14— Dor

 Suellen passou a tarde toda no jardim, não queria ficar frente a frente com aquele olhar acusador.

 Ser ignorada pelos tios, ela já estava acostumada, mas ser tratada como uma qualquer, lhe doía. Ela era a sua esposa!

 Ela não chorou, foi forte. Mas, cada lágrima contida, era como uma facada no seu coração. Sabia haver abusado de Brian, mas foi por conta das drogas. Ela era viragem... nem isso podia usar na sua defesa.

 Ele chamou-a de prostituta…

 Continuou a caminhar com os braços em volta do próprio corpo, não entrou na casa para almoçar e muito menos percebeu a noite chegar. Apenas quando Olga apareceu na sua frente com os olhos serenos, foi que se deu conta do frio que sentia e dos pés doloridos da caminhada e deixou as lágrimas correrem soltas.

 — Venha senhora... Não deve ficar aqui, nesse frio.

 Olga tinha uma manta nas mãos e envolveu o corpo frio de Suellen, abraçando-a.

 — Ele não me quer... pensa que sou uma qualquer.

 — Não chore... Logo ele irá entender que você é a sua esposa e aceitará. Venha, a senhora Ana está preocupada, mas eu avisei que cuidaria de você. Ela precisou sair para um compromisso com o senhor Ramiro.

 Suellen foi levada para cozinha, onde uma sopa leve esperava por ela.

 — Coma, criança. Depois tome um banho quente e descanse, quando acordar, tudo será diferente…

 — Sim.

 Suellen não queria falar, tinha medo de perder o controle e voltar a chorar, não iria fazer nada disso. Ela sabia da sua parcela de culpa, mas lhe doía ser tratada assim.

 Tomou toda a sopa, agradeceu Olga, que mantinha o olhar terno e cheio de compreensão.

 Subiu para o quarto lentamente, como se os seus pés pesassem uma tonelada. Com a mão no trinco, respirou pausadamente para criar coragem ao abrir a porta, notou que Brian dormia tranquilamente sem qualquer infusão nas suas mãos. Todos os aparelhos médicos haviam sido removidos do quarto.

 Foi diretamente para o banheiro, tomou um banho demorado, deixando que a água morna aquecesse o seu corpo gelado. Escovou os dentes, enrolou-se na toalha e saiu em direção ao closet, mas antes de chegar na metade do caminho, ouviu uma voz gélida:

 — Oĺ que está fazendo ?

 Brian já estava ciente que a sua mãe o havia casado com aquela mulher. Que ela era a sua esposa e não uma prostituta contratada, mas não iria se desculpar. Ela invadiu a sua intimidade sem o seu consentimento. Sabe-se lá quantas doenças ela lhe passou.

 — Tomando banho, este quarto também é meu.

 Suellen estava quase em pânico por estar de toalha na frente dele e mesmo apenas com a luz do abajur, ele podia observar o seu corpo.

 — Saía.

 — Mas...

 — Saia! Já disse. Não se atreva a entrar aqui novamente.

 A voz dele era tão aterrorizante que Suelen apenas saiu, com a toalha em volta do seu corpo.

 A mente de Suellen ficou em branco quando se viu no corredor apenas de toalha. Mas, mesmo Brian não podendo levantar-se, ela não teve coragem de voltar para o quarto.

 Foi até a porta ao lado, sabia que aquele quarto estava desocupado. Acendeu a luz e notou que não havia cobertas ali, apenas uma colcha sobre o colchão macio. Deitou-se enrolada apenas com a toalha e, por mais estranho que parecesse, adormeceu instantaneamente.

......................

 No quarto ao lado, Brian não conseguia se acalmar. A sua mãe ainda não havia lhe explicado o porquê de tê-lo casado com uma estranha.

 Micaela era a pessoa provável para isso ! Onde estava sua namorada ?Olhou ao seu redor... E aquela bagunça?

 Toda a organização que tanto prezava havia desaparecido. Havia até uma mesa de trabalho ali! Potes de cremes na mesa ao lado da cama perfumes e revista, uma televisão...

 Aquela mulher acabou com o seu quarto!

Com um esforço, conseguiu sentar-se na cama e apoiar as costas nas almofadas, que tinham um cheiro adocicado e feminino...esse cheiro parecia fazer parte dele, era como se estivesse presente. Só podia ser o cheiro dela!

 Algumas poucas lembranças dos dias desacordado vieram- lhe a mente. De uma voz incessante,que nunca se calava e de mãos delicadas e quentes nos seus pés…

Balançou a cabeça, não queria pensar nos dias difíceis apenas queria voltar à vida, mas as suas pernas não se moviam. Queria estar novamente no comando das empresas. O seu pai estava dando tudo de si para suprir a sua ausência, mas sabia que muitos tentaram derrubar império da família Romero.

O seu objetivo maior era retornar a sua vida, para isso ele precisava focar nos objetivos, o primeiro e principal era levantar-se daquela cama.

......................

Suellen acordou com a porta do quarto se abrindo e a luz do corredor tomando conta do ambiente. Ao ver que era a senhora Ana, sua sogra, fingiu dormir. Não queria falar ou choraria.

