Capítulo 17

CATARINA NARRANDO

Acordamos, Lavínia mal abriu o olho e já perguntou pelo Andrew. Essa menina está muito à frente. Primeiro, enchi ela de beijinhos, mandei mensagem de bom dia para Gi, falei que estou com saudades, me levantei e fiz a minha rotina matinal, além dos cuidados com Lavínia. Quando saímos do quarto, Andrew estava saindo do quarto dele.

Ele e Lavínia estão se dando muito bem; minha filha, com toda sua fofura, parece que conquistou o coração do meu chefe. Descemos para tomar café da manhã. Ele me pediu para esperar por ele, que estava indo apenas resolver uma situação na empresa.

Pouco depois que Andrew saiu, eu estava na sala com Lavínia. Chegaram duas mulheres, uma senhora e uma mulher mais jovem. Tentei ser gentil, mas o que ganhei foi uma humilhação que doeu até a alma.

— Bom dia — falei sorrindo e de forma educada.

— Quem é você? Não sabia que as empregadas podiam ficar na sala — a senhora falou.

— Eu não sou empregada, meu nome é Catarina e eu sou namorada do Andrew, o dono dessa casa — falei séria.

As duas começaram a rir. A mulher mais jovem se sentou enquanto a mais velha começou a falar que eu não era namorada do Andrew, que o filho dela jamais namoraria uma simplória. Ela me olhou dos pés à cabeça, perguntou se eu tinha comprado o meu vestido no brechó da igreja, falou que o meu cabelo estava ressecado e que no máximo eu era alguma GP ou a faxineira que ele iludiu, brincando com os meus sentimentos para depois me jogar fora.

— Se olhe no espelho, depois olhe ao redor. Olhe essa casa, olhe para o meu filho e veja se você é digna de alguma dessas coisas. Não seja iludida, querida. Eu não sei qual é a jogada do Andrew, mas nitidamente o meu filho e você não têm nada a ver, e essa criança também não é filha dele. Pode ser de qualquer um, menos de um Castelã — cada palavra que aquela mulher dizia era como um tapa no meu rosto.

Meus olhos começaram a arder. Eu não queria chorar na frente delas, peguei Lavínia no colo e subi para o quarto enquanto a mulher falava coisas que eu já não entendia mais.

Entrei no quarto e tranquei a porta com a chave. Liguei a TV e deixei Lavínia assistindo deitada na cama. Fui ao banheiro e também fechei a porta. Me olhei no espelho e realmente não sou digna de nada disso; minha realidade é outra, totalmente diferente, mas não precisava me humilhar dessa forma. Sentei no vaso e comecei a chorar, uma tristeza, uma dor enorme no meu peito.

Saí do banheiro e deitei bem rápido para Lavínia não ver o meu rosto vermelho. Me deitei e acabei dormindo. Acordei com a minha filha me chamando.

— Acorda, mãe, o tio tá chamando na porta — ela estava batendo no meu rosto para me acordar.

Passei a mão no rosto, me levantei e abri a porta. Fiquei com a cabeça baixa, e ele tocou no meu queixo, levantando o meu rosto. O olhar de Andrew era penetrante; ele ficou olhando dentro dos meus olhos por alguns segundos e pediu para conversarmos.

— Lavínia está assistindo. Eu não posso sair e deixar ela sozinha. Podemos conversar aqui, se o senhor quiser — falei, encarando-o.

— Tudo bem. Acho melhor você se arrumar e arrumar também a Lavínia. Vamos sair e, no caminho, conversamos — ele falou, e eu concordei com a cabeça.

Ainda não tirei as roupas da mala. Primeiro, arrumei minha filha, depois me arrumei. Me olhei no espelho e vi que minhas roupas são simples, meus sapatos são simples. Eu nunca tive dinheiro para comprar roupa em boutique de marca. Respirei fundo. Pelo menos minha filha tem tudo do bom e do melhor que a madrinha dela sempre deu. Saímos do quarto, e fiquei com medo daquela mulher ainda estar na sala. Uma empregada subiu as escadas e me viu parada no meio do corredor.

