas seguia em frente com uma dor na alma e as lágrimas presas...
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Atualizado até capítulo 67
Comments
Graça Barbosa
Suelen você precisa ter autoestima urgente e não deixar ninguém subestimar você uma mulher maravilhosa, inteligente e sensível você não pode deixar ninguém te intimidar você é uma mulher milionária agora não importa o que virá depois mais no momento você tem poder levantar essa autoestima urgente coragem e lute por sua vida e felicidade
2025-03-02
1
Maria Domina
eu tô gostando não li um livro igual
2025-02-22
1
Cléia Maria da Silva d Azevedo
Quê coisa autora. Faz a personagem ingênua e coitadinha. Transforma ela numa mulher forte e determinada 👏👏
2025-02-17
1