Capítulo 09

ANDREW NARRANDO

Depois de mais um dia de trabalho duro, problemas resolvidos, assuntos inacabados. Tudo que preciso nesse momento é a minha casa e uma dose de whisky. Levantei-me, juntei todas as minhas coisas, peguei minha pasta e saí fechando a porta. Despedi-me da dona Lola e senti vontade de descer pela recepção.

Assim que saí do elevador, vi a Catarina. Ela estava de cabeça baixa, como sempre, mas não dava para ver a Lavínia. A menina estava toda coberta. Eu dei ordens claras para cuidar da criança. Chamei seu nome e ela virou. Quando vi seus lindos olhos tristes, me preocupei.

— O que aconteceu? Por que sua filha está assim, toda enrolada? — nesse momento, os olhos dela ficaram rasos d'água.

— Ela está com febre, vou levá-la ao hospital — ela falou, tocando a menina com a bochecha.

— Vamos, eu levo vocês — falei, e ela agradeceu.

Meu motorista já estava me aguardando na frente da empresa. Perguntei para qual hospital e ela respondeu o hospital do Estado, que é um hospital público, tem muitos pacientes e poucos profissionais.

— A criança não tem plano de saúde? — perguntei curioso.

— Apenas o da empresa, mas ainda não posso usar, só daqui uns meses.

Burocracias às vezes me irritam e me fazem odiar quem as inventou. Realmente, se ela entrou na empresa há poucos dias, terá que esperar 90 dias para usar o plano de saúde, o que é um absurdo.

— Nos leve para o Royal Hospital Chelsea — falei, dando ordens ao meu motorista.

— Senhor, esse é o hospital mais caro do país. Se o senhor está pensando em descontar do meu salário, já vi que não vou receber nenhum centavo no próximo mês — ela falou, e eu abri um sorriso sem mostrar os dentes.

Disse para ela ficar calma, que não cobraria por isso. Perguntei se ela sabia a causa da febre da menina, e ela sorriu de um jeito tão doce, mostrando o quanto é inocente.

— Não, senhor. Lavínia está na fase dos dentinhos. Estão saindo novos dentes, isso sempre acontece. Ela fica enjoada, tem febre, diarreia. É coisa de criança — ela falou, me olhando nos olhos.

Assim que chegamos ao hospital, saímos do carro. Ela me acompanhou enquanto eu solicitava atendimento VIP com o melhor pediatra do hospital. Quando olhei para Catarina para pedir os documentos da menina, ela estava me olhando com a boca aberta.

— Os documentos da pequena — falei. Ela virou de costas e pediu para eu pegá-los na mochila.

Peguei os documentos necessários e pedi à recepcionista que agilizasse o atendimento. Detesto pessoas lentas e desqualificadas para essa função.

Fomos para o andar indicado, onde o médico já nos esperava. Entrei com Catarina, e ele examinou Lavínia. A febre era realmente devido aos dentes que estavam nascendo. Ele receitou um remédio para a febre e outro para passar na gengiva da menina, mas já a medicou de imediato.

Agradeci ao doutor com um aperto de mão. Lavínia estava acordada, e quando estávamos voltando para entrar no elevador, ela levantou a cabeça e me chamou:

— Tio — quando ela disse isso, meu coração acelerou.

— Oi, princesa — falei, tocando em seu cabelinho.

Lavínia estendeu os bracinhos para mim. Catarina tentou repreender a menina, mas eu a peguei no colo.

— Lavínia, não importune o senhor Castelã — ela falou.

— Ela não está importunando — respondi.

Descemos para o térreo. Entrei no carro com a menina no colo, e ela colocou os bracinhos em volta do meu pescoço, deitando a cabeça no meu ombro. Essa foi uma das melhores sensações que já senti na vida. Pedi ao motorista que parasse na farmácia e mandei Catarina entregar o receituário. Ele comprou os remédios e os entregou para ela.

— Eu nem sei como agradecer, foi muito rápido o atendimento. E agora o senhor comprou os remédios. Pode descontar do meu salário, senhor Castelã — ela disse mais uma vez, mencionando o pagamento. Já percebi que, além de inocente, ela é persistente.

— Já falei que não vou cobrar nada. Tudo que fiz foi pela menina — respondi, procurando seus olhos.

Catarina passou seu endereço para o motorista. Ela mora muito longe da empresa, atravessando a cidade.

Assim que chegamos em frente a um prédio mal conservado, ela agradeceu e perguntou se eu queria entrar. Aceitei e entrei com a menina no colo. Subimos uma pequena escada, passamos por um corredor, e ela abriu a primeira porta.

A casa era simples, apenas um cômodo, mas bem arrumada. Catarina me pediu para sentar no Sofá, Lavínia não quis sair do meu colo.

Ela sorriu ao ver alguma coisa em cima da mesa e perguntou se eu queria pizza e se a Lavínia também queria. A menina levantou os bracinhos sorrindo. Agradeci, mas não aceitei. Ver a felicidade genuína da Catarina comendo pizza fria me despertou uma curiosidade.

— Como você consegue ser feliz com tão pouco? — perguntei, vendo-a toda feliz comendo um pedaço de pizza.

— A felicidade não está no que temos e sim dentro de nós — ela respondeu sorrindo, e as duas continuaram comendo a pizza.

Fiquei apenas observando. Olhei ao redor; tudo tão simples, mas eu nunca vi Catarina com a cara emburrada ou fazendo o seu trabalho de má vontade. Já a vi sorrindo, correndo pelos corredores e cuidando da filhinha na empresa.

— E o seu marido? — perguntei, sabendo que ela não tem, pois vi na sua ficha que é solteira.

— Eu não tenho marido — ela respondeu e desviou o olhar. Acho que Catarina ficou envergonhada.

Olhei no relógio; realmente já estava tarde. Eu tinha que atravessar a cidade. Despedi-me das duas, abracei a pequena e entreguei um cartão com o meu número pessoal para Catarina, pedindo que me chamasse quando precisasse.

Assim que saí da casa de Catarina, recebi uma mensagem da minha mãe, dizendo que a Luana estava na cidade. Luana é a mulher que a minha mãe sempre quis que eu me aproximasse, por ser filha de uma de suas melhores amigas.

— Vamos direto para casa — falei enquanto colocava o cinto de segurança.

Fechei os olhos e recostei a cabeça no banco do carro. Os olhos de Catarina e o sorriso de Lavínia não saíam da minha mente. Tive uma ideia: assim, vou conseguir tirar a minha mãe de tempo e ainda terei Catarina e Lavínia perto de mim.

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Comments

Marilena Yuriko Nishiyama

Marilena Yuriko Nishiyama

olha só o Andrew já está pensando no futuro ao lado da Catarina e da Lavínia,torcendo para que isso aconteça e claro espero que a mãe dele não implique com a Catarina por ser uma mulher humilde🤨🤨...... aguardando os próximos capítulos autora ☺️

2024-06-12

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F Valeria Feliciano

F Valeria Feliciano

amando o casal, só achei q ele poderia ser mais novo um pouquinho.. 40 e ela 23 nd contra, mais achei desnecessário toda essa diferença, ou ela com uns 26

2025-01-16

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Patrícia Barbosa Ferrari

Patrícia Barbosa Ferrari

O Andrew vai falar para a Catarina ser a namorada dele , só assim a mãe dele irá parar 🫷 de falar para ele ficar com a Luana

2025-03-07

0

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