Capítulo 07

ANDREW NARRANDO

Fui jantar com meus pais e, mais uma vez, minha mãe tocou no assunto que não me interessa nem um pouco: casamento e construir uma família. Tive que passar o jantar todo ouvindo a mesma ladainha de sempre.

Depois do jantar, consegui desviar o assunto. Conversei um pouco com meus pais; eles vão viajar e não sabem quando voltam. Despedi-me com um abraço bem forte e voltei para minha casa.

Acordei cedo, como sempre, fiz minha rotina matinal, dirigi até a empresa e hoje decidi entrar pela recepção.

Não sei o que está acontecendo comigo, mas a melhor parte do dia é ver a Catarina correndo pelos corredores. Ela parece que está sempre atrasada.

Eu a vi quando vinha correndo de cabeça baixa. Posicionei-me na frente do elevador de serviço e esperei ela esbarrar em mim. Ela começou a gaguejar, pedindo desculpas. Quando ela me pediu licença, falando que o senhor Castelã não tolera atrasos, abri um sorriso involuntário e dei espaço para ela passar.

Ela não me conhece, mas pelo menos sabe o que não tolero dentro da empresa. Catarina tem os olhos curiosos, inocentes e, às vezes, assustados. Isso está me deixando ainda mais curioso para saber mais sobre ela.

Ela subiu para o décimo andar, onde fica o seu setor de trabalho, e eu fui ao berçário pela primeira vez. Entrei na sala.

— Senhor Castelã, está precisando de alguma coisa? Em que posso lhe ajudar? — perguntou uma das funcionárias que cuida das crianças.

— Apenas me mostre quem é a filha de Catarina Viegas — falei sério, encarando a funcionária que chamou a menina.

— Lavínia, vem aqui com a tia, meu amor — ela chamou e a menina veio.

A menina é muito linda, tem as bochechinhas fofas de criança. A mulher pegou a criança no colo e me apresentou.

— Tudo bem, Lavínia, eu sou o tio Andrew. Quero que você se dedique às horas do seu dia a cuidar bem dessa criança, trate-a como se fosse seu filho. Não diga a ninguém que estive aqui e nem que dei essa ordem — falei e saí da sala.

Subi direto para o décimo andar, tenho uma reunião na sala de conferência. Foi servido café e água, e a Catarina, com aquele jeito inocente dela, dessa vez não derrubou nada. Nossos olhares se encontraram algumas vezes. Eu estava observando ela e ela me olhando com seu jeito desconfiado de sempre.

Quando ela ia saindo, o diretor de operações me chamou. Filho de uma mãe, eu não queria que ela descobrisse quem eu sou ainda.

Catarina parecia o exorcista. Sei que é falta de educação não responder quando seu nome é citado, mas não tem como dar minha atenção a outra pessoa quando ela está por perto.

Parecia que só a cabeça dela estava girando e o corpo permanecia paralisado na mesma posição. Ela me olhou, abriu e fechou a boca, em seguida saiu da sala fechando a porta.

Começamos a reunião, desta vez com a equipe de operação. Não foi uma reunião tão fácil como as dos últimos dias. O setor operacional é um dos mais difíceis de lidar dentro da empresa.

Já participei de muitas reuniões importantes, mas esta tem um peso diferente. O setor operacional enfrenta uma série de problemas e hoje, terei que tomar uma decisão difícil. Cumprimentei a equipe e comecei a reunião revisando os relatórios dos últimos seis meses.

Os números não mentem: aumento nos custos, queda na eficiência e atrasos recorrentes. Denaro, o Diretor de Operações, tentou justificar esses resultados com fatores externos, mas suas explicações não foram convincentes. Os feedbacks da equipe operacional também apontaram para uma liderança ineficaz e falta de soluções práticas.

Enquanto Denaro falava, pude ver o nervosismo em seus olhos. Eu queria acreditar que ele poderia dar a volta por cima, mas os fatos eram claros demais para ignorar. Após ouvir todas as partes, tomei uma decisão.

Comecei, sentindo o peso das palavras, apesar de não ter nada pessoal contra ninguém da minha empresa, não quero que esteja no quadro de funcionários pessoas incapazes de assumir os seus erros e mostrar um bom resultado.

— Agradeço seus esforços, mas precisamos de uma mudança drástica. Com base nos resultados e na falta de melhorias, decidi que não podemos continuar assim. Estou demitindo você do cargo de Diretor de Operações e do quadro de funcionário dessa empresa — Falei com as duas mãos apoiadas sobre a mesa, enquanto encarava ele nos olhos.

Houve um silêncio pesado na sala. Expliquei os próximos passos e encerrei a reunião. Senti um misto de alívio e preocupação. A mudança era necessária, mas o futuro ainda era incerto.

Vi a Catarina entrando na sala de Marketing. Ela estava com uma bandeja nas mãos e não me viu. Mais uma vez abri um sorriso; essa garota vai ser a diversão dos meus dias.

Fui para o décimo primeiro andar. Assim que entrei na minha sala, liguei para o setor de recursos humanos e pedi para eles providenciarem um novo diretor de operações. A empresa não pode ficar com esse desfalque no setor.

Respondi alguns e-mails. Quando deu meu horário de almoço, fui almoçar em um restaurante que fica ao lado da empresa. Desci pela recepção, mas não vi a Catarina. Almocei rapidamente e voltei para a empresa. Tenho muito trabalho para fazer e muitos documentos para analisar antes de despachar.

Quando voltei para a empresa, senti vontade de ir ao berçário ver a Lavínia. Pude ver pelas janelas de vidro que a Catarina estava amamentando a criança. Fiquei admirando aquela cena; elas pareciam tão conectadas, olhando uma nos olhos da outra enquanto a mãe fazia carinho no rosto da filha.

Ouvi passos se aproximando e saí andando na direção contrária. Tive que dar a volta no corredor para chegar no elevador executivo. Subi direto para o décimo primeiro andar. O RH já me retornou; amanhã teremos a primeira seletiva e me comprometi a fazê-la pessoalmente. Quando se trata de diretores e cargos executivos, cuido da admissão de cada um pessoalmente.

Liguei para minha secretária e pedi um café. Estou me sentindo cansado e preciso repor as energias. A moça que veio servir o café não tem nada a ver com a Catarina. Senti-me até frustrado por isso.

— Dona Lola — chamei minha secretária em um tom mais elevado.

— Pois não, senhor Castelã? — Ela respondeu de pé na porta.

— Cuide da transferência da copeira do décimo andar para este andar e envie esta aqui para lá. — Ela ficou em pé na porta, abrindo e fechando a boca. Fiz um sinal com a cabeça para ela sair.

Catarina agora vai trabalhar diretamente para mim, só para mim.

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Comments

Cintia Maciel

Cintia Maciel

sabia que Andrew iria da um jeito de esbarrar em Catarina isso meu garoto tá saindo melhor que a encomenda 🤭☺

2024-06-11

431

Patrícia Barbosa Ferrari

Patrícia Barbosa Ferrari

Andrew , você quer ver a Catarina todos os dias entrando e saindo da sua sala, agora ela só irá servir café ☕🫖 para você 🫵. Você está apaixonado 🥰 pela Catarina mas ainda não sabe

2025-03-07

0

Euridice Neta

Euridice Neta

Olha Andrew se você só quer brincar de gato e rato com ela ou se divertir melhor parar por aí,cela já tem problemas demais e já sofreu demais também,....

2025-03-16

0

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