Sentiu o colchão ceder quando a senhora sentou-se e um calor aqueceu o seu coração quando ela acariciou os seus cabelos.

— Não se preocupe, criança. Eu não permitirei que seja maltratada pelo insensível do meu filho.

Houve um momento de silêncio e ela continuou:

— Você cuidou dele todos os dias. Ajudou na sua volta e pode acreditar, a família Romero não abandona os "seus".

A senhora Ana arrumou a colcha fina sobre o corpo de Suellen e depositou um beijo em sua testa, saindo logo em seguida. Suellen abriu os olhos e focou na escuridão do quarto enquanto lágrimas quentes rolavam pelo seu rosto.

"O que seria dela? Brian não a queria, a tratava bem".

Esses pensamentos tiravam o sono dela. Quando ela fosse mandada embora, não teria para onde ir. Era o seu último ano no internato e certamente a sua tia não aceitaria de volta.

Precisava fazer com que a sua loja virtual lhe rendesse mais dinheiro. As suas economias não dariam para mais de três meses de sobrevivência.

Ela rolou pela cama praticamente a noite toda, estava com medo do seu futuro, não sabia como seria quando o dia amanhecesse. Tinha medo de ser expulsa, mas ao mesmo tempo tinha esperança de que a sua sogra a protegesse e apoiasse.

Depois de muito se revirar na cama, acabou por dormir e sonhando com os beijos de Brian...

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Comments

Anonymous

Anonymous

O nome dele não era Rômulo??

2025-02-26

0

Luciana Cavalcante

Luciana Cavalcante

pois e mas me pergunto como se ele estar sendo cruel

2025-01-18

0

Isabel Esteves Lima

Isabel Esteves Lima

Naquele dia que ela foi drogada não foi só ela que se aproveitou da situação ele também, porque ela ficou com marcas pelo corpo.

2025-01-05

1

Ver todos
Capítulos
1 01‐ Casamento
2 02- Visita
3 03‐ Aproximação
4 04– Obrigações
5 05– Um leve despertar
6 06– Beijo
7 07— Provas
8 08— Momentos
9 09– Netos...
10 10— Trabalho
11 11— Armadilha
12 12– Em chamas
13 13— Cruel
14 14— Dor
15 15– Separados
16 16– O frio da noite
17 16— Confronto
18 18— Recepção
19 19— intimada
20 20— Dor da alma
21 21– Consequências
22 22— Micaela
23 23— Um dia diferente
24 24— Aconchego
25 25— Marcando território
26 26— Visita
27 27— Inauguração
28 28— Ciúmes
29 29— Como uma fera
30 30– Sem permissão
31 31— Depois de tudo
32 32— Contradições
33 33– Jantar...
34 34— Medo?
35 35— Tempestade
36 36— Encontro
37 37— A real
38 38— A verdade
39 39— Soltando as amarras
40 40— Pervertido
41 41— Um inimigo
42 42— Plano
43 43— Formatura
44 44 — O outro
45 45— Vida nova
46 46— Reencontro
47 47— Possessivo
48 48— Viagem
49 49— O fim...
50 50— Compreensão
51 51— Tramas
52 52— Antecipando...
53 53— Aproximação
54 54– LUAU
55 55— Tentativas
56 56— Alguém para amar
57 57— A punição
58 58— Confirmação
59 59— Todos sabem
60 60— As coisas se encaixam
61 61— Rapto
62 62— A cabana
63 63— Quase impossível
64 64— Verdades
65 65— Compreensão
66 66— O mais puro amor
67 67— Finalmente... minha
Capítulos

Atualizado até capítulo 67

1
01‐ Casamento
2
02- Visita
3
03‐ Aproximação
4
04– Obrigações
5
05– Um leve despertar
6
06– Beijo
7
07— Provas
8
08— Momentos
9
09– Netos...
10
10— Trabalho
11
11— Armadilha
12
12– Em chamas
13
13— Cruel
14
14— Dor
15
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16— Confronto
18
18— Recepção
19
19— intimada
20
20— Dor da alma
21
21– Consequências
22
22— Micaela
23
23— Um dia diferente
24
24— Aconchego
25
25— Marcando território
26
26— Visita
27
27— Inauguração
28
28— Ciúmes
29
29— Como uma fera
30
30– Sem permissão
31
31— Depois de tudo
32
32— Contradições
33
33– Jantar...
34
34— Medo?
35
35— Tempestade
36
36— Encontro
37
37— A real
38
38— A verdade
39
39— Soltando as amarras
40
40— Pervertido
41
41— Um inimigo
42
42— Plano
43
43— Formatura
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44 — O outro
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48
48— Viagem
49
49— O fim...
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50— Compreensão
51
51— Tramas
52
52— Antecipando...
53
53— Aproximação
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55
55— Tentativas
56
56— Alguém para amar
57
57— A punição
58
58— Confirmação
59
59— Todos sabem
60
60— As coisas se encaixam
61
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62
62— A cabana
63
63— Quase impossível
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