Capítulo 13

CATARINA NARRANDO

Depois de ouvir tudo aquilo do senhor Castelã, não teve como não assinar. Ele olhou dentro dos meus olhos com tanta intensidade que minhas pernas fraquejaram.

Assinei e entreguei a caneta de volta. Ele assinou e chamou o senhor Henry, que pegou as vias assinadas e começou a explicar que é crucial respeitar os termos de um contrato para garantir a segurança jurídica e evitar litígios desnecessários. Fiquei paralisada ouvindo todas as explicações, sem contar que a quebra desse contrato que acabei de assinar gera uma multa que vale mais do que todos os meus órgãos juntos.

O senhor Castelã mandou o advogado redigir um contrato em que ele assume todas as despesas da Lavínia até os 21 anos: saúde, educação e alimentação. Mesmo eu falando que não precisava, ele seguiu adiante enquanto o advogado anotava tudo.

— Já está tudo certo, Henry. Cuide das demais burocracias e me procure quando resolver — falou o senhor Castelã, bem sério.

O advogado apertou nossas mãos e ainda disse que foi um prazer me conhecer. Mostrei um sorriso nervoso para ele, que saiu da sala, e eu caí sentada na cadeira. Um desespero me bateu, não sei se fiz a coisa certa, mas tudo que estou fazendo é pelo bem da minha família.

— A partir de hoje você está desligada do quadro de funcionários. Pode deixar que eu cuidarei pessoalmente da sua demissão — ele falou, e eu concordei com a cabeça.

— Agora vou pegar a Lavínia no berçário e vamos para casa — falei, me levantando.

— Vamos! — ele falou e se levantou, pegando a pasta.

Saímos da sala, fui à copa pegar as minhas coisas, dei tchau à dona Lola e saímos. O tempo todo fiquei de cabeça baixa. Antes que chegássemos ao térreo, o senhor Andrew quebrou o silêncio.

— Vamos passar na sua casa e pegar todas as suas coisas e da Lavínia. Vocês vão comigo para minha casa — ele falou sério. Nossos olhos se encontraram através do espelho.

— Mas já? Podemos ir amanhã, senhor. Eu quero conversar com a minha melhor amiga e madrinha da Lavínia — expliquei para ele, que não entendeu nada.

Saímos do elevador conversando. Eu estava tão distraída tentando convencer o senhor Castelã de que não havia pressa nesse assunto que esqueci que estávamos sendo observados.

Quando olhei ao redor, me calei e abaixei a cabeça novamente. O senhor Castelã também se calou.

Entramos no berçário. Lavínia, quando o viu, correu para abraçá-lo. Eu só espero que ela não se apegue demais para não sofrer depois.

Peguei minha filha no colo dele e saímos em direção à recepção. Todos nos olhavam de forma curiosa. Logo pensei: ainda bem que amanhã não volto aqui, senão eu iria ter que responder a vários interrogatórios dos curiosos.

Fomos direto para minha casa, que fica do outro lado da cidade. Eu queria ter tempo de explicar tudo para Gisele, mas o senhor Castelã não me deu essa opção.

Assim que entramos, fui direto arrumar as coisas da Lavínia, enquanto eles ficaram brincando no sofá. Gisele entrou e veio direto falar comigo, perguntando o que ele estava fazendo sentado no sofá.

— Por que você está arrumando as coisas? Vai viajar? — ela perguntou baixinho.

— Não, vou passar três meses na casa do senhor Castelã — respondi baixinho e desviei o olhar.

Gisele queria saber mais detalhes, mas eu não posso falar sobre o contrato; é sigiloso. E também, o senhor Castelã estava ouvindo tudo, por mais que ele fingisse não ouvir. Então, falei que eu vou trabalhar na casa dele por um período de três meses, e se ele gostar do meu serviço, pode me contratar efetivamente. Quando falei isso, ele estava sorrindo.

— Vou morrer de saudade de vocês. Pelo menos nas duas folgas, você vem para casa — ela falou, e meu peito apertou.

Terminei de arrumar tudo, troquei de roupa, tirando o uniforme, e abracei a Gi bem forte. Espero um dia ter coragem de contar tudo para ela e que ela me perdoe por ter mentido. Assim que esse contrato acabar, vou mudar nossas vidas; para onde eu for, vou levar ela comigo.

Ela também abraçou a Lavínia. Os seguranças entraram para pegar as duas malas; não temos muitas coisas.

No caminho, Lavínia foi no colo do senhor Castelã, conversando com ele. Eu não sabia que minha filha era tão falante assim. O carro parou em um semáforo, e Lavínia começou a apontar para uma loja de brinquedos.

— Pare mais à frente — ele falou ao motorista.

Quando o sinal abriu, o motorista parou no acostamento. O senhor Castelã desceu com Lavínia e me mandou descer. Ele pegou na minha mão. Meu coração acelerou; olhei para ele assustada, e ele seguiu como se fosse a coisa mais normal do mundo.

Entramos na loja. O senhor Castelã colocou Lavínia no chão e pediu para ela escolher o brinquedo que quisesse. Ficamos o tempo todo de mãos dadas.

— Em que posso ajudar o casal? — uma vendedora perguntou, se aproximando de nós.

— Minha filha está escolhendo os brinquedos — ele respondeu, sem nem olhar para a mulher.

Quando ele chamou Lavínia de "minha filha", minhas mãos suaram e eu queria sorrir. Estava tendo uma crise de risos incontrolável. Soltei a mão do senhor Castelã e fui ajudar Lavínia a escolher o brinquedo. Mesmo não gostando da ideia de ele fazer todos os gostos dela assim, pelo menos eu podia sorrir como se estivesse feliz, mas, na verdade, estava nervosa.

Escolhi uma boneca, mas minha filha se agarrou a outra e também a um brinquedinho que parecia um carrinho com peças de montar.

— Filha, qual você vai escolher? — perguntei, mostrando os três brinquedos.

— Ela pode levar todos. E, se quiser mais algum, é só pegar — o senhor Castelã falou, pegando os brinquedos que ela tinha colocado em cima de um banquinho para escolher.

Falei para ele que não precisava comprar os três, apenas um, mas ele não me ouviu. Quando estávamos indo para o caixa, ele pegou mais duas bonecas com cores de cabelo diferentes.

Ao total, minha filha saiu com cinco brinquedos de uma loja caríssima. Fiquei muito feliz por ver a felicidade dela, mas estou preocupada, achando que isso não vai dar certo.

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Comments

Mariana

Mariana

aí que emoção, Meu Deus eu leio a história me imaginando como se fosse eu no lugar da pessoa .. fico aflita, nervosa, chorosa, agoniada ,todos os tipos de sentimentos . como se eu estivesse vivendo aqui . junto . 🥺😍 Virgínia mulher você. aí acaba com agente desse jeito, eu sei que você tem uma vida corrida como todos nós trabalhadoras, mais não deixe agente só com dois capítulos 🥺🥺🥺

2024-06-14

310

Claudia Claudia

Claudia Claudia

só espero que ela não se machuque pois com certeza irá se apaixonar e vai ser difícil esconder esse sentimento vai sofrer muito quando o contrato estiver próximo do término

2025-01-17

1

Patrícia Barbosa Ferrari

Patrícia Barbosa Ferrari

Catarina, você irá curar os traumas do Andrew e ele vai curar seus traumas e suas dores . Vocês vão ser um casal muito feliz

2025-03-07

0

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