Já haviam se passado cinco dias do casamento, três dias que Suellen estudava em casa, sempre ao lado de Brian fazendo a leitura em voz alta. Gostava de estudar assim, a voz poderia ajudar Brian a se conectar com o mundo ao seu redor. Quando a sua sogra sugeriu que usasse o escritório, Suellen recusou. Preferia ficar com Brian durante os estudos, assim poderia vigiá-lo e até incentiva-lo.
Tinha muito medo de que o primo Athos levasse o plano em frente e desse fim a vida de Brian. Por isso passava todo o seu tempo no quarto, assistindo séries na televisão, estudando, massageando os membros superiores e inferiores e até passando horas falando e falando sobre a sua vida para o marido.
Mas nessa manhã, ela teria que ir até o colégio interno para fazer provas. Ana Romero conseguiu e a sua nora apenas fosse para as provas. Sim, o dinheiro comprava muita coisa. Ela estava feliz por poder passar mais tempo com Brian, cada dia gostava mais de ser uma esposa.
Suellen depositou um beijo no rosto de seu marido, deixando-o marcado com o seu batom.
— Não demoro, marido. Fica com meu beijo, quando eu voltar farei a sua higiene. — Sorriu para Brian e pensou o quanto ele era lindo.
Retocou o seu batom e conferiu os cabelos. Suellen optou por usar a roupa mais simples que ganhou da sua sogra: uma calça jeans e uma blusa azul que combinava com seus olhos. Ela gostou muito do que viu, não era bonita, mas com as sardas encobertas e as roupas de qualidade, o milagre acontecia.
— O quê achou? Estou bonita?— chegando mais perto, confidenciou. — Eu agora não vejo mais vídeos de homens bonitos, tenho você para olhar e meus olhos são apenas para meu marido.
Rodopiou feliz para o seu marido, pegou a sua bolsa, os seus cadernos e livros, descendo as escadas, indo direto para a sala de refeições, onde a mesa estava posta e Olga a sua espera.
— Bom dia senhora Suellen.
— Bom dia, Olga. Quero pedir um favor. — Colocou os seus cadernos e bolsa sobre um aparador, aproximou-se da governanta e sussurrou para não ser ouvida.— Não deixe que o senhor Athos entre no quarto, mesmo que ele insista.
A governanta entendia os medos da jovem patroa e concordou no mesmo instante:
— Se é para o bem do senhor Brian...
— Muito obrigada, você será os meus olhos enquanto estou fora. Não deixe ninguém entrar no meu quarto, nenhuma arrumadeira ou mesmo enfermeira se não estiver na presença do doutor Marcelo.
A jovem sentou-se a mesa para tomar o seu desjejum. Não queria se atrasar para as provas, estudou muito e estava preparada.
— A senhora Romero está no seu descanso, mas deixou ordens para que o motorista a leve até o colégio e a traga de volta em segurança.
— Não quero incomodar.— Suellen falou agradecida.— Posso ir de coletivo, como sempre fui.— falou enquanto mordiscava uma torrada.
— Senhora, agora, como uma Romeiro, não deve andar sozinha, terá todo o conforto que esse nome pode dar-lhe. E a senhora Ana não a deixaria andar por aí sem um guarda-costas. Ser uma Romero tem as suas complicações.
Suellen apenas sorriu em concordância, concentrando-se no seu desjejum, precisava alimentar‐se bem, em dias de provas tudo era muito corrido.
Quando os seus pais eram vivos, ela tinha uma vida com algumas restrições, mas era feliz. Estudava em um colégio de renome, era tratada como uma herdeira, mas após o acidente, ela transformou-se na sobrinha indesejada. Todo o patrimônio de seu pai foi usado para mantê-la, de acordo com o seu tio Maurício Marques, as despesas com indenizações dos funcionários da empresa, levaram toda a fortuna de seu pai e também a falência.
Vivia de favor e a obrigação dela era ajudar aos tios. Por esse motivo foi obrigada a se casar, como forma de pagamento, já que a Micaela não poderia parar com a sua vida e viver ao lado de um homem vegetal, mesmo eles sendo namorados de longa data.
E ali estava ela.
Suellen até que não tinha do que reclamar nesses cinco dias vivendo como uma senhora casada, a senhora Romero, mimada pela sogra, respeitada pelos funcionários da casa e gostava de acreditar que era amada por seu marido.
Despediu-se de Olga com um aceno e foi para a frente da casa, onde o motorista já a aguardava. Sentiu-se estranha tendo o motorista abrindo a porta para ela, mas Olga estava próxima, com um sorriso de incentivo, era bom sentir-se querida após tantos anos vivendo à sombra de Micaela, usando as roupas descartadas pela prima.
Seguiu em silêncio até o colégio. Ao chegar no estacionamento do internato, o motorista revelou:
— Senhora, serei o seu motorista e seu guarda-costas. — O homem fez uma pequena pausa antes de continuar.— Ficarei aqui a sua espera, foram as ordens da senhora o Romero.
Suellen concordou, em cinco dias vivendo como uma Romero ainda não havia se acostumado com tantas regalias, mas era um fato que a sua sogra era atenciosa e cuidava dela como se cuidasse de uma filha. Ela ainda tentava acostumar-se com as restrições que teria em sua vida visando a segurança, já que agora ela fazia parte de uma família abastada.
Apenas estava com receio de como iriam ser os seus últimos dias de aula, já que ela não estava mais no internato. Não que ela tivesse muitas amigas ali, ela sempre levou uma vida solitária desde a morte de seus pais. As moças do internato sabiam ser cruéis e sabendo de como ela era sem posses e sem a proteção do pai, abusavam das brincadeiras ofensivas.
Logo a sua vida de estudos se findaria e ela já não tinha medo do destino que a sua tia Beatriz ia dar a sua vida. Agora era uma Romero e a sua sogra a protegeria, afinal ela estava sendo tão mimada por todos que estava confiante.
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Atualizado até capítulo 67
Comments
Maria Serra Aragao
que bom a sogra mima ela sofreu e foi roubada...tenho certeza que eles roubaram a herança pra manter o luxo da filha
2025-03-02
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Arlete Fernandes
Ainda bem que a sogra dela a Ana
Jogo e está protegendo ela!
2025-01-03
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arineideferreira
Acredito que os tios roubaram sua herança
2025-01-28
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