— Senhora, o senhor Castelã está na sala — ela falou, e eu agradeci com um sorriso.

Descemos e, ainda bem, nenhuma das duas estava lá. Andrew pegou Lavínia no colo, fomos para a garagem, onde há vários carros, e ele deixou minha filha escolher o carro em que ela queria passear. Abri um sorriso; ele faz os gostos de Lavínia, e minha preocupação é que, quando tudo isso acabar, eu não vou ter condições de mimar essa garota 24 horas por dia.

O senhor Castelã não entrou. Com Lavínia no colo, eu entrei pela outra porta. Primeiro, passamos em uma loja de bebê, e ele comprou a cadeirinha para Lavínia.

Conversamos sobre assuntos aleatórios. Das vezes que vi o senhor Castelã na empresa, ele sempre estava calado e sério. Não pensei que ele gostasse de conversar.

Primeiro, fomos em uma loja que só tem coisas de criança. Escolhemos juntos. Achei bem exagerado; ele comprou muita coisa para Lavínia: roupas, sapatos, brinquedos, lacinhos para o cabelo. Também fomos a uma loja de decoração; a moça me tratou muito bem e me mostrou algumas inspirações para quarto de menina.

Ainda não estou acostumada a andar de mãos dadas com Andrew. Onde chegávamos de mãos dadas, as pessoas me tratavam muito bem. A mala do carro já estava cheia de coisas só para Lavínia.

— Agora vamos comprar tudo que você precisa — ele falou, pegando na minha mão.

— Mas eu não estou precisando de nada — falei séria.

Andrew me encarou, mas não falou absolutamente nada. Começamos a entrar em lojas, só lojas sofisticadas. Ele ficou com Lavínia enquanto eu provava roupas. Em uma das lojas, gostei de vários vestidos e todos ficaram perfeitos no meu corpo. Escolhi apenas um pelo valor. Mas Andrew fez questão de comprar todos que experimentei. Ele estava comprando tudo que eu tocava: roupas, sapatos e acessórios. Também entramos em uma joalheria, e ele comprou joias para mim e para Lavínia.

Quando saímos da joalheria, atravessamos a rua e entramos em um restaurante chique. Fiquei com vergonha, eu só tinha visto esse lugar pela TV.

— Peça o que você quiser, para você e também para Lavínia — ele falou, sentando-a em uma cadeirinha de alimentação.

Vi que o restaurante estava vazio e até falei para ele que achava que não sairiam mais pratos, que o expediente já havia acabado, pois já era tarde.

— Podemos ir para sua casa. Se não tiver comida pronta, eu posso fazer para nós três. Já encerrou o expediente — falei baixinho.

— Não se preocupe, esse restaurante é meu e meus funcionários me servem a hora que eu bem entender — olhei ao redor e vi uma fila de garçons, só esperando o nosso pedido.

Meu queixo caiu. O senhor Castelã é mais rico do que eu imaginava.

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Comments

Marilena Yuriko Nishiyama

Marilena Yuriko Nishiyama

Catarina quando vc descobrir o quanto ele é rico,vai cair mais ainda o seu queixo 😂.....espero que a Catarina fale o que a mãe dele falou e a humilhou e também a Luana,essas duas cobras peçonhentas só porque são ricas precisam humilhar as pessoas,quero ver quando elas tiverem pobres,vão sentir na pele 🤬🤬🤬

2024-06-16

249

Patrícia Barbosa Ferrari

Patrícia Barbosa Ferrari

Catarina,conte para o Andrew,que você foi humilhada pela mãe dele e pela Luana.Assim ele colocará as duas no seu devido lugar

2025-03-07

0

Euridice Neta

Euridice Neta

O que eu gosto em Catsrina é a simplicidade e i ocenci dela e tenho certeza que Andrew também...

2025-03-16

0

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